[[legacy_image_472]] Coautor do latrocínio (roubo seguido de morte) de um médico em 2013, quando ainda era adolescente, Gabriel da Cruz Miranda, de 21 anos, fugiu da cadeia anexa ao 5º DP de Santos, no sábado (6) à tarde, após render uma carcereira e ameaçar matá-la. Armado com uma faca, cujo ingresso na cadeia ainda é ignorado, Gabriel dominou a carcereira, de 40 anos, no momento em que ela abriu a porta do xadrez 4 para realizar a troca de um colchão. O detento segurou a funcionária por trás e encostou a faca em seu pescoço. Havia mais 12 presos na cadeia, mas todos recuaram, não querendo participar do plano de fuga. De forma isolada, Gabriel exigiu que um investigador abrisse a porta da carceragem para que pudesse escapar. Por aproximadamente meia hora, o investigador tentou negociar a soltura da colega e a rendição de Gabriel, mas o criminoso se mostrou irredutível e disposto a eliminar a funcionária, caso a sua exigência não fosse atendida. O investigador, então, abriu a porta da carceragem, possibilitando a saída de Gabriel, que continuou mantendo a policial como refém com a faca encostada no pescoço dela. Em seguida, o investigador abriu a porta de aço do 5º DP, que estava fechado para o atendimento ao público, e o portão principal da repartição. Com estes dois obstáculos liberados, Gabriel pôde chegar à rua, onde dispensou a faca e soltou a carcereira. O marginal fugiu correndo em direção ao Rádio Clube e o investigador tentou recapturá-lo, mas sem sucesso. O atual paradeiro de Gabriel permanece desconhecido. Em sua ficha criminal consta que ele reside em Cubatão. [[legacy_image_3923]] Debate sobre impunidade A fuga de Gabriel traz à tona o debate sobre temas como maioridade penal e as regras de progressão de regime de pena e de saída temporária, que o ministro Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Pública, pretende endurecer com o seu pacote anticrime. Caso tivesse 18 anos ou mais por ocasião do latrocínio do médico, Gabriel poderia ser penalmente responsabilizado e provavelmente ainda estaria preso, porque o roubo seguido de morte é crime hediondo punível com reclusão de 20 a 30 anos. Porém, por ser menor de idade à época do latrocínio, ficou sujeito a medida socioeducativa de internação de no máximo três anos, conforme previsão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). De volta ao convívio em sociedade, Gabriel praticou novo roubo no dia 18 de junho de 2017, em Santos, quando já era adulto. Ele e um comparsa, mediante o emprego de arma de fogo, roubaram um um veículo Honda Civic. Presa em flagrante, a dupla foi condenada a seis anos e cinco meses de reclusão pela 4ª Vara Criminal de Santos, em 15 de setembro de 2017. Porém, no dia 30 de outubro de 2018, Gabriel progrediu para o regime semiaberto. Recolhido na Penitenciária II de Hortolândia, na região de Campinas, Gabriel obteve outro benefício legal em 21 de dezembro de 2018: saída temporária de Natal e Ano Novo. Como não retornou à unidade prisional na data estabelecida, em 3 de janeiro de 2019, passou a ostentar a condição de foragido. No último dia 2 abril, policiais militares prenderam Gabriel na Vila Esperança, em Cubatão, momentos após ele abandonar um veículo Hyundai Tucson roubado no mesmo município. No automóvel havia uma réplica de revólver, enquanto o criminoso portava um simulacro de pistola. Desde então, Gabriel estava na cadeia do 5º DP de Santos aguardando remoção ao sistema penitenciário, do qual era foragido. Latrocínio [[legacy_image_3924]] O gastroenterologista Marco Antonio Loss, de 47 anos, foi morto na tarde de 30 de novembro de 2013, na Rua Amazonas, no Campo Grande, em Santos, no momento em que saía do estacionamento do Hospital Ana Costa. O médico foi abordado por Gabriel, que tinha 16 anos, e outro adolescente, de 14. O infrator mais novo atirou pelas costas da vítima e a bala atingiu o coração, matando-a. Em seguida, a dupla fugiu com o Honda Fit de Loss. Embora estivesse de folga, o médico foi ao hospital avaliar o caso de um paciente de 12 anos diagnosticado com tumor. Loss era casado e deixou um filho, na época, com 16 anos. Gabriel e o comparsa fugiram com o Fit ao Bolsão 9, em Cubatão, onde policiais militares os detiveram na mesma data. O carro foi recuperado, sendo apreendida a arma do crime: uma pistola argentina Bersa 9 milímetros, calibre de uso restrito.