[[legacy_image_280957]] Constantemente apreendidas com traficantes pela Baixada Santista, as drogas sintéticas do tipo K têm gerado preocupação para especialistas por conta dos diferentes efeitos colaterais provocados nos usuários. Elas são produzidas em laboratório e podem ter composições variadas. Neste mês, pelo menos duas apreensões de drogas sintéticas chamaram atenção na região. Na terça (11), o MC Marcelo da Silva Ferreira, de 32 anos, foi detido em São Vicente com porções da droga K2, além de maconha, cocaína e crack, que estavam em uma mochila. Antes disso, na sexta (7), a Polícia Civil de Mongaguá encontrou porções de K2 em um imóvel no bairro Birigui. Elas estavam acompanhadas de outras drogas, como haxixe, cocaína, crack e maconha. O diretor da Sociedade Brasileira de Toxicologia (SBTox), Rafael Lanaro, alerta que os canabinoides sintéticos, como K2, K4 e K9, podem ter uma potência de ligação de 100 a 200 vezes maior do que o princípio ativo da maconha. "Os canabinoides sintéticos atuam no mesmo receptor que o princípio ativo da maconha. No entanto, a potência de ligação com esse receptor pode ser de 100 a 200 vezes maior que o THC (Tetrahidrocanabinol), provocando efeitos muito mais intensos e potentes. A quantidade de efeitos vai ser muito maior", explica. Sintomas Os usuários de drogas sintéticas podem apresentar alterações cardíacas severas, além de quadros de convulsão, que podem levar a morte. Lanaro cita que o quadro clínico é semelhante ao uso de anfetamina. A gente observa o aumento da pressão arterial e frequência cardíaca, tendo um risco de ter um infarto agudo do miocárdio e um Acidente Vascular Cerebral (AVC). " "Esses pacientes desenvolvem um caso de insuficiência renal aguda, muitas vezes culminando em complicações clínicas, levando até a morte. O paciente chega num quadro convulsivo, com insuficiência respiratória, aumento da pressão arterial e frequência cardíaca, podendo evoluir para um quadro de hepatite tóxica", comenta. As consequências podem ser variadas, conforme o efeito provocado por cada droga sintética, podendo ir de alucinações a estímulos ou depressões do Sistema Nervoso Central (SNC). Composição Por serem produzidas em laboratório, as drogas sintéticas podem ter composição variada, o que dificulta entender os efeitos que cada uma tende a provocar. O diretor da SBTox ressalta que essas drogas tendem a ser produzidas de forma simples, em laboratórios montados na própria casa dos criminosos, sem depender do cultivo de substâncias. "O grande problema das drogas sintéticas é que, em muitas dessas novas moléculas, nós toxicologistas não sabemos quais são os efeitos tóxicos e psicoativos, a curto e longo prazo, dessas substâncias. A gente acaba descobrindo com os relatos dos pacientes, quando a gente atende eles em âmbito hospitalar. É uma nova molécula, e pouco se sabe a respeito do potencial tóxico", pontua Lanaro.