O momento que a menina foi devolvida à mãe, acompanhada do advogado Carlos Alberto Romano (Reprodução) A família paterna de um bebê de 10 meses está sendo acusada de cárcere privado, subtração de incapaz, lesão corporal, ameaça, injúria qualificada por capacitismo, entre outros crimes. Moradores de São Vicente, litoral de São Paulo, os três — pai, avó e avô — respondem pelos crimes após a avó paterna ter sido acusada de tirar a criança à força da mãe. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme apurado por A Tribuna, a mãe da menina registrou um boletim de ocorrência sobre o caso e está na Justiça contra os parentes do ex-marido. A mulher relatou que foi diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 2, mas nunca foi civilmente incapaz de exercer as funções maternas. Em um surto emocional isolado, no dia 5 de abril, a mulher teve que ser socorrida e, em seguida, voltou para casa. Durante esse período, o pai da bebê retirou a filha de casa e a levou para a residência de seus pais. Cinco dias depois, a mãe disse à Justiça que, ao tentar conseguir de volta sua filha, foi para a casa dos ex-sogros acompanhada da avó materna e de duas outras testemunhas. Entretanto, foram recebidas com hostilidade e impedidas de entrar na casa. Elas tentaram conversar, mas a mãe alegou ter sido agredida verbalmente e fisicamente pela ex-sogra. De acordo com o documento, a ex-sogra a agrediu com um tapa no rosto e a chamou de “retardada” — referindo-se ao TEA. Em seguida, o tio paterno da bebê a imobilizou no chão com um golpe que a segurava pelo pescoço. Ela descreveu ter gritado que não conseguia respirar, mas foi ignorada. Conforme a denúncia, o caso aconteceu sob o consentimento da advogada da família, Isabelle Gomes. A mãe da bebê relatou que ela não só estava presente no momento, como também não fez nada para cessar a violência. Inclusive, a defensora é acusada de tentar ludibriar a vítima, citando ter ordem judicial de guarda provisória e dizendo que a mulher não poderia levar a filha. A defesa da mãe alegou que não existia ordem judicial alguma naquele momento e acusa a advogada de conivência e autoria intelectual do ocorrido. Estão em andamento, neste momento, um inquérito criminal sobre o caso — investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Vicente — e um processo na Justiça. Justiça determinou busca e apreensão Uma decisão da 3ª Vara Criminal de São Vicente determinou a busca e apreensão domiciliar na casa da ex-sogra da vítima, em São Vicente. O objetivo era encontrar a criança de 10 meses e devolvê-la à mãe, além da apreensão de objetos e documentos necessários à prova da infração criminal. O mandado foi cumprido na quarta-feira (16), ocasião em que a bebê foi encontrada e devolvida à mãe. Nesse mesmo dia, a 1ª Vara da Família e Sucessões de São Vicente indeferiu o pedido de guarda provisória feito pelo pai. O magistrado considerou que as provas apresentadas por ele eram frágeis e insuficientes, mas posteriormente o pedido será julgado novamente. A mãe é defendida pelo advogado Carlos Alberto de Sá Romano, do escritório De Sá Romano Advogados. Enquanto isso, a defesa da família paterna é feita pela advogada Isabelle Gomes. Procurada por A Tribuna, a defensora informou que não poderia se manifestar sobre o caso, pois os autos correm em segredo de Justiça. Entretanto, sobre o que lhe diz respeito, alegou que as acusações não são verdadeiras, o que, segundo ela, será comprovado no momento processual adequado.