Agressões aconteceram logo após o término da festa, em uma casa de eventos sem alvará no Gonzaga, em Santos (Arquivo pessoal) A casa de eventos no Gonzaga, em Santos, no litoral de São Paulo, onde aconteceu a festa que terminou com um adolescente de 17 anos sendo espancado por um grupo de mais de 30 jovens, não possui autorização para realizar eventos, ou seja, não tem alvará de funcionamento. A informação foi confirmada pela Prefeitura, que intimou o proprietário do imóvel nesta quinta-feira (23). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na madrugada de terça-feira (21), o adolescente foi agredido com socos, chutes, joelhadas e empurrões por um grupo de mais de 30 jovens na saída de uma festa privada nesta casa de eventos, localizada na Rua Azevedo Sodré, na altura da Avenida Ana Costa. A Polícia Civil investiga o caso como tentativa de homicídio. A mãe do jovem, que teve a identidade preservada por questão de segurança, afirma que a violência começou depois do encerramento da festa, organizada por adolescentes. Segundo ela, no local, outros jovens consumiam drogas e bebidas alcoólicas. De acordo com a mãe, o filho estava acompanhado de cinco amigos, e um deles discutiu com outro jovem, descrito como exaltado. Temendo que a situação piorasse, o adolescente de 17 anos passou a gravar a cena. A partir daí, se iniciou um desentendimento e o adolescente foi brutalmente agredido e posteriormente ‘salvo’ pelo motorista de um carro. Sem autorização A Secretaria de Finanças e Gestão (Sefin) de Santos informou que a casa de eventos não está autorizada a funcionar no local. De acordo com a pasta, uma empresa chegou a solicitar alvará para operar no imóvel, mas o pedido foi indeferido por falta de laudos de segurança e acessibilidade. A Administração Municipal ainda informou que, em 2025, o setor de fiscalização já havia intimado o antigo estabelecimento que funcionava no endereço a encerrar as atividades e, até então, não havia registro de novos eventos. Nesta quinta-feira (23), após denúncia, o proprietário do imóvel foi novamente intimado a não realizar qualquer atividade comercial sem a devida autorização do Município. Em caso de descumprimento, poderá ser aplicada multa, e o imóvel embargado e até emparedado. A Tribuna não conseguiu localizar a defesa do proprietário do imóvel, mas o espaço segue aberto para manifestações. Salvo pelo motorista Quando o adolescente de 17 anos começou a gravar a discussão na saída da festa, um dos jovens se incomodou com a atitude e daí se iniciaram as agressões. “Nisso, os moleques dessa ‘gangue’ puxaram o meu filho e disseram: ‘Tá filmando?’ Começou uma discussão. Meu filho mostrou o vídeo e apagou na mesma hora, dizendo: ‘Já apaguei’. Mesmo assim, o jovem continuou agressivo. Aí começaram os empurrões e os socos. Meu filho já estava abaixado, acho que caído. Ele viu uma brecha no meio da multidão — eram mais de 30 pessoas — e saiu correndo até a esquina da Ana Costa”, relatou a mãe. Segundo ela, os agressores alcançaram o filho e o derrubaram novamente. “Deram socos, joelhadas. Ele começou a se sentir mal, porque levou uma joelhada forte no estômago. Já caído, continuaram socando. Estavam chutando a cabeça, chutando tudo. Ele só protegia o rosto, por isso foi muito atingido na mandíbula e nos dentes, que ficaram moles”. Na hora das agressões, um motorista que passava pelo local parou para prestar ajuda. “Meu filho disse que, mesmo tonto, viu a porta do carro aberta e pensou: ‘Eu tenho que me salvar’. Ele entrou. A multidão cercou o carro e não deixava sair. Puxaram ele, rasgaram a blusa e continuaram agredindo. O motorista pedia para pararem e gritava para meu filho entrar. Ele conseguiu voltar para o carro, e o homem saiu do local. Se não fosse isso, meu filho não estaria vivo hoje... Foi horrível”, afirmou. Ainda segundo a mãe, o adolescente sofreu ferimentos pelo corpo. “Ele ficou arranhado, com machucados nas costas e nos braços, mas o pior foi interno. Foram joelhadas, chutes nas costas, no estômago e na mandíbula”. O jovem precisou passar por cirurgia bucomaxilofacial em decorrência das lesões. Ele deve realizar exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). A mãe afirma que os agressores “são figurinhas carimbadas em confusões nessas festas”. “É o que os meninos me falaram. Tanto que, às vezes, eles são barrados, porque realmente causam esse tipo de situação". Boletim de ocorrência A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos como tentativa de homicídio. No documento, o adolescente relata que estava em uma festa e, ao sair com amigos, percebeu a presença de um grupo de jovens que não participava do evento e estava na rua, onde teve início uma discussão. Em seguida, ao procurar um amigo para ir embora, foi puxado pelo braço por um integrante do grupo e colocado no centro de uma roda formada por diversos indivíduos, que passaram a questioná-lo sobre vídeo que teria gravado. Um deles exigiu que o suposto vídeo fosse apagado, inclusive da lixeira do celular. O adolescente relatou ainda que foi empurrado contra a parede e cercado por vários indivíduos, que continuaram exigindo a exclusão do vídeo. Diante da situação, afirmou ter temido retirar o celular do bolso, receando que o aparelho fosse roubado. Após negar, passou a ser agredido com puxões de cabelo, tapas, puxões nas roupas e empurrões. O jovem tentou fugir, mas foi perseguido e alcançado na altura da Avenida Ana Costa com a Rua Azevedo Sodré, onde foi novamente empurrado contra o vidro de um estabelecimento comercial. Segundo o relato, um dos agressores desferiu uma joelhada em seu estômago, fazendo-o cair, além de um soco na região do queixo. Em determinado momento, um veículo parou nas proximidades para prestar socorro. O adolescente entrou rapidamente no carro. O veículo também foi cercado. O motorista tentou dialogar com o grupo, mas um dos indivíduos conseguiu puxar o jovem para fora, segurando-o pela camisa, na tentativa de pegar seu celular. Um dos agressores chegou a retirar o aparelho do bolso da vítima, mas o condutor interveio, pediu o celular e se comprometeu a mostrar o conteúdo ao grupo. Ao verificar o aparelho, os indivíduos constataram que não havia a gravação. Ao final, um dos indivíduos ainda desferiu um tapa no rosto do jovem, afirmando que "havia gravado a cara dele" e advertindo-o para que não repetisse tal conduta. Ao sair do local, o jovem foi ao pronto-socorro (PS), onde recebeu atendimento médico. O adolescente disse que lembra que o jovem que puxou seu braço tem como característica a pele morena escura, cabelo raspado e uma tatuagem com uma frase escrita no lado esquerdo do pescoço, e aproximadamente 1,70 de altura. Ele usava camisa preta. Também consta no registro que a mãe disse à polícia que o espaço onde ocorreu o evento não possui alvará de funcionamento, tratando-se de festa clandestina, sendo que no local havia fornecimento de bebida alcoólica a jovens, sem qualquer tipo de restrição.