[[legacy_image_289052]] Na noite do dia 24 de julho de 2022, Carlos Eduardo Neves Peres de Jesus, na época com 18 anos, acompanhava a namorada até a casa dela, de bicicleta. Ao chegar no cruzamento das avenidas Rodrigues Alves e Senador Dantas, no Macuco, ele foi atropelado por um carro em alta velocidade. Teve costelas fraturadas, uma fissura no pé, luxação no tornozelo e escoriações pelo corpo. O condutor do veículo fugiu do local sem prestar socorro. Um ano depois, a família de Carlos continua em busca do responsável. “Me sinto indignado com o trabalho da polícia (Civil), eles poderiam ter feito muito mais em vez de deixar o caso cair no esquecimento”, protesta a vítima. O jovem conta que, embora consiga levar uma vida normal, ainda sente sequelas do acidente. “Até hoje sinto algumas dores, e meu pé direito fica inchado de vez em quando”. Após o acidente, o padrasto de Carlos Eduardo, o mecânico Nelwton Ocanha, foi em busca de imagens de câmeras de monitoramento próximas no intuito de identificar a placa do carro e, consequentemente, o motorista. Em algumas imagens divulgadas por Ocanha, é possível ver o carro, que aparenta ser um Hyundai HB20, em alta velocidade, mas não é possível visualizar a placa. Entretanto, em contato com um agente da Guarda Civil Municipal, o padrasto soube que as câmeras de monitoramento municipais tinham imagens do carro e que, através dessas imagens, era possível ver a placa do veículo de forma nítida. A família não teve acesso a essas gravações, que foram encaminhadas diretamente à autoridade policial. Desde então, a família de Carlos, acompanhada do advogado Célio Farias, passou a visitar frequentemente a sede do 3º Distrito Policial (DP) de Santos - onde o caso foi registrado- para buscar informações e acompanhar o andamento do caso. Contudo, esse acompanhamento mostrou-se ser mais difícil de ser feito do que o previsto. “Na tentativa de acompanhar e conseguir informações sobre a investigação, nós não obtivemos sucesso por razões como ausência do responsável; seja por estar em diligência ou outros motivos que não nos foram informados”, afirma Farias. Devido a essa dificuldade, a defesa da família da vítima formalizou o pedido de informações por e-mail, que não teve resposta. Na última tentativa de visita ao 3º DP, o advogado foi surpreendido ao descobrir que o caso havia sido arquivado no último dia 4 de maio, visto que a autoria do crime era desconhecida. O arquivamento do caso deixou a família revoltada, pois, se a placa foi identificada e constava no inquérito da Polícia, teoricamente não seria difícil encontrar o dono do carro, no entendimento deles. Veículo seria de locadoraÀ reportagem, Ocanha conta que a Polícia disse a ele que o veículo pertenceria à locadora de carros Localiza, sediada em Belo Horizonte, Minas Gerais. Segundo Ocanha, as autoridades revelaram que teriam enviado um ofício à locadora. Foram solicitadas informações sobre a locação do carro, bem como um laudo, visto que havia sido identificado dano no veículo. A busca, de acordo com ele, não avançou. “(A busca) Não saiu disso. Enrolaram até agora para dizer que o inquérito foi encerrado sem conseguir identificar o autor”, protesta. Procurada, a Localiza afirmou que colabora com as autoridades sempre que necessário ou quando questionada sobre situações envolvendo sua frota, e que compartilha com a autoridade policial ou judicial as informações que lhe são solicitadas. SSPA Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) informou, em nota, que as imagens coletadas deram margem à produção de dois laudos periciais. Segundo a secretaria, os peritos analisaram exaustivamente as imagens, contudo, elas não eram aptas para individualizar a placa do automóvel causador do acidente. Também não foram identificadas testemunhas do evento ou que trouxessem informações a respeito da placa. A secretaria esclareceu que o 3º DP de Santos segue investigando o caso em busca de novos elementos para auxiliar na elucidação dos fatos. Próximos passosA defesa da família de Carlos Eduardo comunicou que seguirá com o trabalho jurídico através das medidas judiciais para que tenham acesso ao conteúdo da investigação, na tentativa de localizar o autor do acidente. “(Seguiremos o trabalho) para que esta pessoa não fique impune e seja responsabilizada pelos danos físicos, materiais e emocionais sofridos pela vítima, que poderia ter morrido por conta de atos irresponsáveis no trânsito”.