Matheus Henrique Poly Garcia permanecerá preso (Polícia Civil e Reprodução/Redes Sociais) O caminhoneiro Matheus Henrique Poly Garcia, de 27 anos, acusado de provocar o acidente que matou a estudante Joyce Akemi Santana Muraoka, de 19 anos, e deixar um homem gravemente ferido em Jacupiranga, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo, continuará preso preventivamente. O pedido de liberdade provisória apresentado pela defesa do motorista foi negado pela Justiça na última terça-feira (2). Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na decisão, a juíza Maisa Leite afirmou que permanecem inalterados os fundamentos que motivaram a prisão preventiva decretada anteriormente. Segundo ela, há elementos que demonstram a gravidade concreta da conduta atribuída ao réu e o risco que sua soltura representaria para a ordem pública. Entre os fatores citados estão vídeos anexados ao processo que mostram Matheus dirigindo o caminhão com os pés apoiados no painel da cabine, ouvindo música em alto volume e consumindo bebidas alcoólicas diretamente de garrafas. Conforme a decisão, o veículo ainda trafegava a cerca de 130 km/h, velocidade mais de três vezes superior ao limite de 40 km/h permitido no trecho da Rodovia José Edgard Carneiro dos Santos (SP-193). A juíza também destacou que o motorista teria dirigido após consumir álcool e cocaína. Para ela, o comportamento demonstra “profunda irresponsabilidade e indiferença em relação à incolumidade e à vida de cidadãos”. Outro ponto considerado pela magistrada foi a conduta de Matheus após o acidente, que fugiu do local e permaneceu foragido até ser preso em 7 de maio, no município de Piedade. A Justiça também apontou que ele tentou atribuir a direção do caminhão ao ajudante que o acompanhava, versão posteriormente contrariada por vídeos e depoimentos de testemunhas. “A soltura de um agente que demonstra tamanho desprezo pelas regras sociais e pela vida de transeuntes gera intolerável sentimento de impunidade e desassossego social, enfraquecendo a confiança dos cidadãos nas instituições e na eficácia do ordenamento jurídico penal", escreveu a juíza. A defesa argumentou que Matheus é réu primário, possui endereço fixo e não representa risco à investigação ou à aplicação da lei penal. Os argumentos, porém, foram rejeitados. Segundo a magistrada, características pessoais favoráveis não impedem a manutenção da prisão quando estão presentes os requisitos legais para a medida cautelar. A juíza também afastou o pedido para que o processo tramitasse sob segredo de justiça, afirmando que a publicidade dos atos processuais é a regra e que não há justificativa legal para restringir o acesso aos autos. Relembre o caso O acidente ocorreu na noite de 5 de maio, quando o caminhão conduzido por Matheus invadiu um ponto de ônibus em Jacupiranga. Joyce, que seguia para a faculdade, foi atingida e morreu após ser socorrida. Um homem de 45 anos também foi atropelado e sofreu ferimentos graves. Amigas combinaram de faltar no dia Conforme noticiado por A Tribuna, a jovem estava a caminho da faculdade na hora do acidente e, no mesmo dia, conversou com amigas sobre não ir para a aula. As colegas faltaram, mas a estudante decidiu ir. Denunciado pelo MP-SP O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou Matheus pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio e embriaguez ao volante. Para a Promotoria, ele assumiu o risco de matar ao dirigir sob efeito de álcool e drogas em alta velocidade. A acusação pede que Matheus seja submetido a júri popular.