[[legacy_image_249937]] Uma adolescente, de 17 anos, diz ter sido vítima de um estupro e o acusado é um motorista de aplicativo, de 28 anos, que a levou para casa depois de uma festa. O crime aconteceu na madrugada de sábado (25) em Santos. O suspeito negou a versão da menina. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Conforme o boletim de ocorrência, o pai da vítima se apresentou para a autoridade policial para relatar que a jovem teria sido vítima de estupro. O homem disse que, por volta das 7h30, estava a caminho do trabalho quando foi notificado pela filha que tinha sido abusada sexualmente e estava indo para a delegacia. O pai da vítima afirmou que a jovem disse estar em uma festa em uma casa noturna na Rua Brás Cubas, na Vila Mathias, e solicitou uma corrida pelo aplicativo Uber para ir embora. Durante o percurso até sua casa, a adolescente disse ao pai que o motorista começou a mostrar conteúdo sexual em uma plataforma, semelhante ao ‘OnlyFans’, e contou a ela que ele possuía um perfil nessa mesma rede, sugerindo que poderiam fazer algo parecido. Ainda segundo o documento, a vítima relatou ao pai que estava sob efeito de álcool e não se recordava da situação com muitos detalhes de como as coisas aconteceram, mas afirmou que sofreu o abuso enquanto estava nessa situação de vulnerabilidade. Em seguida, a adolescente foi deixada em casa, onde citou ter ido à farmácia comprar uma pílula do dia seguinte. Após o relato, amigas da vítima passaram a divulgar os fatos pelas redes sociais e, segundo a testemunha, agora sua filha e seu filho estão recebendo ameaças. Ainda segundo o boletim de ocorrência, o irmão da jovem disse ter recebido mensagens e ligações do número com ameaças graves afirmando que a divulgação era injusta e agora a família da vítima teme represálias. Um exame de corpo de delito foi realizado no Instituto Médico Legal (IML) onde deu positivo para “conjunção carnal recente”. O vestido, a calcinha e o material biológico colhido no exame médico foram apreendidos para uma perícia mais detalhada. AcusadoEm defesa do marido, a esposa do motorista de aplicativo publicou um texto em suas redes sociais afirmando que a acusação era “fake”. Contrariando o laudo médico, a mulher disse que o suspeito não teria se relacionado sexualmente com a vítima, que a menina estava bêbada e apenas foi deixada em seu prédio. Após ter finalizado a corrida, a esposa da vítima relatou que o acusado “foi embora e agora começou a se espalhar por todo lugar a acusação”. A mulher alegou que está grávida de 9 meses e essa notícia está “acabando com uma família”. “Esse é o único trabalho do meu marido e, por causa disso, ele não pode nem trabalhar mais, porque a conta foi fechada. (...) Eu conheço a índole do meu marido e ele estava lá trabalhando, não estava em farra e nem de graça com ninguém. Apenas estava indo atrás do nosso sustento e nem isso teremos por conta de uma acusação”, publicou. [[legacy_image_249938]] Em contrapartida, o suspeito registrou um boletim de ocorrência de calúnia e ameaça contra a vítima e deu sua versão sobre o caso. Conforme informado pelo documento, o motorista confirmou que houve uma relação sexual entre eles dentro do carro, mas que começou um diálogo e ambos acabaram “se envolvendo”. O acusado ainda relatou para a autoridade policial que a suposta vítima teria demonstrado tranquilidade e consciência durante a conversa deles, o que resultou no envolvimento sexual no canal 3. Durante seu testemunho, o motorista de aplicativo relatou não saber afirmar se a adolescente estaria alcoolizada, pois conversavam normalmente. Contudo, confirmou que havia cheiro etílico. Para ele, foi uma surpresa a divulgação nas redes sociais como estupro e reforçou ter sido consensual. Após ter sido deixada em casa, o acusado também alegou que a adolescente entrou em contato por conta de um brinco deixado no carro. O mesmo relatou estar com medo por estar sofrendo ameaças na internet desde que sua imagem foi divulgada e suas informações. AndamentoO caso está sendo investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher de Santos (DDM) e, por se tratar de uma menor de idade, a vítima ainda será ouvida pela autoridade policial. A Tribuna procurou a Uber, empresa de corrida por aplicativo, que informou que repudia qualquer tipo de comportamento abusivo contra mulheres e também afirmou que acredita na importância de combater e denunciar casos de assédio e violência. Segundo a nota da empresa, o motorista teve sua conta desativada da plataforma assim que a empresa tomou conhecimento do caso. “A Uber se coloca à disposição para colaborar com as autoridades no curso das investigações”. Ainda segundo a Uber, a empresa afirmou que defende que as mulheres têm o direito de ir e vir da maneira que quiserem e têm o direito de fazer isso em um ambiente seguro. “Por isso, desde 2018 a empresa mantém o compromisso de participar ativamente do enfrentamento da violência contra a mulher e segue investindo constantemente em conteúdos educativos contra o assédio para motoristas”. Recentemente a plataforma lançou uma campanha educativa de combate ao assédio em parceria com o MeToo Brasil. A união entre a empresa e a entidade também gerou um canal de suporte psicológico para apoiar vítimas de violência de gênero, que deve será disponibilizado para a adolescente.