[[legacy_image_264579]] A vendedora Jéssica Almeida Ramos Wehinger, de 28 anos, tentava retomar a vida após sofrer agressões do ex-marido - o policial militar rodoviário Roberto Belchior Wehinger, de 33 anos -, quando foi morta por ele no último sábado (29), em Praia Grande. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A advogada da vítima, Amanda Mesquista, contou para A Tribuna que Jéssica tinha conhecido uma pessoa após a separação com Roberto e assumido o namoro há cerca de um mês. "Estava tentando recomeçar a vida". De acordo com Amanda, ela foi procurada pela vendedora no fim de janeiro para dar andamento ao pedido de divórcio e medida protetiva contra Roberto, pois o homem não aceitava a separação. Este segundo documento saiu no mês seguinte, já o divórcio não foi acompanhado pela advogada, pois Jéssica desistiu quatro dias após o policial receber a medida protetiva. “Ela desistiu da ação de divórcio dizendo que conversou com ele e a família dela, dizendo que iria fazer isso de forma amigável”, lembra Amanda. A advogada, porém, conversou com Jéssica quando ela foi assinar o distrato. “Ela me contou tudo que estava acontecendo, que tinha medo de prejudicá-lo no trabalho”. Ainda segundo a advogada, Jéssica relatou que o relacionamento com Roberto durou cerca de dez anos, mas nunca foi uma relação saudável. “Ele era abusivo e violento”, diz Amanda, afirmando que os dois casaram em 2019, mesmo ano em que tiveram um filho. [[legacy_image_264580]] SeparaçãoSegundo o relato da vítima para a Polícia Civil no início de fevereiro, a gota d’água para o fim do relacionamento foi a agressão que Jéssica sofreu de Roberto no dia 25 de novembro do ano passado. “Ele bateu muito nela, muito mesmo, ela pensou que fosse morrer. Mas a única coisa que ela teve coragem foi sair de casa”, ressalta a advogada. No pedido da medida protetiva, a jovem relatou que desde que decidiu se separar, não teve mais paz. “Estou com muito medo, pois ele não me deixa em paz, fica me vigiando”, disse Jéssica para a polícia. Segundo Amanda, a vítima foi embora da casa que morava com Roberto sem se preocupar com os bens do casal. “Tinham a casa deles, carro e moto. Ela largou tudo para trás, inclusive queria abrir mão de tudo para ter paz. Só que ele não aceitava isso”, relata. Medida protetivaApesar de o caso ter tido um final trágico, a advogada enfatiza sobre a importância de denunciar a violência doméstica. “As medidas protetivas e boletins de ocorrência precisam continuar para que a gente tenha dados e políticas públicas”. Relembre o casoO policial teria armado uma emboscada ao saber que o casal estaria próximo a um bar no último sábado (29), na Rua Oceânica Amabile, no bairro Ocian, em Praia Grande. A mulher e o companheiro estavam de moto, enquanto o PM, de carro, "fechou" os dois. Em seguida, o agente desceu do veículo e partiu pra cima do homem. Eles trocaram socos, mas foram separados por frequentadores do bar. Pouco tempo depois, o PM sacou uma arma e atirou na testa da ex-esposa, que morreu na hora. Em seguida, ele atirou contra a própria cabeça. O policial chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Irmã Dulce, mas não resistiu.