[[legacy_image_254378]] Um desentendimento sem motivação aparente custou a vida de Matheus Santiago Santana, de 18 anos, atacado e morto após levar um golpe fatal com um caco de vidro, ao lado do coração, na tarde deste sábado (18), na Praia do Boqueirão, em Santos. O autor do homicídio, José Espedito de Souza, o ‘Bigode’, de 58 anos, que vivia em situação de rua, preso em flagrante por guardas municipais, era conhecido pelos comerciantes da área pelas confusões que causava, quando estaria sob efeito de drogas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A violência do episódio, ocorrido pouco antes das 13 horas, com a praia lotada, em um local com várias tendas, carrinhos e redes de futevôlei e beach tennis, chocou os frequentadores e as pessoas que trabalhavam no sábado ensolarado e quente de verão. A Tribuna conversou com vários comerciantes ambulantes da área, próxima ao Canal 3, mas ninguém quis se identificar ou confirmar se sabia o motivo do homicídio. “Ninguém sabe contar como é que começou o entrevero entre os dois. Parece que houve um desentendimento (do José Espedito) com o Matheus. Apartaram e o seu Expedito foi embora. Vinte minutos depois ele voltou do nada, surpreendeu todo mundo e com uma garrafa quebrada desferiu um golpe abaixo do mamilo, do lado do coração (de Matheus). Foi um golpe fatal, um corte pequeno, mas que adentrou o coração e ele veio a óbito na hora”, contou o delegado João Octávio Mello. Algumas pessoas ouvidas pelo delegado disseram que Matheus estaria trabalhando em um carrinho de praia, versão também ouvida pela Reportagem no local, mas não confirmada por nenhum dos comerciantes nessa faixa de areia da praia. Bigode era amistoso, problema é quando usava drogas Bigode era conhecido por muita gente na área. Apontado como pessoa em situação de rua, ele seria amistoso e até ajudava alguns comerciantes e desmontar suas tendas para ganhar algum dinheiro. O dono de uma dessas tendas, que preferiu não se identificar, disse que o problema era quando Bigode usava álcool, crack e outras drogas, segundo ele. Certa vez, alterado, Bigode teria provocado confusão e xingado frequentadores da tenda, sendo expulso do local pelo dono. Mais tarde, ele teria voltado ao local e partiu para cima do proprietário com uma garrafa. “Eu me defendi com o braço e a garrafa quebrou, cortando o meu cotovelo. Mas a intenção dele era acertar o meu pescoço”, lembrou. Outro comerciante contou que Bigode teria sido preso duas ou três vezes por confusões na praia, mas segundo o delegado, ele não tem passagens pela polícia. “Como ele não tinha documento, a gente tem uma ferramenta que faz a coleta das digitais. Mandamos para São Paulo e voltou a qualificação dele, não constando antecedentes criminais. Só se ele foi detido para algum tipo de averiguação”, disse João Octávio Mello. Preso em flagrante, José Espedito de Souza foi autuado por “homicídio na forma qualificada, por motivo fútil, que pode refletir numa pena que varia de 12 a 30 anos”, de acordo com o delegado. No 7º Distrito Policial, no Gonzaga, Bigode ficou calado quando questionado sobre a motivação do crime. “Ele estava consciente, mas ficou em silêncio. Eu acho até que ele não estava entendendo o que estava acontecendo, nem acreditou que aconteceu isso (o homicídio)”, comentou o delegado. No início da noite de sábado, Bigode foi transferido para a cadeia anexa ao 5º Distrito Policial de Santos, na Zona Noroeste. Consternados, familiares de Matheus Santiago Santana estavam no 7º DP de Santos, mas não quiseram falar com a Reportagem.