[[legacy_image_285817]] Pelo menos dez das 16 pessoas mortas em confronto com a Polícia Militar (PM) no litoral de São Paulo durante a Operação Escudo possuíam antecedentes criminais. A afirmação é da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-SP), que recebeu um ofício da Defensoria Pública Estadual pedindo a interrupção imediata das ações na Baixada Santista. A pasta informou, em nota, que 12 mortes ocorreram em Guarujá e outras quatro em Santos até a tarde desta quarta-feira (2). Segundo a secretaria, ao menos dez tinham passagens por roubo, receptação, tráfico de drogas e outros crimes. "Por determinação da SSP, todos os casos são investigados pela DEIC de Santos e pela PM por meio de IPM. As imagens das câmeras corporais serão anexadas aos inquéritos em curso e estão disponíveis para consulta irrestrita pelo Ministério Público, Poder Judiciário e a Corregedoria da PM", afirma a secretaria. Operação Escudo no litoral de São Paulo As ações começaram em 28 de julho, um dia após o assassinato do soldado Patrick Bastos Reis, da Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota). Acompanhado de outros agentes, ele fazia patrulhamento na comunidade Vila Zilda, em Guarujá. Outro PM foi baleado na mão e sobreviveu. O Governo Estadual afirma que, até terça-feira (1º), foram 62 pessoas detidas, sendo 20 procurados pela Justiça, além de 18 armas apreendidas e 385 kg de drogas recolhidos. Denúncias No decorrer da operação, a Ouvidoria das Polícias de São Paulo recebeu denúncias de moradores de Guarujá sobre execuções e torturas que teriam sido cometidos pelos policiais nas comunidades. Um dos casos investigados é o de Filipe do Nascimento, de 22 anos, morto na última segunda-feira (31), no bairro Morrinhos 4. Ele trabalhava em uma barraca de venda de comida na Praia das Astúrias. O dono da barraca, Douglas Brito, disse para A Tribuna que Filipe teria saído de casa para comprar macarrão para os filhos. Brito afirmou ainda que o morador do Morrinhos 4 tinha passagem pela polícia, mas que trabalhava há cerca de três anos para ele como vendedor. Manifestações Nesta quarta (2), uma manifestação na Praça 14 Bis, no distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, reuniu cerca de 150 moradores que pediram o fim das mortes nas comunidades. Em razão das denúncias, a Defensoria Pública de São Paulo enviou um ofício à SSP e ao Ministério Público Estadual (MPSP), pedindo que a Operação Escudo seja imediatamente interrompida. Outra possibilidade levantada pelo órgão é que, "caso haja alguma excepcionalidade que a justifique, que seja devidamente apresentada por escrito, ao Ministério Público, inclusive com a identificação dos responsáveis pelo comando da operação". O MPSP informou que o procurador-geral de Justiça, Mario Sarrubbo, destacou um dos promotores para atuar exclusivamente nas investigações sobre a Operação Escudo. O órgão apura se houve violação dos Direitos Humanos.