Jovem morreu após ficar cerca de duas semanas internado (Reprodução/ TV Tribuna) O adolescente Kaue de Jesus Nery dos Santos, de 15 anos, morreu dias após manusear produtos químicos em um bananal, em Jacupiranga, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo. Além da vítima, outros adolescentes teriam tido contato com o veneno. A Polícia Civil investiga o caso como maus-tratos. O Ministério Público e o Conselho Tutelar também apuram o ocorrido. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o boletim de ocorrência, Kaue trabalhou manipulando veneno em um bananal no bairro Guaraú. Conforme informações da TV Tribuna, o jovem ficou internado por cerca de duas semanas após apresentar sintomas como coceira e dores no peito. Ele morreu por volta das 4h de domingo (11), no Hospital Regional de Registro. A causa da morte ainda não foi divulgada, mas os familiares suspeitam de que houve envenenamento. Em nota, o Hospital Regional de Registro informou que a instituição realizou o boletim de ocorrência após registrar um diagnóstico de intoxicação. Além disso, o Conselho Tutelar de Jacupiranga constatou que outros quatro adolescentes, entre 14 e 15 anos, revelaram ter tido contato com os produtos químicos durante o trabalho no local. Eles foram submetidos a exames médicos para verificação do estado de saúde e possível intoxicação pelo veneno, mas os resultados ainda não foram divulgados. A instituição ainda recebeu informações de outros três adolescentes que teriam trabalhado no local, e busca localizá-los para a realização dos testes. Assim que encontrados, os jovens devem ser levados ao hospital caso revelem ter tido contato com a substância. Por meio de nota, o Conselho Tutelar informou que encaminhou a notícia de fato ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e vai formalizar uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT), com o objetivo de que os órgãos competentes atuem com máxima seriedade e zelo no caso. O MP informou que está acompanhando as investigações para eventual responsabilização criminal dos envolvidos, destacando-se que já há inquérito policial instaurado para apuração dos fatos. O Conselho Tutelar acrescentou que está tomando todas as providências cabíveis. Uma equipe da instituição já orientou os familiares sobre os riscos do trabalho infantil e os encaminharam à rede de apoio social. "Reiteramos o nosso compromisso de zelar pelo bem-estar e pelos direitos das crianças e adolescentes envolvidos, mantendo o acompanhamento e as ações necessárias", disse o Conselho Tutelar. A instituição também lamentou a morte de Kaue: "Desejamos aos pais e a todos os familiares que enfrentam esse momento de luto nossos mais sinceros sentimentos e solidariedade. Que encontrem força e conforto para atravessar essa dor". Trabalho infantil Também por meio de nota, o MPT informou que a notícia de fato foi recebida pela unidade de Sorocaba (SP), que atende 73 cidades, incluindo as da região do Vale do Ribeira, no dia 9 de maio. "A atividade que supostamente estava sendo executada pelo adolescente é considerada uma das piores formas de trabalho infantil, segundo o decreto federal 6.481/08. Contudo, neste momento, a procuradora precisa se munir de informações para instruir o procedimento", afirmou o órgão. De acordo com o ministério, a procuradora Ana Carolina Marinelli Martins oficiou os órgãos de fiscalização e a empresa, concedendo o prazo de 15 dias para a apresentação de documentos que comprovem a conduta trabalhista do responsável, nos aspectos de saúde e segurança do trabalho. Conforme informado pelo MPT, a empresa deve apresentar Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), contratos de trabalho, relação completa de empregados e as fichas de entrega de Equipamento de Proteção Individual (EPI). Família não sabia Jovem ficou internado após manusear veneno em bananal no interior de São Paulo (Reprodução/ TV Tribuna) Em entrevista à TV Tribuna, a irmã do jovem, Kauane de Jesus Santos, revelou que a família não tinha conhecimento de que o jovem manuseava produtos químicos no trabalho. Segundo ela, ele trabalhava no bananal porque queria ter o próprio dinheiro. "Nós nunca imaginávamos que ele ia jogar veneno, porque nós mesmos não íamos deixar, se soubéssemos disso. Deus me livre", afirmou a irmã. "Para nós, ele ia trabalhar, tirava foto carregando banana, porque todo jovem quer ter seu dinheiro, quer trabalhar, quer ter suas coisinhas".