[[legacy_image_111306]] Um cão da raça labrador morreu após ser envenenado com chumbinho dentro da casa em que vivia com uma família, no Pae Cará, Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá. Além de Apolo, o vira-lata Flecha também foi envenenado, mas sobreviveu. O tutor dos animais, um engenheiro eletricista de 38 anos que prefere não se identificar, explicou para A Tribuna que imagens de câmeras de monitoramento indicam que o autor do crime foi o vizinho. Um boletim de ocorrência foi registrado no 2º Distrito Policial de Guarujá. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O envenenamento que tirou a vida do labrador aconteceu em 20 de agosto. Contudo, no mês anterior, os dois cães já tinham sido alvo de intoxicação por veneno e chegaram a passar por tratamento veterinário para recuperação. O engenheiro mora com a esposa, dois filhos – de 11 e 14 anos - e, por enquanto, sem animais de estimação. Após a morte de Apolo, ele decidiu mandar Flecha para a casa da sogra, minimizando o risco de novo envenenamento. Segundo o morador de Guarujá, o filho mais velho tem transtorno do espectro autista e os cães ajudavam no tratamento dele. “Para a gente, o cachorro é uma terapia. Para o autista, mais ainda, porque o tranquiliza”. Apolo estava com a família há seis anos, após ser adotado. Sua morte deixou a criança e o adolescente abatidos, com o mais velho sempre perguntando pelo cachorro. "Era membro da família", destaca o engenheiro. A família não sabe o motivo dos ataques, pois o homem flagrado nas imagens se mudou para o Pae Cará há pouco tempo e nunca reclamou dos animais ou falou com a vizinhança. “A pessoa provavelmente sabia a hora que eu chegava e que eu saia. Imaginei que era alguém querendo assaltar minha casa ou roubar alguma coisa de valor e não era nada disso”. O caso foi registrado como crime consumado no 2º DP de Guarujá. Os envenenamentosÀ Reportagem, o engenheiro relembra os detalhes dos dias em que os animais foram envenenados - 19 de julho e 20 de agosto. Nas duas ocasiões, o suspeito agiu enquanto o casal não estava em casa. Porém, foi flagrado por câmeras de monitoramento. Em julho, o crime aconteceu no período da manhã. “Por volta das 8h, eu levei minha esposa para trabalhar e meus filhos estavam de férias em casa”, lembra o engenheiro. Ao retornar para o imóvel, às 10h, ele encontrou o quintal todo sujo de fezes e vômitos e avistou Apolo agonizando. “Era de praxe, ao sairmos, os cachorros ficarem no quintal”. Segundo ele, Flecha estava andando, mas tremendo muito. Após avaliações realizadas por uma veterinária, a constatação: os sintomas apresentados pelos dois animais eram de envenenamento por chumbinho. Assim, o engenheiro eletricista resgatou as imagens da câmera de segurança do imóvel. “Deixei guardadas, porque a minha prioridade era resolver a saúde dos dois. Achei resquícios, em casa, de pedaços de linguiça com uns pontos pretos que mostrei para a veterinária e ela confirmou que era chumbinho”. [[legacy_image_111307]] Apolo e Flecha se recuperaram em casa, mas um novo ataque ocorreu em 20 de agosto, no período da tarde. O morador de Guarujá relata que estava de folga e, após buscar os filhos na escola, foi até a casa da mãe. Pai e filhos saíram do imóvel por volta das 13h. Duas horas depois, o vizinho deu aos cães um pedaço de carne com chumbinho. Ao voltar para casa, a família se deparou com o labrador morto. “Minha esposa abriu o portão para eu entrar com o carro, mas falou para desligar (o veículo) e ficar calmo, porque o cachorro já tinha morrido”, desabafa, emocionado. No momento, o homem não sabia como agir. Por isso, ligou para a polícia, sendo informado que o procedimento para este caso era registrar um boletim de ocorrência na delegacia. Ele bem que tentou, mas não conseguiu denunciar o caso por falta de provas. Enquanto o engenheiro procurou as autoridades policiais, a esposa foi com Flecha até a clínica veterinária, pois o cão também tinha sido envenenado, mas estava vivo. As provasEm agosto, a câmera do imóvel do tutor dos cães não estava gravando, mas ele conseguiu a imagem com um vizinho. Nela, o suposto autor do crime aparece com o portão da casa aberto e metade do carro para fora, tornando possível ver quando ele coloca o braço na fresta entre o muro do próprio imóvel e o da casa onde estavam os cachorros. “Deu [o veneno] praticamente na boca”, conta. Desta forma, a família possui as imagens dos dois dias dos crimes e, junto com os laudos da clínica veterinária, registrou um boletim de ocorrência em 27 de agosto. “Não cheguei a conversar com a pessoa depois do ocorrido, achei melhor procurar a polícia”, destaca o engenheiro. [[legacy_image_111327]] Porém, segundo ele, as investigações estão paradas e essa demora o preocupa, pois o vizinho não é do litoral de São Paulo e só estaria passando um tempo em Guarujá. “Comentei com o escrivão, ao fazer o boletim de ocorrência, que se essa pessoa for embora, as coisas ficarão ainda mais difíceis”. Sem respostaA Tribuna questionou a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) sobre o andamento das investigações, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.