Samir Carvalho, sargento da PM que matou a esposa em Santos, participou da reconstituição do crime nesta quinta (22) (Vanessa Rodrigues/AT) Os policiais que atenderam a ocorrência do assassinato de Amanda Fernandes Carvalho, em Santos, estavam a dois passos do sargento Samir Carvalho, da Polícia Militar (PM), que matou a própria esposa com 51 facadas e três tiros. A afirmação é do advogado que defende a família de Amanda, Claudino Vicente dos Santos, em entrevista para A Tribuna nesta quinta-feira (22), durante a reconstituição do crime. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com Claudino Vicente, o espaço em que o crime ocorreu era "muito pequeno". Por conta disso, ele acredita que os agentes, que chegaram antes do assassinato na clínica, poderiam intervir na situação. “Agora, qual vai ser a explicação deles para não terem agido? A gente vai ter que aguardar, mas sem dúvida nenhuma não agiram”, disse o advogado. Claudino acrescentou que o procedimento revelou detalhes da dinâmica do crime, que ainda estavam preservados, como os buracos provocados pelos disparos de arma de fogo e que Samir atirou antes de acessar a sala. “O médico não foi atingido por acaso, por pura sorte. Pelos depoimentos, posso afirmar que o policial estava a um metro (de distância). E agora cabe a eles (policiais) explicarem porquê nada foi feito, porquê foram dados tantos tiros? Amanda hoje está morta, alguém que estava sob proteção do estado está morta. E os policiais ainda não explicaram", afirma o advogado. Claudino Vicente dos Santos, advogado que representa a família de Amanda, acompanhou a reconstituição do crime nesta quinta (22) (Vanessa Rodrigues/AT) Reconstituição Samir Carvalho chegou ao local do crime, uma clínica no Canal 1, em Santos, nesta quinta-feira (22), por volta das 10h, trazido em uma viatura da Polícia Militar. Moradores, comerciantes e ativistas estiveram no local com cartazes exigindo justiça e um basta nos crimes de feminicídio. Relembre o crime O assassinato de Amanda ocorreu no último dia 7. Ela foi morta com 51 facadas em várias partes do corpo, além de três tiros na região do peito e braço, conforme laudo necroscópico. Durante o crime, a filha de Amanda e Samir, de 10 anos, foi baleada no antebraço e nas pernas ao tentar proteger a mãe. Após o crime, Samir foi levado á Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos e, posteriormente, ao Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo. De acordo com o boletim de ocorrência do caso, ao ser abordado pelos PMs na parte externa da clínica, Samir Carvalho teria levantado a blusa para mostrar que não estava armado. Depois, ele retornou ao estabelecimento, efetuou os disparos e as facadas contra Amanda.