Aluno ficou com o olho inchado após levar um soco no rosto durante uma desentendimento na aula de educação física da UME Avelino da Paz Vieira (Arquivo Pessoal e Reprodução/Facebook) Um aluno de 13 anos foi agredido com um soco no rosto por um colega, também de 13, durante um desentendimento na aula de Educação Física na Unidade Municipal de Educação (UME) Avelino da Paz Vieira, em Santos. A vítima e sua mãe compareceram à delegacia e registraram um boletim de ocorrência. Devido à violência, o menino ficou com uma inflamação no olho esquerdo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso ocorreu na escola localizada na Rua Sete de Setembro, na Vila Nova, na tarde de 27 de março deste ano. A mãe relatou que chegou à escola às 17h para buscar o filho na saída. Ela relembra que encontrou o garoto com a mão no olho, atrás do inspetor e ao lado da diretora e do professor de Educação Física, explicando à diretora o que havia acontecido. A mãe questionou o ocorrido, e a diretora levou todos à sua sala. “Lá, o professor relatou que, quando viu, meu filho já estava no chão, machucado. No tempo em que socorria ele, o menino que o agrediu aproveitou o portão aberto, por conta da saída dos alunos, e saiu correndo”, disse a mãe. A mãe também ouviu a versão do filho: “Meu filho relatou que estava jogando bola e levou um drible do colega, caindo e ralando o joelho. Quando se levantou, foi perguntar por que o menino havia derrubado ele. Nesse momento, o agressor deu um soco no olho dele, fazendo com que caísse novamente e começasse a ver tudo escuro. Foi quando o professor veio socorrê-lo”. Na sala da diretora, a mãe foi orientada a levar o filho ao hospital, já que ele estava machucado. Ela contestou, dizendo que essa era uma responsabilidade da escola e do professor, já que o filho estava sob os cuidados da instituição. Acrescentou ainda que, naquele dia, precisava buscar os outros dois filhos, que estudam em escolas próximas. A criança agredida ficou com a diretora e, 15 minutos depois, quando a mãe retornou, o pai do adolescente havia ido até a escola e a diretora havia liberado o filho. A mãe encontrou o menino em uma cantina do outro lado da rua, colocando gelo no olho. Ela questionou o pai sobre a diretora não ter entregue um encaminhamento para o hospital. Retornando à escola, a mãe disse que a diretora entregou apenas um breve relatório relatando o ocorrido. A Guarda Civil Municipal (GCM) também foi chamada à escola. Após reencontrar o filho, a mãe o levou à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde foi feito um exame de raio X e foi aplicada a medicação. Como ele ainda sentia muita dor, foi encaminhado à Santa Casa de Santos, onde a mãe deixou seu telefone com a recepção e aguardou a liberação da vaga, que saiu no dia seguinte. Eles retornaram para casa às 22h. A mãe solicitou os medicamentos pelo aplicativo da farmácia, conforme receita médica. Na manhã seguinte, ao ligar para a UPA, foi informada de que a vaga no oftalmologista da Santa Casa havia sido liberada. Eles chegaram ao hospital às 10h da manhã. Foram realizados exames que constataram uma inflamação no olho esquerdo. O menino teve retorno marcado para o dia 4 de abril. Após sair da Santa Casa, a mãe registrou o boletim de ocorrência na Delegacia da Infância e Juventude (Diju). Após relatar o caso à diretora, ela contou que a gestora escolar comprou os medicamentos. A mãe foi orientada a levar o filho ao Instituto Médico Legal (IML) no dia seguinte, para realização de exame de corpo de delito. Depois, ela retornou à escola para questionar a diretora: “Chegando lá, perguntei se ela havia comunicado os pais do menino. Ela respondeu que sim, que os pais se prontificaram a pagar os remédios e demais gastos — o que não estou vendo até o momento — e que, por enquanto, não era o momento para reunir todos para conversar”. Segundo a mãe, a diretora informou que o aluno que agrediu o garoto ficou dois dias em casa “refletindo sobre o que fez”. Por outro lado, conforme relatado, ela se recusou a fornecer os nomes dos pais do estudante responsável pela agressão. Recuperação A mãe relatou que o filho permaneceu cerca de 15 dias em casa e sem ir à escola, pois o antibiótico prescrito precisava ser aplicado na vista a cada quatro horas, algo que a unidade de ensino não teria condições de fazer. Segundo ela, apenas após esse período a diretora marcou uma reunião com a mãe do agressor. “Nada adiantou, porque, de lá para cá, sou eu quem está arcando com todas as despesas de consultas e exames”, afirmou. Boletim de Ocorrência A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência do caso. No documento, consta que o adolescente, acompanhado da mãe, compareceu à delegacia e relatou que, durante a aula de Educação Física, jogava futebol de salão na quadra da escola ao lado quando, após um desentendimento decorrente de uma jogada, foi empurrado pelo colega. O adolescente caiu no chão e, ao se levantar e ir atrás do colega para tirar satisfação, levou um soco no olho esquerdo, caindo novamente e quase perdendo a consciência. O professor de Educação Física prestou socorro imediato e levou o aluno à diretoria. Enquanto isso, o agressor fugiu correndo. O caso foi registrado como ato infracional de lesão corporal na Diju de Santos. Prefeitura A Secretaria de Educação (Seduc) informou que, segundo a equipe gestora da unidade, todos os encaminhamentos necessários foram tomados após o ocorrido com os alunos, incluindo o encaminhamento para a unidade municipal de saúde. A pasta acrescentou que as famílias foram atendidas e foi realizada reunião com membros da equipe gestora e estudantes de Psicologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que atuam na unidade de ensino. Além disso, também houve atuação do Programa Municipal de Justiça Restaurativa, que reuniu os alunos para a resolução do conflito, com a autorização das famílias. Em breve, também será realizado círculo restaurativo com as famílias dos dois jovens envolvidos. A Seduc destacou ainda que a escola realizou intervenção nos dias após o ocorrido com todos os alunos, promovendo discussões sobre bullying, violência e empatia. "Vale destacar que a unidade também leva especialistas ao local para tratar do assunto com os estudantes, além do trabalho que é realizado pelos psicólogos educacionais da Seduc", finalizou a nota. A reportagem de A Tribuna também tentou localizar os responsáveis pelo suposto agressor, mas não obteve sucesso.