Policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) entraram em prédio onde criminosos fizeram reféns em Santos (Reprodução e Vanessa Rodrigues/ AT) A denúncia oferecida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra os cinco homens acusados de invadir um prédio de luxo no Embaré, em Santos, no início de outubro, também revelou que os assaltantes tinham outras vítimas em mente além do goleiro João Paulo, do Santos Futebol Clube, que era o principal alvo da quadrilha. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o documento obtido por A Tribuna, as seis vítimas do sequestro foram mantidas em cárcere privado no apartamento de um dos secretários da Santa Casa de Santos. Ele e a esposa também eram alvos dos criminosos, que conseguiram entrar na residência após abordar uma funcionária do casal. As informações sobre o funcionamento do prédio e a rotina das vítimas foram fornecidas pelo porteiro do edifício. O homem de 29 anos também foi o responsável por garantir o acesso dos criminosos à garagem do condomínio, onde os assaltantes entraram em um carro furtado anteriormente. No texto da denúncia, o MP-SP ressalta a importância da atuação do porteiro para a ação dos criminosos. “O alvo principal era João Paulo, goleiro do Santos, e sua esposa, mas outros apartamentos também seriam ‘visitados’, tudo com o uso das informações de (nome do porteiro)”, diz o documento. Ainda conforme o MP-SP, após os bandidos entrarem no edifício pela garagem, o motorista estacionou o carro em um local estratégico onde os três assaltantes ficaram aguardando as vítimas. Ao entrarem no apartamento do casal, onde ocorreu o sequestro após a tentativa de roubo frustrada, os criminosos disseram à proprietária do imóvel que sabiam que o marido dela era “bam bam bam” da Santa Casa, citaram o “moço do Itaú” e, mais de uma vez, mencionaram o goleiro do Santos FC. Porteiro teria facilitado a entrada dos criminosos no prédio que foi invadido; seis pessoas foram feitas reféns (Reprodução) Porteiro orientou quadrilha A denúncia do MP-SP indica que o porteiro, além de garantir o acesso ao prédio e indicar as possíveis vítimas, teria também orientado os assaltantes a abordarem a funcionária do casal proprietário do apartamento onde ocorreu o sequestro para conseguir entrar no imóvel dos patrões da mulher. Um dos criminosos esperou a funcionária entrar no edifício e não deixou a porta fechar. Em seguida, subiu com ela no elevador e, ao chegar ao andar do apartamento das vítimas, rendeu a mulher e anunciou o roubo. A proprietária do apartamento foi rendida pelo ladrão quando abriu a porta para a funcionária. O assaltante a todo momento pedia pela senha do cofre do casal e começou a subtrair pertences de ambos, como alianças, celulares e carteira. Em seguida, os outros dois integrantes da quadrilha, que também estavam armados, trouxeram mais reféns para o apartamento. O trio, então, passou a manter as vítimas em cárcere privado sob ameaça e a roubar seus pertences pessoais. Acusados por 15 crimes O MP-SP aceitou a denúncia contra os cinco homens envolvidos na invasão, que vão responder, juntos, por 15 delitos. Na lista, constam organização criminosa, receptação, adulteração de veículo, posse irregular de arma de fogo, roubo qualificado, extorsão, desobediência, violação de domicílio, constrangimento ilegal e desvio de bem. De acordo com o Código Penal, caso cada um dos acusados seja condenado por todos os crimes cometidos, a pena mínima a ser cumprida é de 18 anos e 9 meses. Todos os envolvidos no episódio foram presos em flagrante após uma ação conjunta da Polícia Militar, da Polícia Civil e do Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo (Gate), acionado após a tentativa de roubo ter se tornado um sequestro que manteve seis pessoas reféns. Em nota para A Tribuna, o promotor de Justiça André Luiz dos Santos informou que, após o oferecimento da denúncia, o MP-SP aguarda decisão da juíza da 4ª Vara Criminal de Santos quanto ao recebimento da acusação. Caso a acusação seja aceita, os cinco passam a responder a um processo penal pelos diversos crimes cometidos em 1º de outubro. “O primeiro deles é de organização criminosa, pois eles se reuniram, dividiram tarefas e planejaram os assaltos. Também são acusados pelos roubos com emprego de arma de fogo, extorsão (exigiram senha para transferência via Pix) e sequestro ou cárcere privado, já, com a chegada da polícia, ao invés de se entregarem, fizeram as vítimas reféns”, diz o promotor. Além disso, há acusação de receptação do veículo usado para entrar na garagem do prédio, que havia sido furtado anteriormente em Praia Grande, adulteração da placa do carro e porte de munição de fuzil, encontrada no automóvel. Os papéis dos integrantes O MP-SP considerou que os acusados “promoveram, constituíram e integraram uma organização criminosa armada para a prática de roubos e extorsão” no condomínio. O texto detalha o papel de cada um na invasão do edifício no Embaré em 1º de outubro. Confira abaixo. O porteiro: o homem de 29 anos responde por oito crimes, que vão de desvio de bem a organização criminosa. O papel dele dentro da quadrilha, segundo a denúncia do MP-SP, era informar os demais sobre a rotina dos moradores e do edifício. Além disso, ele abriu o portão da garagem para que os criminosos entrassem em um carro furtado anteriormente. Os assaltantes: três homens de 25, 26 e 30 anos ficaram responsáveis por roubar as vítimas. Eles invadiram o prédio com armas como um revólver e uma pistola 9mm de uso restrito. Quando a Polícia Militar foi acionada, foram eles que mantiveram moradores e funcionários do edifício reféns em um apartamento do 30º andar. Cada um do trio responde por 13 crimes, que incluem associação criminosa, roubo duplamente qualificado e agravado, extorsão mediante sequestro e fraude processual. O piloto: o mais jovem da quadrilha, um rapaz de 19 anos, ficou responsável por levar o grupo até o edifício. Enquanto o trio de integrantes assaltava as vítimas, ele deveria esperar dentro da garagem do prédio pelo retorno dos criminosos e dirigir durante a fuga. Quando soube que a Polícia Militar havia cercado o prédio, ele tentou fugir na contramão da Rua Castro Alves e acabou baleado pelos policiais. Ele foi socorrido e ficou internado sob escolta na Santa Casa de Santos, onde também teve a autorização do MP-SP para receber visitas da mãe. Ele responde por 12 crimes, entre eles associação criminosa, roubo majorado com agravante, extorsão mediante sequestro, desobediência e resistência. Um dos ladrões foi baleado em frente a uma farmácia após tiroteio com a PM (Reprodução) Leia mais sobre o assunto: Ministério Público denuncia cinco criminosos por invasão a prédio de luxo onde morava goleiro do Santos Entenda tudo o que se sabe sobre a invasão ao prédio de luxo em Santos onde mora o goleiro João Paulo João Paulo, do Santos, era alvo de criminosos que invadiram prédio e fizeram reféns no litoral de São Paulo Porteiro é preso por suposto envolvimento em assalto com reféns a prédio de luxo em Santos Bandidos que fizeram reféns em prédio de luxo em Santos se entregam à polícia; VÍDEO Prédio de luxo em Santos tem manhã de terror com moradores reféns, tiroteio e bandidos baleados; VÍDEO Escolas pedem para pais não buscarem os filhos após ataque de criminosos no litoral de São Paulo Criminosos invadem prédio de luxo em Santos e fazem reféns; um é baleado Vídeo mostra policiais atirando em carro utilizado por criminosos que invadiram prédio em Santos; ASSISTA Morador de prédio de luxo em Santos relata momento de terror com invasão e reféns: 'Ia sair para trabalhar'