Operação Fluxo Oculto cumpre mandados de busca e apreensão em alvos de cinco estados, entre eles Santos (Divulgação/ Receita Federal) A Receita Federal, em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, deflagrou nesta quinta-feira (28) a Operação Fluxo Oculto. Ao todo, 59 mandados de busca foram expedidos contra alvos em cinco estados — dois deles em Santos, no litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a Receita Federal, a ação é a segunda fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada há nove meses, que teve como objetivo desmantelar um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), com foco na infiltração da facção no setor de combustíveis. A nova etapa investiga seis fintechs — empresas que oferecem serviços financeiros com uso de tecnologia — e a adulteração de combustíveis com o uso de nafta (solvente). Segundo a Receita Federal, o esquema, além de lavar dinheiro de origem criminosa, também gerava altos lucros dentro da cadeia produtiva de combustíveis. As apurações indicam que as fintechs eram utilizadas para ocultar recursos ilícitos, aproveitando falhas em mecanismos de controle e estruturas financeiras pouco transparentes. Após a operação anterior, seis dessas empresas foram identificadas como uma espécie de “banco paralelo” da organização criminosa, movimentando mais de R\$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. Entre as estratégias estava o uso de chamadas “contas bolsão”, que centralizavam e redistribuíam valores para dificultar o rastreamento. Também foram identificadas operações atípicas, como grandes volumes de depósitos em dinheiro vivo e transações em múltiplas camadas, além de pelo menos R\$ 365 milhões em movimentações com criptoativos ligados a empresas suspeitas de lavagem de dinheiro. A Receita Federal destacou ainda que, até 2025, as instituições de pagamento não eram obrigadas a entregar a e-Financeira, o que limitava o acesso a dados dessas operações. Com a mudança na regra após a Operação Carbono Oculto, mais de 450 fintechs passaram a fornecer informações ao órgão, fortalecendo o combate a crimes financeiros. Parte das empresas investigadas já declarou cerca de R\$ 8 bilhões movimentados em 2025, enquanto outras devem ser autuadas por descumprimento da obrigação. Adulteração de combustíveis As investigações indicam que o grupo utilizava brechas tributárias para dar aparência de legalidade às operações. Empresas de fachada simulavam a compra de nafta petroquímica com destinação industrial, mas o produto era desviado e misturado a combustíveis automotivos em terminais de armazenamento, resultando na adulteração antes da distribuição a postos ligados à organização. Além de gerar lucros elevados na cadeia de combustíveis, o esquema também provocava forte impacto fiscal. Só essa frente teria causado prejuízo de cerca de R\$ 200 milhões em tributos em um período de dois anos, segundo a Receita Federal. Os valores obtidos com a fraude eram posteriormente direcionados a fundos de investimento, estratégia usada para dificultar a identificação dos beneficiários finais. Ao todo, quatro fundos foram identificados como parte do esquema, além de duas administradoras e duas gestoras de recursos. Juntos, esses fundos somam patrimônio estimado em aproximadamente R\$ 205 milhões. Em pouco mais de um ano, o volume cresceu mais de 200%, movimento considerado atípico e que reforça os indícios de lavagem de dinheiro associados à organização criminosa. Investigação mira esquema de lavagem de dinheiro do PCC (Divulgação/ Receita Federal) Mandados de busca e apreensão Conforme a Receita Federal, estão sendo cumpridos 59 mandados de busca e apreensão de pessoas físicas e jurídicas em cinco estados – São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Também participam da ação a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz/SP), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo e as polícias Militar e Civil.