Jovem foi espancado na esquina da Avenida Ana Costa com a Rua Azevedo Sodré; manchas de sangue ficaram espalhadas pelo chão na entrada do local da festa em Santos (Reprodução e Arquivo pessoal) Um adolescente de 17 anos foi espancado com socos, chutes, joelhadas e empurrões por um grupo de mais de 30 jovens após o término de uma festa privada no bairro Gonzaga, em Santos, no litoral de São Paulo. A denúncia é da mãe do jovem, que registrou boletim de ocorrência. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Polícia Civil investiga o caso como tentativa de homicídio. O menor terá de passar por cirurgia no rosto devido às agressões. O procedimento está previsto para esta quinta-feira (23). As agressões aconteceram na Rua Azevedo Sodré, na altura da Avenida Ana Costa, na madrugada de terça-feira (21), após o fim de uma festa fechada. A mãe do jovem, que teve a identidade preservada por questão de segurança, afirma que as agressões começaram após o encerramento do evento, organizado por adolescentes. Segundo ela, ao término da festa, os participantes foram “expulsos” do local. O filho estava com cinco amigos, e um deles discutia com outro jovem, descrito como exaltado. Com receio de que a situação se agravasse, o adolescente de 17 anos passou a gravar a cena. “Nisso, os moleques dessa ‘gangue’ puxaram o meu filho e disseram: ‘Tá filmando?’ Começou uma discussão. Meu filho mostrou o vídeo e apagou na mesma hora, dizendo: ‘Já apaguei’. Mesmo assim, o jovem continuou agressivo. Aí, começaram os empurrões e os socos. Meu filho estava abaixado, acho que já caído. Ele viu uma brecha no meio da multidão — eram mais de 30 pessoas — e saiu correndo até a esquina da Ana Costa”, relata a mãe. A mãe afirma que o filho não é de se envolver em brigas. Segundo ela, os agressores o alcançaram e o derrubaram novamente. “Deram socos, joelhadas. Ele começou a se sentir mal, porque levou uma joelhada forte no estômago. Já caído, continuaram socando. Estavam chutando a cabeça, chutando tudo. Ele só protegia o rosto, por isso foi muito atingido na mandíbula e nos dentes, que ficaram moles”. Discussão e agressões se iniciaram na saída de uma casa de festas privada da Rua Azevedo Sodré, em Santos (Arquivo pessoal) Na hora das agressões, um motorista que passava pelo local parou para prestar ajuda. “Meu filho disse que, mesmo tonto, viu a porta do carro aberta e pensou: ‘Eu tenho que me salvar’. Ele entrou. A multidão cercou o carro, não deixava sair, puxaram ele, rasgaram a blusa e continuaram agredindo. O motorista pedia para pararem e gritava para meu filho entrar. Ele conseguiu voltar para o carro, e o homem saiu do local. Se não fosse isso, meu filho não estaria vivo hoje... Foi horrível”, afirma. Segundo a mãe, o adolescente sofreu ferimentos pelo corpo. “Ele ficou arranhado, com machucados nas costas e nos braços, mas o pior foi interno. Foram joelhadas, chutes nas costas, no estômago e na mandíbula”. O jovem passará por cirurgia bucomaxilofacial em decorrência das lesões. Ele também deve realizar exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). A mãe afirma que os agressores “são figurinhas carimbadas em confusões nessas festas”. “É o que os meninos me falaram. Tanto que, às vezes, eles são barrados, porque realmente causam esse tipo de situação". A Tribuna não conseguiu contato com a casa de festas. O espaço segue aberto para manifestações. Boletim de ocorrência A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos como tentativa de homicídio. No documento, o adolescente relata que estava em uma festa e, ao sair com amigos, percebeu a presença de um grupo de jovens que não participava do evento e estava na rua, onde teve início uma discussão. Em seguida, ao procurar um amigo para ir embora, foi puxado pelo braço por um integrante do grupo e colocado no centro de uma roda formada por diversos indivíduos, que passaram a questioná-lo sobre vídeo que teria gravado. Um deles exigiu que o suposto vídeo fosse apagado, inclusive da lixeira do celular. O adolescente relata ainda que foi empurrado contra a parede e cercado por vários indivíduos, que continuaram exigindo a exclusão do vídeo. Diante da situação, afirmou ter temido retirar o celular do bolso, receando que o aparelho fosse roubado. Após negar, passou a ser agredido com puxões de cabelo, tapas, puxões nas roupas e empurrões. O jovem tentou fugir, mas foi perseguido e alcançado na altura da Avenida Ana Costa com a Rua Azevedo Sodré, onde foi novamente empurrado contra o vidro de um estabelecimento comercial. Segundo o relato, um dos agressores desferiu uma joelhada em seu estômago, fazendo-o cair, além de um soco na região do queixo. Em determinado momento, um dos envolvidos pediu calma, e um veículo parou nas proximidades para prestar socorro. O adolescente entrou rapidamente no carro. O veículo também foi cercado. O motorista tentou dialogar com o grupo, mas um dos indivíduos conseguiu puxar o jovem para fora, segurando-o pela camisa, na tentativa de pegar seu celular. Um dos agressores chegou a retirar o aparelho do bolso da vítima, mas o condutor interveio, pediu o celular e se comprometeu a mostrar o conteúdo ao grupo. Ao verificar o aparelho, os indivíduos constataram que não havia a gravação. Ao final, um dos indivíduos ainda desferiu um tapa no rosto do jovem, afirmando que "havia gravado a cara dele" e advertindo-o para que não repetisse tal conduta. Ao sair do local, o jovem foi ao pronto-socorro (PS), onde recebeu atendimento médico. O adolescente disse que lembra que o jovem que puxou seu braço tem como característica a pele morena escura, cabelo raspado e uma tatuagem com uma frase escrita no lado esquerdo do pescoço, e aproximadamente 1,70 de altura. Ele usava camisa preta. Também consta no registro que a mãe disse à polícia que o espaço onde ocorreu o evento não possui alvará de funcionamento, tratando-se de festa clandestina, sendo que no local havia fornecimento de bebida alcoólica a jovens, sem qualquer tipo de restrição.