Acusado de oferecer sexo oral a adolescente foi indiciado após delegada da DDM entender que houve tentativa de estupro de vulnerável (Arquivo Pessoal e Nirley Sena/Arquivo AT) O ativista acusado de assediar sexualmente de um adolescente de 13 anos, num banheiro de um shopping, em Santos, no dia 6 de junho, foi indiciado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da cidade, nesta quarta-feira (13). A delegada da DDM, Déborah Lázaro, entendeu que houve uma tentativa de estupro de vulnerável, por conta de o homem fazer um ‘convite’ para o menor fazer um sexo oral nele. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Por se tratar de um menino de 13 anos, por medo, ele poderia ter cedido a esse convite. Eu entendi que caberia a tentativa (de estupro)”, explica a delegada. Ela também acrescentou que a polícia ouviu as testemunhas, viu as imagens e que todas essas provas corroboram com a versão do adolescente. "Nós temos provas no inquérito e depoimento de um outro rapaz que disse que também foi assediado por ele", explica Débora. O ativista, que agora é indiciado, foi junto com seu advogado até a DDM de Santos para depor. No depoimento, o acusado e sua defesa apresentaram alguns documentos e negaram que houve o crime. Além disso, o homem contou estar sendo ameaçado pela população. O inquérito será finalizado e encaminhado ao Fórum de Santos, que tomará as próximas decisões. A delegada também disse que o chefe de segurança do shopping será ouvido na DDM nesta sexta-feira (14). Caso Um adolescente de 13 anos alega ter sido assediado sexualmente por um conselheiro da causa LGBTQIA+ no banheiro de um shopping do Gonzaga, em Santos, na quinta-feira (6). O suspeito por tentativa de estupro de vulnerável teria perguntado para o menor se poderia fazer sexo oral nele. A mãe do garoto, Talita Santos, contou que o filho falou ‘eita’ na cabine do banheiro ao fechar a porta com força e isso ter causado um barulho muito alto. Nesse momento, o homem apareceu e chamou o menor para conversar. “Ele o imitou, então meu filho falou oxe? Como tivesse perguntado quem é. Foi aí que o homem perguntou se podia fazer um b****** nele”, explica a mãe. Talita também falou que ficou sabendo do abuso depois que o filho saiu do banheiro e falou o que tinha acontecido. Ela chamou os seguranças do shopping e esperou o homem sair. O conselheiro foi levado para a delegacia, onde ele e o adolescente foram ouvidos. Depois, o homem foi solto e liberado. Por conta do ocorrido, a mãe conta que o adolescente demostra desconforto em falar sobre a situação, e por isso, evita conversar sobre o assunto com ele. Assédio Em um vídeo publicado nas redes sociais, a mãe disse que estava com os dois filhos dentro do shopping indo em direção a uma loja fora dele. Ao estarem quase indo embora do estabelecimento comercial, um dos filhos disse que precisava ir ao banheiro. Por isso, eles voltaram e o menino foi acompanhado do irmão, para nenhum deles ir sozinho até lá. Enquanto isso, a mãe ficou esperando no lado de fora. Um dos filhos saiu com cara de assustado e, por isso, a mãe questionou. No primeiro questionamento, o adolescente disse que nada havia acontecido, depois, ao perguntar novamente, o menor contou que um homem teria oferecido fazer sexo oral nele. A mãe ficou desesperada e perguntou se o suspeito ainda estava lá dentro. Nessa hora, um dos filhos foi correndo procurar por ajuda. Ele encontrou a equipe da limpeza, que entrou em contato imediatamente com os seguranças do shopping. Um guarda foi próximo ao banheiro e conversou com a mãe, que relatou o ocorrido. Ambos ficaram em frente a porta do banheiro, esperando o homem sair. Quando ele saiu, o adolescente apontou quem era e a mãe começou a xingar o suspeito. O homem começou a negar que tinha feito alguma coisa. Depois de pressioná-lo, ele confessou que havia falado aquilo, mas que não sabia que o adolescente era menor. Como forma de se explicar, o suspeito contou que aquilo não se passava de uma ‘piada idiota’. Para as pessoas não partirem para cima do suposto abusador, um segurança o segurou e perguntou para a mãe se ela queria chamar a polícia e registrar o boletim de ocorrência (BO). O homem foi levado pelo segurança até uma área do shopping, onde a mãe e o adolescente ficaram aguardando a polícia. Quando os agentes chegaram, levaram o homem até o 7° Distrito Policial (DP), onde foi ouvido e solto. O adolescente também prestou depoimento. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Polícia Civil investiga um homem, de 24 anos, por tentativa de estupro de vulnerável contra um adolescente de 13 anos, na noite de quinta-feira (6), no bairro Gonzaga, em Santos. O caso foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos. O órgão também disse que detalhes serão preservados por envolver menor de idade e por se tratar de crime sexual. ConLGBT Por meio de uma nota divulgada nas redes sociais, o Conselho Municipal de Políticas LGBT+ de Santos (ConLGBT) informou que o conselheiro se desligou do movimento. O ConLGBT se posicionou dizendo que repudia veementemente qualquer forma de comportamento ilícito ou desrespeitoso, seja LGBTQIA+ ou não. O movimento disse que há um compromisso em ajudar as autoridades no que for preciso, para que se realize uma investigação minuciosa e imparcial. Ainda ressaltaram a importância de garantir o processo legal, o direito à ampla defesa e ao contraditório para apuração. Eles também destacaram que é descabido relacionar o suposto comportamento criminoso com a orientação sexual do autor e, muito menos, com toda a comunidade LGBTQIA+. O que diz o acusado Em uma publicação do Instagram, o acusado negou o crime e disse que jamais assediaria ou tocaria num menor de idade. “Eu entendo toda a revolta que essa situação gera, porque eu sinceramente tenho nojo de quem atenta ou assedia, principalmente crianças”, disse o conselheiro nas redes sociais. Ele alega que não chegou perto do adolescente de 13 anos e nem tocou nele. Nas redes sociais, ele relatou a sua versão do caso: “Fui até o shopping para usar o banheiro, depois de um revertério pela mistura de substâncias no meu organismo, que eu estava usando há dois dias seguidos por motivos de desequilíbrio particular, que estou tentando lidar e irei tratar!”, explica o homem. O acusado ressaltou que não citou seu problema químico para justificar o que aconteceu. "Porém, a piadinha desnecessária que fiz, foi depois de ouvir um barulho de batida forte de porta, jamais teria feito em situações comuns”. Em sua defesa, o homem afirmou que tudo não se passou de uma ‘piada idiota’ que não deveria ser feita, principalmente com criança ou desconhecido. Por conta do ocorrido, o acusado relatou que ele e sua família estão recebendo ameaças. “Peço que parem de ameaçar minha família e minha integridade física na tentativa de fazer justiça. Já me afastaram do trabalho e de todos os movimentos que eu participava". Por fim, ele pediu desculpas ‘sinceras’ à família por toda situação causada. A Reportagem tentou entrar em contato com o acusado, mas ele não foi localizado.