Tiago (à esquerda) deu voadora no peito de Cesar (à direita) (Fotos: Reprodução) Tiago Gomes de Souza, 39 anos, é acusado de matar Cesar Finé Torresi, de 77 anos, na tarde de sábado (8). O consultor teria descido do carro e dado uma ‘voadora’ no peito do idoso, que não resistiu ao ferimento e morreu horas depois. A prisão preventiva de Tiago foi decretada em audiência de custódia realizada em Santos, neste domingo (9). No processo, obtido pela reportagem de A Tribuna, é informado que Tiago teria agredido o idoso em virtude de uma discussão de trânsito. A conduta do agressor aponta que ele teria assumido o risco que resultou na morte da vítima. “Os fatos narrados demonstram, à princípio, indisciplina do investigado e desprezo pelos valores imprescindíveis para a paz social, razão de rigor pela conversão da prisão em flagrante para preventiva, para preservação da ordem pública”, aponta o documento. Agora, Tiago deverá ser encaminhado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Vicente. Conforme apurado por A Tribuna, o acusado de matar Cesar Finé Torresi, de 77 anos, com uma voadora no peito, já tem registro de desacato a policiais durante ocorrência em um posto de combustíveis em Santos, no dia 31 de dezembro de 2021. Desacato Na época, Tiago teria se envolvido em uma briga em um posto de gasolina na Avenida Coronel Joaquim Montenegro com outro homem. Devido à discussão, a polícia foi acionada e, no local, o acusado de matar Cesar Finé Torresi xingou os oficiais de 'medíocres'. Além disso, ao ser solicitada a sua documentação, ele a jogou no chão e disse que os policiais tinham que pegar. No boletim de ocorrência obtido por A Tribuna, é narrado que os agentes solicitaram que o acusado levantasse as mãos para ser revistado e ele negou. Por isso, o homem foi algemado e levado à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos. Enquanto era conduzido até a delegacia, o acusado teria chutado o vidro da viatura, sem causar dano ao veículo. Os policiais também informaram que, durante a ocorrência, o homem apontava o celular em direção a eles, presumindo-se que estava filmando a ação. O crime foi registrado como desacato, em 1º de janeiro de 2022. A Tribuna solicitou mais informações para a Secretaria da Segurança Pública (SSP) sobre essa ocorrência, mas, até a publicação da reportagem, não obteve retorno. O crime Cesar Finé Torresi era morador da cidade de Santo André, na região metropolitana de São Paulo, e tinha o costume de vir para a Baixada Santista com frequência para visitar os netos que moram em Santos. De acordo com o boletim de ocorrência, o neto da vítima de 11 anos que presenciou o ocorrido relatou ao pai (filho da vítima), de 38 anos, que estava atravessando a rua com o avô, entre os carros, porque o trânsito se encontrava todo parado e o semáforo estava fechado. Nesse momento, um carro modelo Jeep Commander vinha em alta velocidade e precisou frear bruscamente. Quando os dois já estavam na calçada, o motorista do veículo teria descido e agredido o idoso com uma “voadora” no peito. Ainda segundo o registro policial, uma testemunha, de 55 anos, também contou à polícia que o suspeito teria descido do carro, corrido até a vítima e dado a “voadora” na altura do peito. Logo em seguida, Cesar, que estava de mãos dadas com a criança, caiu desacordado no chão. A agressão teria gerado revolta em pessoas que estavam no local, que começaram a discutir com o agressor. Tiago, então, saiu correndo em direção a um estabelecimento comercial. A polícia foi acionada, mas, ao chegar ao lugar, não encontrou ninguém próximo ao veículo do agressor. A população ainda teria danificado o carro do autor do crime, pois estava revoltada com a atitude do motorista, que foi capturado em flagrante dentro de um estabelecimento comercial. Tiago se negou a falar sobre o ocorrido. Cesar foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Zona Leste, onde sofreu três paradas cardíacas e precisou ser entubado, mas não resistiu. O suspeito foi encaminhado para a Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde foi indiciado e, mesmo na presença de seu advogado, permaneceu em silêncio. O crime foi registrado como lesão corporal seguida de morte na CPJ de Santos. Defesa Em nota, a defesa do acusado disse que ao tomar ciência da decisão que converteu a prisão em flagrante em preventiva, e, "diante de sua generalidade, será impetrado um 'habeas corpus' no TJSP, visando a concessão da liberdade do acusado, por não estarem presentes os fundamentos da prisão cautelar, porquanto, na espécie, esta (prisão) poderá ser substituída por medidas cautelares diversas da prisão".