[[legacy_image_265494]] "Meu coração tá arrasado. Não tenho palavras". Foi com esse desabafo que o irmão do comerciante Osil Vicente Guedes, morto aos 49 anos por espancamento em Guarujá, litoral de São Paulo, resumiu o fato. Ele, que tem 61 anos e pediu para não ser identificado, acompanhou velório e sepultamento do irmão, nesta terça (9). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O irmão conta que conversou com Osil poucas horas antes do crime, na última quarta (3), e lembra que o comerciante estava "arrasado e transtornado", devido a problemas de depressão. Também tomou conhecimento, um dia antes de Osil ser linchado, que o comerciante vinha sofrendo ameaças de agressões, as quais foram relatadas em áudios para familiares. "A família quer a justiça, quer que investiguem pra saber a verdade. E que seja punido quem fez isso. Queremos esclarecimentos, e que os culpados sejam punidos. Queremos a justiça", enfatizou o homem. "Relacionamento conturbado"O irmão reforçou ainda que Osil viveu um relacionamento complicado com uma psicóloga, a qual antes tinha sido procurada por ele para tratar de uma depressão. Segundo ele, o tratamento durou seis meses, e depois eles acabaram iniciando um relacionamento. Nos áudios de Osil, obtidos por A Tribuna, ele afirma que a ex-companheira tinha contratado criminosos para espanca-lo. "Ele era paciente dela. Eles estavam juntos há mais ou menos um ano e meio. Era um relacionamento conturbado. Muita discussão, briga. Foram morar juntos, separaram, e tavam todo dia lá. Dormiam na casa dela, dormiam na casa dele, brigas e mais brigas", descreveu Vídeo e fake newsO espancamento de Osil ocorreu entre a Avenida Oswaldo Cruz e a Rua Tambaú, no distrito de Vicente de Carvalho, e foi filmado por um homem que passava de carro. Na gravação, ele afirma que o comerciante havia roubado a moto que conduzia, e por isso estaria sendo espancado. O irmão desmente a versão de que o crime teria sido provocado por uma informação falsa. "Isso não é verdade (sobre ele ser confundido com ladrão). Ele era uma pessoa honesta, trabalhadora, direita. Inventaram desculpa pra poder bater nele. Isso é desculpa", pontuou. A moto que Osil usava no dia foi emprestada por um amigo. A Tribuna apurou que o veículo foi entregue após a moto do comerciante ser danificada por criminosos um dia antes do espancamento. Na data em questão, dia 2 de maio, terça-feira, Osil já teria sido agredido. Ele deu entrada na UPA Vicente de Carvalho, mas não prosseguiu com o atendimento, conforme informado pela Prefeitura.