O bebê chegou já sem vida na unidade de saúde em Guarujá (Divulgação/ Prefeitura de Guarujá) Um bebê de 1 ano deu entrada já sem vida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Rodoviária, em Guarujá, no litoral de São Paulo, na madrugada desta terça-feira (26), com sinais de violência pelo corpo e suspeita de abuso sexual. O caso é investigado pela Polícia Civil como maus-tratos e morte suspeita. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados até a unidade de saúde após a equipe médica identificar lesões consideradas incompatíveis com uma morte natural. Conforme o registro policial, o bebê apresentava escoriações e arranhões nos pulsos, perfurações nas axilas compatíveis com queimaduras de bitucas de cigarro e severa dilatação na região anal, o que levantou suspeita de violência sexual. Ainda de acordo com o documento, o bebê chegou à unidade em parada cardiorrespiratória por volta da 1h20. A equipe médica realizou manobras de reanimação por cerca de 35 minutos, mas o óbito foi constatado à 1h40. A mãe da criança, de 23 anos, afirmou em depoimento que havia dado banho no filho durante o dia, o alimentado com mingau à noite e colocado para dormir. A mulher afirma que, depois de consumir maconha, adormeceu em um colchão no chão e acordou horas depois ao perceber que o bebê estava de bruços, sem respirar e com os lábios arroxeados. Ainda conforme o boletim de ocorrência, a mãe disse ter saído desesperada para pedir ajuda na rua e sido socorrida por um motociclista, que levou os dois até a UPA. Ela negou qualquer agressão ao filho e afirmou desconhecer a origem das demais lesões encontradas pela equipe médica. Sobre a queimadura em um dos pulsos, alegou que teria ocorrido após a criança tocar uma chapinha de cabelo quente. Outros depoimentos A Polícia Militar (PM) também ouviu homem de 52 anos investigado no caso. Segundo o boletim, ele afirmou que ajudava financeiramente a mãe da criança, alugando um imóvel para ela morar e fornecendo alimentos. O homem negou qualquer tipo de violência ou abuso. O pai do bebê, também de 23 anos, afirmou em depoimento que havia se separado da mãe da criança há cerca de oito dias e declarou que não a considerava uma boa referência materna. Segundo ele, recebia relatos de que o filho era deixado sozinho dentro de casa enquanto a mãe saía. A bisavó paterna da criança também foi ouvida pela polícia. Conforme o boletim, ela relatou que encontrou o imóvel onde a mãe vivia em condições precárias de higiene e afirmou que a família já havia ajudado a limpar outra residência onde o bebê morava anteriormente, em meio a lixo, ratos, baratas e percevejos. Ainda segundo o documento, a mulher contou que o filho já havia sido internado anteriormente após sofrer uma síncope cardíaca relacionada, segundo médicos, a obesidade infantil e alimentação inadequada. Apesar das suspeitas levantadas pela equipe médica, a autoridade policial responsável pelo caso decidiu não prender os envolvidos em flagrante. No boletim, o delegado aponta que ainda há dúvidas sobre a causa da morte e destaca que a dilatação anal observada no corpo pode ter outras explicações médicas, além de abuso sexual. Exames A Polícia Civil requisitou exames necroscópicos detalhados ao Instituto Médico Legal (IML), incluindo análise para verificar eventual violência sexual e coleta de material genético para confronto de DNA. Também foi solicitada perícia na residência onde a criança morava. O caso foi registrado pela Delegacia Sede de Guarujá. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso é investigado como maus-tratos e morte suspeita. Segundo a pasta, os responsáveis pela criança foram levados à delegacia, prestaram depoimento e foram liberados. Ambos seguem sob investigação. Já a Prefeitura de Guarujá informou que o bebê chegou à UPA Rodoviária já sem sinais vitais e que, mesmo assim, a equipe médica realizou todos os protocolos de emergência e reanimação. A Administração Municipal afirmou ainda que, durante o atendimento, foram identificados indícios de possíveis maus-tratos e a Polícia Militar (PM) foi acionada imediatamente.