Nicola Assisi, à esquerda, é investigado por chefiar a máfia italiana no Brasil; ao centro, o advogado Patrick Raasch Cardoso, citado por atuar em esquema, e à direita, Patrick Assisi (Reprodução e Polícia Federal/ Divulgação) Um endereço ligado ao advogado Patrick Raasch Cardoso, em Santos, no litoral de São Paulo, foi alvo de busca e apreensão por determinação da Justiça Federal do Paraná. A mesma decisão decretou a prisão preventiva do advogado, investigado por suspeita de integrar uma organização criminosa ligada à máfia italiana ’Ndrangheta e envolvida no tráfico internacional de cocaína entre o Brasil e a Europa, principalmente pelo Porto de Paranaguá (PR). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As medidas incluem ainda o bloqueio de bens móveis e imóveis, contas e aplicações financeiras. A Justiça também autorizou a análise dos equipamentos apreendidos, desde que sejam observadas as prerrogativas da advocacia. A investigação da Polícia Federal aponta que Raasch teria desempenhado funções operacionais dentro da estrutura investigada, além de sua atividade como advogado. Entre as atribuições apontadas estão a administração de questões financeiras e patrimoniais e a intermediação de contatos e comunicação do grupo. O advogado Eugênio Malavasi, responsável pela defesa de Patrick Raasch Cardoso, afirma ainda não ter informações sobre a decisão. Segundo ele, o cliente se declara inocente e provará sua versão durante a instrução processual. Elo com a máfia italiana Um dos pontos considerados pela investigação é a relação de Raasch com Nicola Assisi e o filho dele, Patrick Assisi. O advogado é sócio de um escritório de advocacia que, segundo a decisão judicial, defendeu os dois italianos. Após a prisão dos Assisi, em 2019, a Polícia Federal aponta que Raasch teria continuado ligado à estrutura investigada. A ele são atribuídas funções financeiras e patrimoniais, além da intermediação de contatos. A decisão cita, entre os elementos reunidos no caso, informações fornecidas por Vincenzo Pasquino. Descrito como colaborador da investigação e antigo associado dos Assisi, ele foi ouvido pela Polícia Federal na Itália em abril de 2025 e relatou informações sobre integrantes do esquema e as funções desempenhadas por eles, mencionando Raasch. Também foram analisadas comunicações. Segundo a investigação, esse material sustenta a suspeita de que o advogado teria permanecido ligado à estrutura, participando de questões financeiras e patrimoniais e intermediando contatos. Para a Justiça, havia indícios suficientes para autorizar medidas cautelares contra ele. A estrutura investigada A apuração envolve um grupo apontado como ligado à ’Ndrangheta e ao tráfico internacional de cocaína. Nicola e Patrick Assisi são identificados pela investigação como integrantes do núcleo que teria estruturado no Brasil um esquema de tráfico de drogas. Os dois foram presos em Praia Grande, no litoral de São Paulo, em 8 de julho de 2019. A ação ocorreu durante a Operação Retis, para cumprir mandados de prisão para fins de extradição expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da Itália. Mesmo depois dessas prisões, segundo a investigação, o esquema continuou operando. A Polícia Federal relaciona o grupo a pelo menos 11 apreensões realizadas entre 2019 e 2020, que somaram mais de 4,6 toneladas de cocaína destinadas à Europa. Cerca de 2,1 toneladas foram apreendidas antes da prisão de Nicola e Patrick Assisi. Além de Raasch, outras seis pessoas tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Também foram determinados o bloqueio de bens e valores e o sequestro de imóveis dos investigados. Conforme a PF, os investigados poderão responder, de acordo com a participação atribuída a cada um, por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de outros delitos que possam ser identificados durante a investigação. Operação Eredità A investigação faz parte da Operação Eredità, que apura a continuidade do esquema de tráfico internacional de cocaína. Segundo a PF, a estrutura utilizava principalmente o Porto de Paranaguá para enviar drogas à Europa e mantinha ligação com integrantes da ’Ndrangheta. A Eredità reúne elementos de investigações anteriores, entre elas as operações Retis e Spiderweb. O caso contou com uma Equipe Conjunta de Investigação formada por autoridades brasileiras e italianas entre 2020 e 2025. No Brasil, participaram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Na Itália, integraram o trabalho o Departamento Anticrime de Turim do ROS Carabinieri e o Ministério Público de Turim.