O menino de 4 anos brincava do lado de fora de casa (Arquivo Pessoal) O adolescente de 15 anos baleado durante o confronto policial no Morro São Bento, em Santos, que terminou com a morte do menino Ryan da Silva Andrade, de apenas 4 anos, recebeu alta do hospital onde estava internado sob escolta. Segundo a Secretaria de Segurança Pública Estadual de São Paulo (SSP-SP), o garoto, considerado suspeito de trocar tiros com os policiais, foi liberado para a mãe após a assinatura do termo de compromisso. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Além de Ryan, outro adolescente de 17 anos morreu baleado na ação da noite de terça-feira (5). Na versão dos policiais militares, ele e o garoto de 15 anos que ficou internado na Santa Casa de Santos estariam envolvidos na troca de tiros dos agentes com um grupo de aproximadamente dez suspeitos. No entanto, a mãe da criança morta nega. “Não teve troca de tiros. Além de atirar pra cima dos meninos que eles estavam perseguindo, eles atiraram pra cima da gente”, afirmou Beatriz da Silva Rosa para a TV Tribuna. Segundo ela, a ação da última terça-feira foi similar ao episódio que matou seu marido Leonel Andrade dos Santos, de 36 anos, em fevereiro deste ano. No boletim de ocorrência registrado na época, consta que ele e um amigo estavam armados, mas Beatriz afirmou que o companheiro era deficiente, andava com o apoio de muletas e não teria como segurar uma arma. Beatriz presenciou a morte do filho e chegou a pegá-lo no colo após o menino ser baleado. Ryan chegou a ser socorrido até a Santa Casa de Santos, mas não resistiu e morreu. A tia do garoto, Renata Fiel da Silva, lembra o momento em que o sobrinho foi atingido em frente à mãe. “A criança caiu nos pés dela. Só deu tempo dele falar ‘mamãe’ e ela ver o sangue escorrendo”, diz. Troca de tiros aconteceu após polícia perseguir suspeitos em direção a um ponto de tráfico de drogas (Reprodução) PMs afastados Sete policiais militares envolvidos na ação foram afastados. As armas também foram apreendidas para perícia. A informação foi divulgada em uma coletiva de imprensa no Quartel do Comando Geral, que fica na Praça Coronel Fernando Prestes, no bairro Bom Retiro, em São Paulo. Além de Ryan e dos dois adolescentes, uma mulher de 24 anos foi atingida por um tiro de raspão no braço. Ela foi socorrida, medicada e liberada logo em seguida. “Nós lamentamos muito profundamente. Foram duas pessoas feridas em decorrência desse confronto. Conversei bastante com o comandante e com os nossos policiais da Baixada Santista. Pela dinâmica da ocorrência, nós temos que provavelmente o disparo que atingiu o menino partiu de uma arma de um policial militar. O projétil ficou alojado, nós teremos agora condições de fazer o confronto balístico e, com o resultado da perícia, nós podemos chegar a essa conclusão”, afirmou. O coronel Massera também destacou que, por enquanto, a equipe da PM está sendo tratada como vítima. “Eles foram atacados. Eles foram agredidos. Efetuaram disparos para proteger a própria vida e, com certeza, os policiais que participaram disso estão muito afetados e comovidos pelo resultado que não era nunca o desejado”. Massera apontou que a responsabilidade do caso é do crime organizado. “Não podemos, no primeiro momento, tratar esses policiais como responsáveis ou como culpados. Eles também são vítimas e foram imediatamente afastados para o programa de apoio e acompanhamento. A ocorrência e toda a dinâmica serão avaliadas pelo comandante Nery, pela corregedoria e pelo nosso subcomandante”. Durante a coletiva, também foi confirmado um reforço na Baixada Santista com policiais do Choque para prender os dez criminosos apontados como participantes do tiroteio. O que aconteceu, segundo a polícia Segundo o boletim de ocorrência, três viaturas da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) patrulhavam a região quando viram dez homens, sendo quatro em motocicletas, que fugiram ao notarem a equipe. O grupo teria corrido até um ponto de tráfico de drogas. Em seguida, os policiais desembarcaram das viaturas e se aproximaram dos suspeitos, que teriam começado a atirar contra os PMs. A equipe revidou e solicitou apoio. Logo, mais policiais chegaram pela parte superior do morro e surpreenderam, pelo menos, oito integrantes do grupo suspeito. Com a chegada da nova equipe, um novo tiroteio começou. Nesta segunda troca de tiros, os dois adolescentes, que segundo a polícia são suspeitos, foram atingidos. Os demais integrantes do grupo conseguiram fugir pela área de mata. Três motocicletas, uma delas furtada, foram apreendidas. Leia mais sobre este caso: Vídeo mostra menino de 4 anos brincando pouco antes de morrer baleado no litoral de São Paulo; ASSISTA Prefeito de Santos exigirá apuração da morte de menino de 4 anos por bala perdida Santos tem novo tiroteio horas após confronto que matou criança e adolescente Mãe de menino de 4 anos morto por bala perdida no litoral de São Paulo perdeu o companheiro na Operação Verão Criança de 4 anos e adolescente morrem após tiroteio em morro no litoral de São Paulo Operação Verão termina no Litoral de SP com 56 mortes e mais de 2 toneladas de drogas apreendidas