De acordo com o tutor, uma médica veterinária verificou a temperatura do cachorro, que estava em 42,8°C (Arquivo pessoal/Jefferson Alexandre) O que era para ser só mais um banho normal na vida de Eros, um spitz alemão de 3 anos, se tornou um pesadelo na vida do tutor Jefferson Alexandre Cardoso, de 35 anos, pois o cachorro acabou morrendo após banho e tosa em uma unidade da Cobasi, no bairro Sítio do Campo, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. O caso aconteceu em 21 de março. O tutor afirma que o animal sofreu um quadro grave de hipertermia (aumento excessivo da temperatura corporal) no estabelecimento. A Polícia Civil investiga o caso. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo Jefferson, ele e a mãe levaram Eros para o banho agendado no pet shop na parte da tarde. O cachorro, que era saudável e sem histórico de doenças, foi entregue aos cuidados da equipe. Eles permaneceram no local durante todo o procedimento. Ao final do banho, o tosador trouxe o cachorro até a recepção, e Jefferson notou que o animal estava com dificuldades para ficar em pé, com a língua para fora e respiração ofegante. “Ele já não respondia, estava com a língua roxa”, conta. De acordo com o tutor, a equipe do pet shop informou que poderia ser “cansaço do banho”. No entanto, Jefferson insistiu no atendimento veterinário. Ele afirma que uma médica veterinária do pet shop verificou a temperatura do cachorro, que estava em 42,8°C, o que foi constado pelo encaminhamento médico obtido por A Tribuna. Segundo Jefferson, a veterinária tentou reduzir a temperatura, mas o estado de Eros piorou rapidamente. O animal começou a sangrar pela boca e não respondia mais a estímulos. A profissional, então, recomendou que o spitz alemão fosse levado a um hospital veterinário com estrutura de urgência. Jefferson e a mãe dele levaram Eros para o Hospital Veterinário Brasil Vet, onde o cachorro foi internado em estado grave na unidade de terapia intensiva (UTI). Na madrugada de 22 de março, o animal teve convulsões e morreu. No laudo médico obtido pela reportagem de A Tribuna, foi apontado que o quadro foi causado por hipertermia severa. Relatório médico O relatório médico descreve que o animal deu entrada no hospital veterinário por volta das 19h40 de 21 de março, após passar mal durante o banho. O relatório apontou que, na avaliação inicial, Eros apresentava mucosas cianóticas (indicando baixa oxigenação), temperatura de 40°C, taquipneia (respiração acelerada), petéquias no abdômen (pequenos sangramentos sob a pele) e teve um episódio de diarreia durante o atendimento. O cachorro foi imediatamente colocado em suporte de oxigênio e medicado com antitérmico. Foram solicitados exames complementares — como raio X de tórax, ultrassom abdominal e exame de sangue —, mas o tutor optou por realizá-los no dia seguinte, após possível estabilização do quadro. O ultrassom revelou sinais de hepatopatia, lama biliar, nefropatia, espessamento da vesícula urinária (podendo indicar cistite) e hiperplasia prostática benigna. Apesar da tentativa de estabilização, o animal apresentou episódios de vômito, convulsões e hematoquezia (sangue nas fezes) ao longo da madrugada. Eros teve parada cardiorrespiratória e, mesmo com manobras de ressuscitação, não resistiu. Ainda segundo o documento, foi oferecida a realização de necropsia para determinar com mais precisão a causa da morte, mas o procedimento foi recusado pelo tutor, que assinou termo de não autorização. Jefferson afirmou que, durante a ida até o hospital, a Cobasi cobrou pelo banho (R\$ 135) e pela consulta veterinária (R\$ 175), além de não ter oferecido suporte após o ocorrido. Ele questiona as condições do local onde o banho foi realizado, alegando que não havia ventilação adequada e que o ambiente estava quente. “Meu animal saiu de casa saudável e não voltou. Ele foi torrado. Praticamente colocaram ele em uma air fryer”, desabafou. A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência (BO) que foi registrado como ato de abuso a animais (Art. 32) no 2º Distrito Policial (DP) de Praia Grande. O que diz a Cobasi? Em nota, a Cobasi afirmou que está acompanhando as investigações sobre a morte do cachorro Eros e lamentou o ocorrido. O cão passou por banho e tosa na franquia da PetAnjo, no local, com o acompanhamento da tutora na sala de espera, informou a rede. "Após o procedimento, foi constatado que o animal estava ofegante e com sinais de cansaço. Imediatamente, a veterinária presente na franquia, com a ciência da tutora, fez o atendimento ao cachorro com aplicação de medicação, recomendando que ele fosse levado imediatamente para uma completa avaliação em outra clínica", explica a empresa. Ainda de acordo com a Cobasi, "a veterinária da PetAnjo acompanhou o animal e sua tutora até a clínica, onde foi prestado o devido atendimento. No dia seguinte, a Cobasi foi informada sobre o óbito de Eros após a internação e início do tratamento". A empresa destacou que segue à disposição para cooperar com as investigações e prestar os esclarecimentos necessários. Secretaria da Segurança Pública A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso citado é investigado pelo 2° DP de Praia Grande, que realiza a apuração dos envolvidos, bem como demais buscas visando o devido esclarecimento dos fatos. Por fim, destacou que detalhes serão preservados para garantir a autonomia ao trabalho policial.