[[legacy_image_344883]] Uma advogada de Bertioga, no Litoral de São Paulo, foi vítima de racismo durante uma festa de formatura em Vassouras, no Rio de Janeiro, no dia 6 de março. Entretanto, ela veio a público compartilhar o ocorrido no último sábado (23), em um vídeo publicado em seu perfil do Instagram. (Assista mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Para A Tribuna, Letícia Dolapci, de 28 anos, conta que estava participando da formatura do primo, com familiares e amigos do rapaz, quando uma mulher, que também era formanda da turma de engenharia, jogou um copo de bebida alcoólica nela. A mulher, com outras pessoas, teria ameaçado e xingado a advogada. “Eu nunca vi ela na minha vida, não a conhecia. Ela me jogou um copo de bebida. Eu fiquei bem irritada com a situação”, lembra. Em outro momento, uma outra pessoa, que seria amiga da formanda, foi até Letícia e disse que a mulher (formanda) era maravilhosa. “Disse que ela não merecia toda aquela confusão, que eu não sabia me comportar e que aquele lugar não era para mim. Que eu não deveria estar lá. Ela me chamou de neguinha, querendo me inferiorizar”. Neste momento, as pessoas ao redor teriam chamado os seguranças do evento, alegando o ataque racista. Uma das testemunhas, inclusive, seria uma policial militar (PM). “E assim eu fui embora, depois que a gente pediu, a segurança nos acompanhou na saída do evento e fomos embora”. O vídeoApós a ocorrência, a advogada decidiu voltar para a casa, sem denunciar. Mas foi surpreendida quando, no dia 10, começou a receber registros de um vídeo, onde a suposta agressora teria postado em sua rede social, que posteriormente, foi denunciada. No registro, obtido pela reportagem, a mulher está na companhia de outra pessoa, que diz que ela é racista, mas ela rebate dizendo que também é negra. “E a desgraçada da preta, favelada da menina saiu como se nada tivesse acontecido (...) mas a minha vontade era de esfolar ela na porrada”. Após compreender tudo o que estava acontecendo, no dia 11 de março, a advogada registrou um boletim de ocorrência pela delegacia virtual. “Eu tomei a decisão que não deixaria mais esse tipo de coisa acontecer”. A denúncia“Ela foi para a rede social me expor (...) para falar essas coisas. Então, eu tive a necessidade de pronunciar”, explica a advogada. Para ela, é muito triste ter que falar em racismo em 2024, diante de um mundo moderno. ”Mas é necessário falar. É necessário mostrar para as pessoas que isso está errado. É necessário ensinar as pessoas que sofreram com o caminho que elas podem seguir para denunciar, porque muitas passam por isso e deixam para lá”, explica. RepúdioA empresa Proseg, responsável pela segurança do evento, públicou uma nota de repúdio em sua rede social. Na publicação, a gestão informou que cumpriu todos os protocolos de segurança previstos por leis, adequados a lidar com o público. Além disso, esclareceu que a equipe possui “extenso treinamento para a tratativa com o público e repudia toda e qualquer forma de racismo". Por fim, se colocou à disposição para esclarecimentos. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Subseção Bertioga também repudiou a ação, por meio da Diretoria e Comissão de Igualdade Racial (CIR). “Nós, como instituição/comunidade, nos solidarizamos integralmente com a Dra. Letícia Dolapci e todas as vítimas de racismo, reafirmando nosso compromisso com a promoção da igualdade, da diversidade e do respeito mútuo. Exigimos das autoridades competentes uma investigação rigorosa e a aplicação de sanções cabíveis aos responsáveis”. SSPEm nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-SP) disse que o caso foi registrado como injúria racial e ameaça pela delegacia eletrônica, sendo o mesmo remetido para a cidade de Vassouras (RJ), local do ocorrido.