A Justiça de Jacupiranga, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo, determinou a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do caminhoneiro Matheus Henrique Poly Garcia, preso desde maio por atropelar e matar a estudante Joyce Akemi Santana Muraoka, de 19 anos, em um ponto de ônibus às margens da Rodovia José Edgard Carneiro dos Santos (SP-193). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O acidente aconteceu na noite de 5 de maio. Na ocasião, Garcia perdeu o controle do caminhão, atingiu Joyce e um homem de 45 anos, que sofreu ferimentos. Em decisão publicada na terça-feira (20), a juíza Jessica Cavalcante da Silva acolheu um pedido do Ministério Público (MP) e determinou a suspensão cautelar da CNH de Matheus. Ao fundamentar a medida, a magistrada considerou que o caminhoneiro dirigia sob influência de álcool e cocaína. Conforme a decisão, o exame apontou concentração de 1,5 grama de álcool por litro de sangue, valor 150% superior ao limite legal mencionado na decisão. A magistrada considerou, ainda, que as provas demonstram que Matheus realizava ultrapassagens e manobras imprudentes em alta velocidade. Entre os elementos analisados está um vídeo que mostra o motorista dirigindo descalço, com o pé apoiado na janela do caminhão, enquanto bebia ao volante. Segundo a decisão, as circunstâncias justificam a adoção de medida cautelar mais rigorosa. “A suspensão da CNH, nesse contexto, mostra-se proporcional e necessária para prevenir a reiteração de condutas similares e proteger a coletividade”, escreveu a juíza. Celular apreendido Matheus Henrique Poly Garcia foi preso em Piedade, no interior de São Paulo; ele conduzia o caminhão que atropelou e matou a estudante Joyce Akemi Muraoka, de 19 anos, em Jacupiranga (Polícia Civil e Reprodução/Redes Sociais) Na mesma decisão, a magistrada negou o pedido da defesa para a devolução do celular apreendido com Matheus. A perícia realizada no aparelho não conseguiu extrair os dados armazenados, mas, segundo a juíza, o dispositivo ainda pode contribuir para a investigação. Ao justificar a decisão, ela destacou a importância do celular para a apuração dos fatos e considerou a possibilidade de uma nova perícia obter resultado positivo. O Ministério Público havia se manifestado contra a restituição, argumentando que o aparelho está relacionado ao núcleo central da investigação criminal. A decisão também marcou para 25 de novembro, às 13h, a audiência de instrução, debates e julgamento. A solenidade será realizada em formato virtual e presencial e deverá reunir as partes, testemunhas e policiais convocados para prestar depoimento. A juíza determinou, ainda, que a Polícia Civil realize, com urgência, diligências para identificar uma terceira pessoa que estaria no ponto de ônibus. Caso ela seja identificada, o Ministério Público deverá avaliar a possibilidade de complementar a denúncia. A Tribuna procurou a defesa de Matheus e aguarda resposta para a atualização desta reportagem.