Avô que quase morreu após ter olho arrancado pelo neto teve alta após ficar 13 dias internado na Santa Casa de Santos; neto ainda segue preso numa casa de detenção (Carlos Cruz/ Canal5WebTV e Reprodução) Oswaldi da Silva, avô de 77 anos que ficou com o rosto desfigurado e cego após ter o olho arrancado e sofrer uma tentativa de homicídio do próprio neto, de 18, teve alta da Santa Casa de Santos na segunda-feira (5), depois de ficar 13 dias internado. A informação foi confirmada pelo próprio hospital nesta quarta-feira (14) para A Tribuna. Ainda conforme apurado, o neto está preso numa casa de detenção, de localização não divulgada. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Santa Casa informou que o avô foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital no dia do crime, 24 de julho, onde ficou até 2 de agosto, quando foi transferido para a enfermaria. Na segunda-feira (5), ele teve alta após melhora e, agora, segue em casa se recuperando. O crime O caso aconteceu num apartamento onde os dois moravam no conjunto habitacional conhecido como Jaú, que fica na Rua Frei Francisco Sampaio, na Aparecida, em Santos, na tarde de 24 de julho. A princípio, a Polícia Militar (PM) foi acionada para atender uma ocorrência na qual o neto Hariel Borges da Silva, de 18 anos, teria tentado matar o avô Oswaldi da Silva, de 77, com facadas dentro do imóvel. Segundo o boletim de ocorrência (BO) registrado no 3º Distrito Policial (DP) de Santos, a Polícia Militar (PM) foi chamada por volta das 15h45, com a informação de que havia um homem ensanguentado nas proximidades. No local, os agentes perceberam que Hariel estava “totalmente alterado” e teve de ser contido com um disparo de taser — arma de choque elétrico. Policiais foram ao apartamento e viram manchas de sangue na porta de entrada e a sala revirada. Oswaldi ficou com o rosto desfigurado, teve o olho arrancado e, além disso, tinha cortes nas mãos, o que indicou luta corporal entre ele e Hariel. No dia dos fatos, o neto foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Leste, no Estuário, para avaliação psiquiátrica enquanto o avô foi socorrido e encaminhado para a Santa Casa de Santos. O olho do idoso, um notebook quebrado e bebidas alcoólicas também foram encontrados dentro do apartamento após o crime. Foi relatado à polícia que Hariel vinha apresentando alterações no comportamento duas semanas antes do crime. “Segundo a mãe, nesta noite, ele pediu para dormir com o avô, tanto que fez xixi na cama e à tarde tiveram essa discussão”, disse a delegada Liliane Lopes Doretto, do 3º Distrito Policial (DP) de Santos Maconha, surto e morte da avó Conforme as investigações da Polícia Civil, além do uso frequente da maconha, que teria desencadeado um surto esquizofrênico, Hariel se ressentia do avô “ter seguido a vida” após a morte da esposa no ano passado. “A mãe relatou isso para mim, que, há duas semanas, ele estava totalmente depressivo. As brigas entre ele e o avô começaram a ser mais recorrentes, porque o avô queria seguir com a vida, passou a beber e ir a bares e ele não concordava em memória da avó”, afirmou Liliane Lopes Doretto. Exército e entrevista marcada Na época do crime, A Tribuna entrou em contato com o Exército Militar Brasileiro para apurar a situação do alistamento do jovem, já que, conforme apurado pela reportagem, ele tinha o sonho de entrar para o Exército. Em nota, o Comando Militar do Sudeste (CMSE) informou que Hariel estava alistado e foi encaminhado à etapa de seleção geral, em que os recrutas são escolhidos. Ainda conforme o Exército, o primeiro critério de seleção é a combinação do vigor físico com a capacidade analítica. O segundo é a representação de todas as classes sociais e regiões do país. Além disso, a seleção também considera aspectos culturais, psicológicos e morais. Segundo o CMSE, Hariel ainda deve passar por essa etapa. Porém, o crime de 24 de julho será levado em conta para a definição de sua situação em relação ao serviço militar obrigatório. Segundo a Polícia, no dia 19 de agosto, o jovem iria passar por uma entrevista no Tiro de Guerra 2, em Peruíbe.