Menino de 9 anos que sofreu bullyng e foi agredido dentro da escola ficou com machucados e joelho roxo (Arquivo Pessoal) Uma mãe registrou um boletim de ocorrência (BO) alegando que o filho de 9 anos está sofrendo bullyng e agressões de alunos dentro da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Antônio Pacífico, no Jóquei Clube, em São Vicente, litoral de São Paulo. Na quadra da mesma unidade, já houve o caso de uma professora ser agredida pela mãe de um ex-aluno (leia mais abaixo). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A comerciante e mãe do menino, Suellen da Silva Vitoriano, de 37 anos, disse que a criança está no segundo ano e tem sofrido violência. "O meu filho vem sofrendo bullying desde janeiro e também algumas agressões. Ele foi trocado de sala para tentar resolver o problema. E até amenizou. Na sexta-feira (11), porém, foi extremo. Um colega foi para cima dele, e o feriu. O pescoço dele estava machucado e o joelho roxo”, relatou. Ela relatou que ligou para a escola em casa, após ver as marcas no filho, já que é uma outra filha dela quem busca o menino na escola. “Perguntei o que havia acontecido, e me relataram que foi só um desentendimento entre 'amigos' e foi um ‘arranhãozinho’ de nada. Foi o que foi passado para mim”, afirmou. Com essa resposta, a mãe disse que ficou indignada. "Eu falei para eles que não ia admitir que isso acontecesse mais, porque o meu filho já vem reclamando que ele toma rasteira, voadora, que o amigo empurra ele na fila da merenda e assim vai”, relatou. Denúncia Além do boletim de ocorrência, Suellen disse que foi no Conselho Tutelar nesta segunda-feira (14) para poder denunciar a escola, e que irá nesta terça (15) na diretoria de ensino. “Não dá para ficar impune com isso que está acontecendo. A escola tem que se responsabilizar pelas crianças que estão lá. Eu não confio em deixar meu filho na escola mais. Quero que eles tomem uma providência. Porque o que está acontecendo não dá para permanecer. Hoje foi só um arranhãozinho, como eles disseram, no pescoço. Amanhã vai ser o quê? Vão jogar meu filho na escada? Vão fazer o quê com ele? Então eu não consigo confiar na escola”, critica Suellen. A mãe contou ainda que pretende denunciar o caso para que outras mães fiquem em alerta do que vem acontecendo com seus filhos na unidade. “Essa escola está deixando a desejar, já não é de agora. E eu cheguei no meu limite, estava tentando entender eles o tempo inteiro, pois falavam que iriam abrir uma ocorrência para verificar o que estava acontecendo, só que não fizeram nada. Se voltou a acontecer, é porque nada foi feito", desabafou a mãe. O que diz o BO No documento obtido por A Tribuna, consta que a mãe informou que o filho (vítima) começou a reclamar que estava recebendo xingamentos e agressões na sala de aula. Segundo o BO, ela foi até a (EMEI) Antônio Pacífico para conversar com a diretora, onde foi recebida pela coordenadora, que informou que iriam abrir uma ocorrência interna para verificação do ocorrido. Após uns dias, o filho foi trocado de classe e isso fez com que o bullyng cessasse. Porém, em agosto, o filho relatou para a mãe que os xingamentos começaram novamente. Segundo o BO, eles xingavam e humilhavam a criança frequentemente dentro da escola. Além disso, os três responsáveis pelo bullying o agrediam com chutes, empurrões, borrachadas e mochiladas no rosto. Diante disso, a mãe foi até a escola para reclamar com a coordenação e a professora, que prometeu conversar com os alunos envolvidos nas agressões. A Prefeitura de São Vicente informou que, até o momento, a Secretaria de Educação (Seduc) não foi acionada para nenhuma ocorrência envolvendo o assunto. Mas, a Administração Municipal acrescentou que nesta terça-feira (15) a gestão da Seduc entrará em contato com a unidade escolar para apurar os fatos, e, diante disso, tomará as devidas providências. A Prefeitura salienta que "repudia todo e qualquer tipo de violência, prezando, acima de tudo, pelo respeito entre todas as partes. O aluno vítima dos casos mencionados receberá o devido acompanhamento e suporte psicológico". Por fim, a Administração Municipal assegura o compromisso de combater o bullying nas escolas, por meio de palestras de conscientização e rodas de conversa. Professora agredida A mãe de um ex-aluno da EMEI Antônio Pacífico, a mesma escola em São Vicente, agrediu violentamente uma professora na tarde do dia 30 de setembro. Houve relatos, inclusive, de ela ter vandalizado veículos próximos ao local da violência. As informações foram confirmadas pela Prefeitura. Imagens obtidas por A Tribuna mostraram o momento exato da agressão. O soco teria acontecido entre a Rua Anadir Dias de Carvalho e Avenida Salgado Filho, no Bairro Jóquei Clube, no entorno da unidade. O registro mostra uma mulher de camiseta listrada preta e branca. Ela chega em frente à professora, que está usando uma roupa em tom vermelho, e lhe desfere um soco violentamente. A Prefeitura de São Vicente informou, na época, que o Centro de Controle Operacional (CCO) recebeu a denúncia, na qual uma professora havia sido agredida. Por conta disso, a Administração Municipal contou que a ocorrência foi relatada imediatamente a uma equipe da Guarda Civil Municipal (GCM) que estava patrulhamento. Eles compareceram ao local e constataram também que veículos haviam sido vandalizados e outras agressões também haviam sido praticadas. A Secretaria de Educação de São Vicente (Seduc) disse que está apurando os fatos e prestando todo apoio à professora agredida. Segundo a Administração, o que foi apurado é que a responsável é mãe de um ex-aluno da professora agredida. Já tinha ameaçado A mãe de um aluno da mesma escola e que preferiu não se identificar contou que o filho da agressora foi transferido de lá no dia 25 de setembro. Além disso, ela relatou que a mãe do ex-aluno já tinha ameaçado a docente. “A mãe começou com picuinha com a professora. Aí chegou uma hora em que as diretoras fizeram uma reunião e tentaram resolver o que aconteceu. A criança ia para a escola, ela (mãe) a deixava na porta da escola e as funcionárias colocavam a criança para dentro, para que ela (mãe) não entrasse na escola, pois ela queria agredir a professora, e ameaçava sempre”, contou. O caso, na época, foi encaminhado ao 2º Distrito Policial (DP) de São Vicente.