[[legacy_image_201482]] Uma advogada acusa dois policiais militares de abuso de autoridade durante abordagem na Avenida Washington Luís, o Canal 3, em Santos, na última quinta-feira (18). Ela ingressou com uma denúncia junto à Corregedoria da Polícia Militar (PM) e deu entrada em um processo cível por danos morais. Além de gritos e ameaças, uma vistoria sem autorização em objetos pessoais da advogada e intimidação com arma de fogo teriam sido realizadas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios Segundo ela, o caso ocorreu por volta das 13 horas. Ela e o marido são de Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, e vieram a Santos participar de um teste físico para um curso da Marinha. Uma viatura se aproximou do veículo do casal, pedindo para que fossem baixados os vidros. "Eles encostaram a viatura no nosso carro, para que não conseguíssemos partir sem o consentimento deles", frisa. Dois policiais militares, um homem e uma mulher, fizeram perguntas ao casal, como: "Vocês são de onde?" e "O que estão fazendo aqui?". Em seguida, os policiais pediram para que saíssem do carro. Por acreditar que seria uma abordagem de rotina, a advogada ligou a câmera do celular, o que irritou a policial. "Você conhece os seus direitos, e eles terminam quando o nosso começa. Independente de ser advogada, nós somos policiais. Somos agentes da lei e você sabe que está errada", disse a policial, em vídeo obtido por A Tribuna, referindo-se ao celular ligado e, imediatamente, escondido após ordem para desligar a gravação. "Um policial é uma autoridade. Você sabe com quantos advogados a gente lida? A quantos processos a gente já respondeu? Ninguém aqui é ignorante (..) Você sabe o que fez porque, aqui, não há nenhuma criança. Não preciso explicar", complementou a policial à mulher, ao ser questionada pelas razões da irritação da agente que, segundo ela, teria avançado para tentar tomar-lhe o celular. "Os policiais, ao fazerem nossa identificação civil, não pediram nossos documentos, o que é muito estranho. Além disso, havia armas apontadas para nosso rosto", relata a vítima do suposto abuso de autoridade. Carro roubado e revista indevidaAo final da revista pessoal, de acordo com o relato da advogada, os policiais afirmaram que o carro do casal era roubado, sem sequer solicitar os documentos do veículo para, em seguida, começar a revistá-lo. "Todas as portas, capô, porta-luvas e porta-malas foram abertos pelos policiais sem autorização. Além disso, objetos pessoais da advogada, como bolsa e porta-joias foram abertos longe das vistas do casal" diz um trecho do documento enviado à Corregedoria da PM. Ao se aproximar da policial que olhava seus pertences, a advogada teria sido ameaçada de prisão. Ao fim da revista, os policias teriam insistido que se tratava de um veículo roubado. Polícia "diferente"Em meio aos protestos do casal fluminense, a policial que realizava abordagem teria dito que a polícia de São Paulo "não é igual à do Rio de Janeiro" e que eles não sairiam do local, diante do pedido para que todos fossem para uma delegacia, por conta da situação embaraçosa. Posteriormente, os documentos foram, enfim solicitados e, após consulta eletrônica, nada de errado foi verificado com os visitantes. Após meia hora de intimidação, segundo a advogada, ela e seu marido foram liberados. "No final, tentaram mudar o discurso, tentando nos tratar melhor. mas já era tarde. Havia pedestres passando, mas não conhecemos ninguém em Santos", conta ela, que também solicitou imagens das câmeras de segurança da Prefeitura de Santos. A advogada conta que foi informada pela Corregedoria da Polícia Militar de que, em 20 dias, seriam identificados os policiais envolvidos no suposto abuso de autoridade. Procurada por A Tribuna, a Polícia Militar disse que a corregedoria está apurando as circunstâncias da abordagem para esclarecer os fatos.