O adolescente foi apreendido e encaminhado para a Fundação Casa (Reprodução) Em uma breve busca no celular do adolescente de 17 anos apreendido em Itanhaém, no Litoral de São Paulo, acusado de planejar um massacre, a Polícia Civil encontrou vídeos de culto ao nazismo, agressões, massacres e um registro do próprio menor agredindo um homem em situação de rua que estava dormindo em uma praça. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O adolescente foi apreendido na última quinta-feira (1º) pela acusação de planejar explodir e matar alunos de uma escola -ainda a ser confirmada pela Polícia Civil- em um plano de massacre conjunto. Outros envolvidos pretendiam executá-lo em diferentes escolas do país, na mesma data e horário. Durante a apreensão da Polícia Civil, ao desbloquear o celular do adolescente para uma apuração inicial, foram encontradas conversas no WhatsApp negociando armas de fogo, além de um vídeo gravado no dia 12 de maio de 2024, quando o menor gravou a si mesmo na agressão ao homem que dormia. Os policiais civis descreveram que, no vídeo, o adolescente agride o homem com golpes na cabeça utilizando o pedaço de um calçamento poliédrico (paralelepípedo). Tudo indica à investigação que a gravação foi compartilhada entre o grupo. Outros vídeos mostram também o investigado apresentando seus trajes ao grupo, e fazendo uma saudação a Hitler. Mesmo com o pai alegando desconhecer essa adoração do menino ao nazismo, todas as imagens foram gravadas dentro da própria casa da família, na sala e no quarto. O aparelho foi encaminhado à perícia para uma extração completa do conteúdo. O adolescente foi apreendido e encaminhado à Fundação Casa. O grupo que o menor participava para conversar sobre o seu plano e fazer apologia ao nazismo era mantido pelo aplicativo discord. O caso foi registrado na DIG de Itanhaém, e agora as autoridades policiais prosseguirão com as investigações, pois os outros integrantes estão espalhados pelas regiões Norte, Sul e Sudeste. O aplicativo O aplicativo Discord, que é pouco conhecido, vem sendo alvo de investigações por ter canais com conteúdos que fazem apologia ao nazismo, racismo, pedofilia e exploração sexual. O Discord se popularizou para bate-papo de jovens fãs de games, mas vem sendo usado para circular conteúdos violentos. Guilherme Alves, gerente da ONG Safernet, explica como funciona a plataforma: “É um app como o WhatsApp, onde você tem a possibilidade de entrar em diferentes salas de conversa com amigos ou pessoas que você não conhece. Tem sido onde comunidades violentas vêm surgindo”. Marilene Souza, psicóloga e professora da Universidade de São Paulo (USP), diz que é importante a atenção e o diálogo dos pais com filhos crianças e adolescentes. “Fundamental que pais acompanhem diariamente como os filhos estão usando as redes sociais, o que estão vendo. Inclusive, há formas de regulação dos pais em relação às redes. É possível ver espelhos das plataformas ou colocar horários e limites para entrada nas redes sociais”. Marilene também sugere que famílias e escolas proponham atividades que não sejam só por telas de celulares, computadores e jogos, mas principalmente ao ar livre.