O caso ocorreu na região da Alemoa, em Santos (Arquivo pessoal/Junior Dantas) O advogado Junior Dantas, que representa o caminhoneiro de 46 anos agredido durante uma manifestação na Avenida Engenheiro Augusto Barata, na Alemoa, em Santos, no litoral de São Paulo, afirmou que o cliente reagiu à abordagem por não perceber que os responsáveis pelas agressões eram policiais militares. Segundo a defesa, o homem foi atingido pelas costas e ficou desorientado após receber um golpe na região da cabeça. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o advogado, as imagens que circularam nas redes sociais mostram que o caminhoneiro foi surpreendido durante a confusão e, ao acreditar que estava sendo atacado por outros manifestantes, tentou apenas se defender. “Ele foi agredido pelas costas. Ficou atordoado, com a visão turva, e reagiu porque achou que estava sendo agredido por outras pessoas. Quando percebeu que eram policiais, parou imediatamente”, afirmou Dantas. Ainda segundo a defesa, após a abordagem, o caminhoneiro teria sido levado para um canto, onde, conforme o relato, foi agredido por diversos policiais. O homem passou por exame de corpo de delito para registrar as lesões. O advogado também afirmou que o caminhoneiro foi encaminhado ao 5º Distrito Policial (DP) de Santos por outra equipe da Polícia Militar, diferente da que participou da abordagem. Segundo ele, os agentes envolvidos na confusão permaneceram no protesto e só compareceram à delegacia cerca de três horas depois. Confusão foi registrada na região da Alemoa, durante paralisação dos caminhoneiros para pressionar o Senador a votar a MP do Frete (Reprodução) Durante esse período, de acordo com Dantas, o caminhoneiro permaneceu detido sem que houvesse a apresentação formal da ocorrência. “Ele ficou cerca de três a quatro horas preso sem representação e sem documentação. Eu nem sabia pelo que ele seria acusado, porque os policiais que fizeram a abordagem ainda não tinham chegado”, disse. A defesa informou que, após a chegada dos policiais, a ocorrência foi apresentada ao delegado, que ouviu as versões dos envolvidos. Em seguida, o caminhoneiro assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foi liberado. O advogado afirmou ainda que pretende adotar as medidas cabíveis em relação às agressões sofridas pelo cliente. Até o momento, a defesa aguarda o andamento da apuração do caso. -Veja o vídeo (1.521535) O que diz o boletim de ocorrência Obtido por A Tribuna, o boletim de ocorrência foi registrado no 5º Distrito Policial (DP) de Santos por resistência e dano. Conforme o documento, um policial militar relatou que equipes da Força Tática estavam posicionadas na Avenida Engenheiro Augusto Barata durante a paralisação dos caminhoneiros quando um dos manifestantes teria arremessado uma pedra contra o para-brisa de um caminhão que trafegava pela via, causando danos ao veículo. Ainda de acordo com o registro, os policiais iniciaram a abordagem para deter o suspeito. O boletim afirma que o caminhoneiro teria resistido à prisão e agredido os agentes, o que, segundo o policial, levou ao uso “progressivo e seletivo da força”, com técnicas de controle e golpes para conter a resistência. O documento também informa que, durante a condução do caminhoneiro até a viatura, outros manifestantes tentaram impedir a detenção. Diante da situação, a PM relata ter utilizado duas granadas fumígenas, uma granada de efeito moral e agente químico para dispersar o grupo e garantir a condução do suspeito. Ainda segundo o boletim, o caminhoneiro foi levado ao Pronto-Socorro da Zona Noroeste, onde recebeu atendimento médico em razão das lesões decorrentes da intervenção policial. O registro acrescenta que o motorista do caminhão atingido pela pedra compareceu à delegacia e confirmou a versão apresentada pelos policiais sobre o arremesso. No termo de declarações anexado ao boletim, o caminhoneiro apresentou uma versão diferente da registrada pelos policiais. Conforme o documento, ele afirmou que participava da greve quando um caminhão tentou furar o bloqueio e avançou em direção aos manifestantes. Segundo o relato, os policiais não teriam interferido naquele momento e, em seguida, passaram a agredir os participantes do protesto. O caminhoneiro declarou ainda que não resistiu à abordagem e que recebeu um soco na cabeça pelas costas, o que o deixou desorientado. Depois disso, segundo o termo, ele foi algemado, encaminhado para atendimento médico na UPA da Zona Noroeste e, posteriormente, levado ao 5º Distrito Policial. No local, retirou a requisição para realização de exame de corpo de delito, com o objetivo de comprovar as lesões sofridas. Posicionamento A Tribuna entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), que, por meio de nota, enviou um posicionamento semelhante informado na matéria anterior. "A Polícia Militar apura todas as circunstâncias da abordagem e analisa as imagens das câmeras operacionais portáteis (COPs) dos agentes envolvidos. O homem, de 46 anos, foi detido e conduzido ao 5º Distrito Policial de Santos, onde foi ouvido e liberado."