O ferimento da jovem e as ameaças contra o adolescente envolvido no caso (Reprodução) Depois da repercussão do caso, a mãe do adolescente de 16 anos que agrediu uma colega de classe, uma menina de 15 anos, teme pela vida do filho e conta que precisou tirar o jovem às pressas de casa. O episódio aconteceu na terça-feira (1º) dentro de uma sala de aula em Itanhaém, no litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A agressão na Escola Estadual Professora Silvia Jorge Pollastrini teria acontecido por conta de um ventilador, que o adolescente queria mudar de posição e a aluna teria reclamado. Os dois, então, teriam discutido e as agressões começado. Há contradições entre as duas versões da história. A estudante afirmou à Polícia Civil que foi até a mesa do agressor para questioná-lo sobre os xingamentos que estaria fazendo. Porém, o adolescente afirmou que perdeu o controle após a menina dar tapas em seu rosto. Em entrevista para A Tribuna, a mãe do adolescente, uma mulher de 34 anos, contou que, desde que o caso se tornou público, o jovem tem sido alvo de ataques, perseguições e ameaças de morte nas redes sociais e em sua casa. Segundo ela, a exposição do caso pela família da garota que foi agredida gerou uma onda de represálias que colocou a segurança do filho em risco. “Não estou acobertando o erro, mas, sim, protegendo a vida do meu filho. Porque, devido à postagem do pai, tudo circulou pela cidade inteira, passou em rádios. Foi um horror, com imagens da minha casa e fotos do meu filho circulando por toda a internet”, relata a mãe. Longe de casa De acordo com ela, a situação se agravou a ponto de ser necessário manter o adolescente em um local seguro, longe de casa. Tudo isso se intensificou, segundo a mulher, após o pai da menina divulgar a foto do menor de idade nas redes sociais contando sua versão do ocorrido e diversos comentários impulsionarem o ódio contra o estudante. A mãe relatou ainda que pessoas chegaram a se reunir em frente à sua residência vários dias. A movimentação teria cessado apenas nesta quinta-feira (4). Um dos pontos que mais preocupam a mãe é a possibilidade de o filho sofrer um ataque físico ou emocional devido à repercussão do ocorrido. Mesmo assim, a mãe ressaltou que deseja que o filho responda legalmente pelos seus atos, mas afirmou que teme que a condenação social tenha consequências irreversíveis. “Hoje, fui à escola novamente. O professor falou que eu teria que mudar meu filho de escola, para que ele possa estudar. Eu respondi: ‘Professor, me responda uma pergunta: qual escola que eu posso colocar meu filho hoje em que ele vá e não seja agredido? Que vai sair de casa e não façam algo com ele?” Em imagens enviadas pela mãe à reportagem de A Tribuna, é possível ver jovens jogando uma telha no portão de sua casa às 2h37. Outro registro mostra um grupo de menores de idade na rua perguntando pelo estudante, questionando onde está o adolescente e cobrando providências sobre o caso. Descoberta do caso A mãe relembrou que conversou com o pai da menina e passou seu telefone para que continuassem a conversar sobre o caso. “O pai (da menina) me mostrou uma foto no celular de sua filha machucada e falou: ‘Olha o que o seu filho fez’. Naquele momento, como mulher, me senti muito mal”, relata. “Não estou falando que meu filho é inocente. Ele tem mais força por ser homem. Eu, como mulher, jamais aceitaria uma violência dessa, mas também não aceito violência de uma mulher contra um homem. Ele acabou machucando a menina, e ela foi até a UPA para fazer atendimento”, diz. No entanto, a mãe destacou que a agressão verbal começou antes, e ninguém da escola interveio. Ela reforçou que a direção só agiu diante do caso depois que o filho machucou a aluna. A responsável também negou que o namorado da adolescente tenha sido agredido pelo seu padrasto. Segundo ela, o idoso tentou apartar a situação e retirar a avó do jovem de perto dos menores que estavam causando tumulto em frente à sua casa. “Não estou acobertando meu filho, dizendo que ele é vítima ou inocente. Os dois lados errados”.