O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou a soltura de Juliano Bispo dos Santos, acusado de matar a ex-esposa, Karina de Oliveira Rocha, com uma facada no pescoço na frente do filho dela, que tinha 9 anos na época do crime, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O crime ocorreu na Rua Virgínia Ramos, no bairro Antártica, em setembro de 2023. Karina foi encontrada dentro de casa esfaqueada no pescoço, ao lado do ex-marido, que também estava ferido. Ambos foram socorridos e levados ao hospital, mas a mulher não resistiu aos ferimentos. Juliano permaneceu sob escolta policial e, posteriormente, foi encaminhado ao presídio. A Tribuna teve acesso ao processo e a sentença. A decisão, que aconteceu com a concessão do habeas corpus, foi proferida no último dia 20. Foi considerada ilegal a prisão preventiva por excesso de prazo, já que o processo ainda não teve a fase de instrução concluída. O suspeito estava detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Cidade. Mãe da vítima, Ana Paula de Oliveira Silva afirmou estar com medo após a soltura do acusado e espera que ele volte a ser preso. “Ele cortou o pescoço da minha filha. Ela ainda lutou pela vida, mas não resistiu. Fez tudo isso na frente do meu neto. Não acho justo ele estar solto”, desabafou. Segundo ela, o neto segue abalado psicologicamente e a situação piorou após a liberação do suspeito. Decisão O desembargador da 11ª Câmara de Direito Criminal, Alexandre Almeida, apontou na sentença que a demora no andamento do processo ocorreu devido à dificuldade da Polícia Civil em localizar o material necessário para a perícia. Segundo ele, a falha não pode ser atribuída à defesa. Também foi destacado que houve tentativas de cobrança do exame pericial, mas as amostras e documentos não foram encontrados de forma adequada. Agora, o acusado passa a responder ao processo em liberdade provisória, mediante medidas cautelares como comparecimento periódico à Justiça, recolhimento noturno e proibição de deixar a cidade sem autorização judicial. “A concessão da liberdade provisória não se confunde com absolvição prévia ou impunidade do ato praticado”, ressaltou o desembargador na decisão. Acusado Juliano foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pelos crimes de feminicídio, ameaça e lesão corporal. Uma semana antes do esfaqueamento, Karina havia solicitado uma medida protetiva contra o ex-companheiro. Entretanto, o documento não chegou a ter validade porque o oficial de Justiça não conseguiu localizar o suspeito a tempo de notificá-lo. À época, a Polícia Civil suspeitou que ele tenha se escondido após descobrir o pedido feito pela ex-companheira. Defesa A Tribuna não conseguiu localizar a defesa de Juliano, mas o espaço segue aberto para manifestações.