[[legacy_image_232968]] O homembaleado por policiais na tarde desta segunda-feira (26), em Santos, foi morto inocentemente. Isso é o que garante o advogado da família, Hemilton Carlos Costa, que também é tio da vítima. Segundo ele, Luiz Felipe Maia de Souza tinha saído de casa em uma moto para buscar marmitex. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) alega que o homem estava armado e não obedeceu ordem de parada dos PMs, colidindo com uma das motos da equipe. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em entrevista para A Tribuna, o advogado contesta a versão policial, dizendo que Luiz, de 21 anos, foi vítima de execução sumária (quando a pessoa é acusada de um crime e morta sem julgamento completo e justo), por isso, a família está tomando as providências para uma denúncia junto ao Ministério Público - que está em recesso por conta das festas de fim de ano. “Testemunhas presenciaram os fatos. O garoto caiu na lombada e o policial já chegou e atirou no peito”, afirma, dizendo que o sobrinho foi alvo de diversos disparos, sendo ao menos três na cabeça. Hemilton reconhece que o jovem estava sem capacete, mas garante que ele não estava armado e sequer tinha antecedente criminal. “Era trabalhador. Não é porque mora no morro que é bandido”, diz sobre o motoboy, que tinha ido buscar marmitex para a esposa e o filho de 2 anos. De acordo com o advogado, Luiz estava sozinho, diferente do relatado pelas autoridades policiais. Elas afirmam que o motociclista estava com um homem na garupa, que se entregou e foi preso. “Pegaram uma pessoa (em situação) de rua e levaram como se estivesse na garupa. Inventaram um monte de coisa”, relata Hemilton. Ainda segundo o tio do jovem e defensor da família, enquanto o laudo do Instituto Médico Legal (IML) consta um único tiro, Luiz foi alvo de diversos disparos. “Eu presenciei. Só na cabeça tinham três tiros e agora no laudo saiu um tiro só. Quando questionei o médico (do IML), ele não sabia o que falar”. [[legacy_image_232964]] Hemilton diz, inclusive, que o sobrinho foi encaminhado para a Santa Casa de Santos enquanto já estava sem vida. “Ele morreu no local. Tiraram o corpo para não dar perícia, mas estava morto”, afirma, citando as imagens feitas por moradores que mostram o corpo e diversas viaturas policiais na rua. “Dá para ver que ele está morto no chão. E eles (policiais) dizem que socorreram”. O advogado explica que a família está indignada e irá lutar pela memória de Luiz. “Vamos acompanhar até o fim para que isso seja esclarecido e a justiça seja feita. Matar bandido eu não me importo, mas matar um garoto inocente, trabalhador, pai de família, só por que mora no morro?”, questiona. RespostasApós as alegações da família, A Reportagem procurou a Secretaria de Segurança Pública (SSP), que não mudou a versão noticiada por A Tribuna nesta segunda-feira (26). “Um rapaz de 21 anos foi morto em troca de tiros com Pms, às 13h30 de ontem (26), na rua São Roque, Morro de São Bento, em Santos. Ele pilotava uma Honda CG 160, sem placa, não obedeceu a ordem de parada dos policiais em patrulhamento com motocicletas, colidindo a moto contra a moto de um dos Pms. O carona da moto, um homem de 36 anos, se entregou e foi preso, mas o piloto sacou um revólver calibre 38. O caso foi registrado no 5º DP de Santos. A autoridade policial apreendeu as armas envolvidas na ocorrência e solicitou exames periciais para o local, para os veículos e para as vítimas”. A Santa Casa de Santos manteve a mesma nota divulgada no dia do caso. “A Santa Casa de Santos, por meio de sua assessoria de Comunicação, informa que na tarde de ontem, dia 26/12, deu entrada um paciente vítima de ferimento por arma de fogo, trazido pelo resgate, porém o hospital não tem autorização para dar maiores detalhes sobre o caso”. Procurada por A Tribuna, a Polícia Militar não se pronunciou até a publicação desta matéria.