Uma bebê de 4 meses morreu após passar dois dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Santos, no litoral de São Paulo, por conta de um ferimento grave na cabeça. O pai foi preso em flagrante pelo crime, mas acabou liberado após passar por audiência de custódia. A Polícia Civil investiga o caso. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a Secretaria da Segurança Pública Estadual (SSP-SP), a criança morreu na última terça-feira (25), e o homem havia sido detido dois dias antes. Conforme informações da Polícia Civil, a Polícia Militar (PM) foi acionada por um médico do hospital. Ao chegarem ao local, os policiais foram atendidos por um enfermeiro, que relatou que a criança estava em estado grave e que as informações fornecidas pelos pais durante a triagem não eram condizentes com as lesões e a gravidade do quadro. O médico disse aos policiais de que a bebê estava internada na UTI, em estado grave, entubada e em coma induzido. Os agentes conversaram com os pais, que estavam no hospital. A mãe relatou que estava dormindo e foi acordada pelo avô paterno, que havia chegado ao portão. Enquanto atendia o avô, o companheiro a chamou porque a filha estava chorando muito. Segundo o relato, ele teria escutado o barulho de uma queda e, em seguida, silêncio. A mulher contou ainda que o avô paterno reside na parte de cima da casa, enquanto o casal mora nos fundos. Para chamá-la, o companheiro teria deixado a criança sozinha, mas retornado logo depois. Ao ouvir o barulho, ele teria encontrado a bebê caída no chão e desacordada, enquanto o carrinho onde ela estava havia tombado. Os pais chamaram o avô materno e levaram a filha, bastante sonolenta, ao Pronto-Socorro. O pai confirmou essa versão dos fatos inicialmente. Versão diferente do pai Na delegacia, porém, o homem contou que a filha havia, na verdade, caído de seu colo e que, ao tentar segurá-la, acabou empurrando-a. A bebê bateu a cabeça violentamente no chão. Ele afirmou que omitiu a verdade por receio de que a companheira brigasse por tê-la deixado cair. Sobre os hematomas anteriores encontrados na criança, disse que seriam resultado de “brincadeiras de mau gosto”, mas não deu outras explicações. A mãe da vítima também foi ouvida e, a princípio, não desconfiou da versão apresentada pelo pai. No entanto, após tentar conferir a dinâmica relatada por ele e diante da gravidade da lesão sofrida pela bebê, entendeu que se tratava de uma situação mais grave do que a narrada. Ela apresentou à polícia prints de conversas anteriores nas quais questionava sobre hematomas encontrados na criança em outras datas. Segundo o relato, ela não teria presenciado como essas lesões ocorreram quando a filha estava sob seus cuidados. Diante dos fatos, a autoridade policial compareceu à UTI Pediátrica da Santa Casa de Santos e, em contato com o médico responsável e o enfermeiro, verificou que a versão apresentada pelo pai não era compatível com a gravidade do quadro clínico da criança, que estava em estado gravíssimo. Em conversas separadas com os pais, a mãe demonstrou não ter conhecimento real sobre como o episódio teria ocorrido, pois não estava no local no momento. Já o pai insistia em uma versão considerada insustentável diante das lesões apresentadas pela bebê. Os dois foram conduzidos à delegacia. A mãe acompanhou a autoridade policial e um investigador até a residência da família, onde também foi solicitada a realização de perícia técnica. Após análise do caso, o homem foi preso em flagrante. Ele foi autuado por lesão corporal contra menores e por maus-tratos, por expor a perigo a vida da filha, de apenas 4 meses de idade. O homem foi encaminhado ao cárcere após as formalidades de praxe, mas posteriormente foi liberado após passar por audiência de custódia. A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos investiga o caso.