O padrasto da criança, Marcelo Pereira De Oliveira, de 38 anos, afirmou que a mãe, Thais Daniel Costa, de 30, deu ao bebê carbamazepina, medicamento de uso controlado indicado para adultos, na tentativa de fazer com que parasse de chorar (Reprodução) O bebê de 11 meses que morreu na noite de segunda-feira (9) em Praia Grande, no litoral de São Paulo, recebeu dez doses de medicamento em um intervalo de pouco mais de sete horas antes de apresentar agravamento do quadro de saúde e ser levado ao hospital. A informação consta no boletim de ocorrência do caso, obtido por A Tribuna. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o documento da Polícia Civil, a criança era portadora de hidrocefalia e desvio na coluna, e passaria por uma segunda cirurgia em breve. O bebê deu entrada no Pronto-Socorro (PS) Central já em parada cardíaca e não resistiu. A morte ocorreu na véspera do aniversário de 1 ano da criança. Conforme relatado no registro policial, o padrasto da criança, Marcelo Pereira De Oliveira, de 38 anos, afirmou que a mãe, Thais Daniel Costa, de 30, ministrou carbamazepina, um medicamento de uso controlado indicado para adultos, na tentativa de fazer o bebê parar de chorar. Segundo ele, a criança estava “muito agitada” havia alguns dias. Ainda de acordo com o depoimento, a medicação foi sendo repetida ao longo de mais de sete horas, totalizando dez doses. O homem disse que chegou a alertar a companheira de que se tratava de remédio para adultos, mas ela decidiu continuar administrando, porque o bebê seria “resistente” à medicação. O padrasto afirmou que, após as últimas doses, o bebê finalmente dormiu. Em determinado momento, porém, a criança passou a apresentar comportamento considerado estranho. Segundo ele, o menino “não piscava e não fazia nada”. Criança ficou sem ar O boletim de ocorrência também relata que, em meio ao desespero com o choro do filho, a mãe teria gritado para que o companheiro “fizesse o menino calar a boca” e chegou a pedir que ele colocasse a mão na boca do bebê. O homem disse que fez isso por alguns instantes, mas retirou a mão ao perceber que a criança estava sem ar. Em outro trecho do depoimento, o padrasto relatou que a mãe também teria desferido tapas no braço do filho. Já a mulher afirmou à polícia que se descontrolou e que, ao colocar o bebê no carrinho, acabou batendo a cabeça da criança. Quando percebeu que o bebê estava com respiração fraca, o casal decidiu levá-lo ao hospital. No entanto, segundo o relato, a criança já apresentava sinais de agravamento do quadro de saúde. Fuga do hospital Como mostrado anteriormente por A Tribuna, o bebê deu entrada no Pronto-Socorro Central com hematomas no rosto, sangramento e trauma na face, e já sem sinais vitais. A equipe médica tentou reanimá-lo, mas a morte foi constatada na unidade. Após o atendimento, a mãe e o padrasto deixaram o hospital. A Polícia Militar (PM) foi acionada e, com apoio do monitoramento municipal, localizou o casal em uma residência na Rua Jorge Tavares Quintas, no bairro Glória. Os dois foram detidos e levados para a Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande. Prisão em flagrante Segundo o delegado responsável pelo caso, os elementos reunidos até o momento, incluindo relatos policiais, ficha médica que aponta possível morte violenta por trauma e as declarações do casal, indicam a prática de homicídio qualificado contra menor de 14 anos. A Polícia Civil decretou a prisão em flagrante da mãe e do padrasto, que permanecem custodiados. A autoridade policial também representou pela conversão da prisão em flagrante para preventiva. O caso segue em investigação.