Bruno Eustáquio Vieira foi preso em Belo Horizonte após anos foragido (Reprodução/Redes Sociais) Depois da prisão de Bruno Eustáquio Vieira, acusado de matar a própria mãe por interesse na herança em Guarujá, Litoral de São Paulo, a tia do acusado comemorou a descoberta do paradeiro do sobrinho e disse ter sido um ‘presente adiantado’. Ele foi encontrado na tarde da última segunda-feira (8) em Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mariusa de Quadra, tia de Bruno, irmã da vítima e uma das administradoras da página ‘Justiça Por Márcia Lazane’ nas redes sociais, compartilhou uma imagem do momento em que os policiais contiveram o acusado para colocar as algemas e prendê-lo e descreveu a sensação: “Valeu cada quilômetro rodado”. Depois de descobrir sua localização, Mariusa foi até Belo Horizonte para acompanhar a prisão. A irmã dela foi assassinada no dia de seu aniversário, 21 de dezembro de 2020, e escreveu em seu Instagram que o presente que Bruno havia lhe dado agora estava sendo devolvido ‘adiantado’. “Sua hora chegou, falei que íamos te pegar”, desabafou a tia do acusado nas redes sociais. Em um canal do YouTube, Mariusa relatou que se sentiu aliviada, mas a família ainda busca entender o que teria motivado o crime, porque ele não fala o motivo aos parentes. Mariusa comenta que Bruno vivia uma vida normal em Belo Horizonte, como se nada tivesse acontecido, e sem mudar qualquer característica física para manter uma nova identidade fora do estado. Entretanto, contaram para a família de Márcia que ele costumava andar de óculos escuros e boné pelas ruas, dizendo se chamar ‘Felipe’. A namorada do acusado continuava o relacionamento com o suspeito e a localização dele foi descoberta pela família por meio de um perfil do TikTok que posta conteúdos sobre gatos, onde a voz dele foi reconhecida em um vídeo da página. Eles ainda moravam juntos em um endereço diferente, segundo a tia de Bruno no vídeo. Enquanto usava o TikTok, Mariusa relatou que encontrou na ‘For You’ um vídeo de gato de Belo Horizonte e ouviu a voz do Bruno adulterada. Por isso, começou a acompanhar a página e tentou encontrar algo que indicasse que realmente era do suspeito de matar sua irmã, seu sobrinho. A família decidiu investigar e acabou o encontrando. Relembre o caso O corpo de Márcia Lanzane foi encontrado no imóvel onde ela e o filho moravam, no bairro Sítio Cachoeira, em Guarujá, em 22 de dezembro de 2020. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou a morte. Com as investigações, a polícia descobriu que câmeras de monitoramento internas mostraram o momento em que, na noite anterior, Bruno entrou em luta corporal e agrediu a mãe. Após caírem no chão, o filho usou as mãos para esganá-la. Ela tentou resistir, mas não conseguiu. Após cometer o crime, o agressor voltou para a sala do imóvel para assistir TV. Em depoimento inicial, Bruno afirmou não ter envolvimento no crime. Após suspeita da polícia e um novo questionamento, o jovem confessou que teria sido uma morte acidental, após empurrá-la durante uma discussão. Por isso, a mãe teria morrido após bater a cabeça na queda. O sistema utilizado para captação de imagens estava escondido dentro do forno do fogão do imóvel. O jovem relatou para os policiais na época onde o aparelho estava e afirmou que o escondeu por medo. O caso foi investigado pela Delegacia Sede de Guarujá, que concluiu o inquérito com o indiciamento de Bruno por homicídio qualificado em 31 de maio de 2021. A prisão preventiva do acusado foi determinada. O crime também foi investigado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), que entrou com ação penal contra ele na 1ª Vara Criminal de Guarujá em 2 de junho de 2021. Motivo O inquérito da Polícia Civil concluiu em 2021 que Bruno matou a mãe por motivo torpe. A decisão se deu a partir dos depoimentos colhidos, além das câmeras de monitoramento que mostram Bruno agredindo e enforcando a mãe enquanto ela estava caída no chão do quarto. Na conclusão e apresentação do inquérito, que indiciou Bruno por homicídio doloso (com intenção de matar), o MP apontou que Bruno matou a mãe para ter o patrimônio de herança, além de demais valores originários de eventuais seguros. Isso porque ele não tinha seus pedidos materiais atendidos pela mãe e se mostrava insatisfeito com a situação. "De todo o apurado, o bárbaro crime praticado se desenvolveu de forma manifestamente premeditada, tendo o denunciado demonstrado extrema frieza ao ceifar a vida da mãe, passar a noite na casa com o cadáver ao solo e promover verdadeiro teatro para comunicar a morte", diz um trecho do documento do MP. Defesa O advogado de Bruno, Anderson Real (em 2021), afirmou na época que seu cliente negava veementemente a hipótese. "O único bem que a mãe possuía era a casa e um carro", afirmou. A Justiça decretou a prisão preventiva de Bruno em 1º de junho de 2021. Segundo o advogado, a decisão causou estranheza para a defesa no que se diz respeito ao tempo do crime até a decisão. Na época, ele afirmou que Bruno pensava em se entregar. "A princípio tentaremos revogar a prisão. Caso não consiga, ele pensa em se entregar, sim", explicou o advogado.