O advogado Maurício Almeida de Albuquerque foi expulso da PM após ser condenado por extorsão, roubo e porte ilegal de arma de fogo (Reprodução/ Redes sociais) O advogado Maurício Almeida de Albuquerque, morto a tiros no dia 27 durante o cumprimento de um mandado judicial em São Vicente, no litoral de São Paulo, havia sido expulso da Polícia Militar (PM) após condenação por extorsão, roubo e porte ilegal de arma de fogo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com os autos do processo, Maurício e outros envolvidos abordaram uma vítima em Praia Grande, se passando por policiais civis. Durante a ação, ele chegou a se apresentar como delegado e afirmou haver um mandado de prisão contra o homem, exigindo inicialmente R\$ 300 mil para não efetuar a suposta prisão. Sem conseguir pagar o valor, a vítima se comprometeu a entregar R\$ 5 mil no dia seguinte. Ainda assim, o grupo invadiu a residência, algemou o homem e levou diversos bens, incluindo um carro, joias e equipamentos eletrônicos. Após denúncia à Corregedoria da Polícia Civil, investigadores montaram uma operação em Santos e flagraram os suspeitos tentando acessar o veículo roubado. Maurício tentou fugir, mas foi detido. Com ele, foram apreendidos uma pistola calibre .40, além de objetos da vítima. Outro envolvido também foi preso com um revólver. A Justiça condenou Maurício a oito anos e três meses de prisão em regime fechado. Como efeito da sentença, foi determinada a perda do cargo de policial militar. Maurício também não teve o direito de recorrer em liberdade. Execução O assassinato de Maurício ocorreu em 27 de março deste ano, por volta das 13h, na Rua João Chancharulo, no bairro Jardim Rio Branco, quando grupo composto pelo advogado foi surpreendido por tiros. Segundo a polícia, um oficial de justiça e uma equipe da Polícia Civil também estavam no endereço para cumprimento da ordem judicial. O advogado morreu no local, enquanto o irmão dele, Roberto Almeida de Albuquerque, de 44 anos, foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital do Vicentino. A Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria da Saúde (Sesau), informou que ele recebeu alta na sexta-feira (3). Ainda segundo a Sesau, Roberto precisou passar por cirurgia ortopédica e ficou internado após ser atingido por disparos de arma de fogo em diferentes partes do corpo. “Durante a internação, recebeu assistência da equipe médica e permaneceu estável, consciente e orientado, recebendo também acompanhamento da equipe de Psicologia devido ao estresse provocado pelo ocorrido”, disse a pasta, em nota. O caso foi registrado como homicídio e tentativa de homicídio no 3º Distrito Policial (DP) de São Vicente. A Polícia Civil investiga a autoria e as circunstâncias do crime. Até o momento, ninguém foi preso. OAB Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Guarujá informou que está ciente do fato e acompanha o caso. Segundo a entidade, "já foram iniciados contatos com a Comissão de Prerrogativas para a adoção das medidas cabíveis". A OAB Guarujá também informou permanecer à disposição para colaborar com as autoridades no esclarecimento dos fatos. "Neste momento de dor, a OAB Guarujá também se solidariza com os familiares, amigos e colegas do advogado, colocando-se à disposição para prestar o apoio institucional que se fizer necessário", finalizou. Postagem horas antes do crime Maurício havia publicado um vídeo nas redes sociais horas antes do crime. As imagens mostram o profissional no local onde a ação ocorreu, durante a execução de uma penhora de bens. No registro, feito por meio de “stories”, o advogado aparece relatando a diligência em uma empresa de contêineres, no bairro Jardim Rio Branco, na Área Continental. A medida judicial estava ligada a um processo trabalhista e era acompanhada por um oficial de Justiça. “Mais um dia de trabalho: penhora de uns caminhões, de carretas, para garantir os créditos dos trabalhadores, que a empresa não pagou as verbas rescisórias, nem o que foi sentenciado na Justiça", relatou o advogado. No vídeo, ele ainda escreveu: “Vamos fazer valer a justiça”. -Advogado morto em SV (1.507685) Penhora de bens A penhora de bens é um procedimento determinado pela Justiça para garantir o pagamento de dívidas reconhecidas judicialmente, permitindo a apreensão de patrimônio do devedor.