[[legacy_image_305078]] O deputado federal Carlos Alberto da Cunha (PP-SP), acusado de violência doméstica, lesão corporal, injúria e ameaça contra a companheira, publicou um vídeo sobre a importância do combate ao crime em agosto de 2020. No último domingo (15), a vítima denunciou que o parlamentar a agrediu no apartamento deles, na Rua Ricardo Pinto, no bairro Aparecida, em Santos. (Assista ao vídeo abaixo). Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “A violência doméstica é tão agressiva quanto o crime organizado”. Essa é uma das frases ditas por Da Cunha, que entrevistava o ex-deputado federal Arnaldo Faria de Sá sobre crimes domésticos. Com 30 mil visualizações no YouTube, a conversa rendeu uma discussão de 23 minutos sobre a Lei Maria da Penha e o Estatuto do Idoso. O vídeo foi o primeiro de um talk show policial comandado pelo acusado, que atuou na Baixada Santista. Ele pediu que o ex-parlamentar orientasse testemunhas sobre como denunciar episódios violentos. Em dado momento, disse que o carinho é um “atributo da vida afetiva fundamental para o ser humano”. “Como as pessoas que estão vendo isso aqui podem proteger o idoso da casa do vizinho ou a esposa da outra casa? Aquele pessoal que percebe que tem gente sofrendo violência doméstica perto e a vítima tem medo de falar. Quais os caminhos?”, questionou Da Cunha. [[legacy_youtube_PDch4N966UI]] Entenda a acusaçãoA nutricionista Betina Raísa Grusiecki Marques, de 28 anos, relatou ter uma união estável com o deputado há três anos. O caso ocorreu no sábado (14), por volta das 21 horas, e foi reportado por ela na madrugada de domingo. Segundo o boletim de ocorrência obtido por A Tribuna, a violência teve início após Da Cunha ingerir bebida alcoólica. Betina disse que o deputado, ainda sob efeito de álcool, iniciou uma discussão e, na sequência, começou a xingá-la de “putinha” e "lixo", falando que ela não servia para nada. De acordo com a jovem, Da Cunha bateu a cabeça dela contra a parede enquanto apertava seu pescoço, levando-a a desmaiar. A nutricionista relatou que, após acordar, o deputado veio novamente em sua direção e, para se defender, ela jogou um secador de cabelo na cabeça do agressor. A atitude não teria sido o suficiente para impedir a ação. Ela comentou que ele retornou a agredi-la, ameaçando matá-la a tiros e fazer o mesmo com a mãe dela. Betina denunciou que, durante as agressões, o deputado quebrou o óculos dela e jogou cloro em suas roupas. Ela pediu uma medida protetiva de urgência, que foi concedida pela Justiça conforme apurado pela TV Tribuna. Com a decisão, ele deverá manter ao menos 300 metros de distância da companheira. Em nota para A Tribuna, o deputado negou que tenha agredido Betina. De acordo com sua assessoria, houve uma discussão, “em meio a comemoração de seu aniversário, mas em nenhum momento ocorreu qualquer tipo de violência física de sua parte”. A defesa garantiu ainda que os fatos ficarão comprovados no decorrer do inquérito policial. Processos e outras polêmicasCarlos Alberto da Cunha responde a dois processos disciplinares na Polícia Civil desde quando atuava como delegado. Em setembro de 2021, ele passou a ser alvo de um inquérito do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sob a suspeita de enriquecer irregularmente com a divulgação de vídeos da operação da Polícia Civil nas redes sociais. Ainda naquele ano, houve o afastamento da corporação. Ele confessou ter encenado em vídeo o flagrante de um sequestro na capital paulista. A demissão do então delegado foi aprovada em junho de 2022 e, o caso, encaminhado à Secretaria Estadual da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). Entre os episódios que motivaram a decisão do Conselho da Polícia Civil do estado está a indicação de que o delegado teria forjado a prisão de "Jagunço do Savoy", a quem atribuiu nas redes o papel de "líder do PCC". O preso na verdade seria outra pessoa, como mostrou reportagem da Folha de S. Paulo. Em agosto de 2022, Da Cunha também virou alvo de um segundo processo demissionário aprovado pelo Conselho da Polícia Civil. A razão do novo pedido são declarações contra integrantes da cúpula da instituição, entre eles, o ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes. Como o processo anterior, este também foi encaminhado para definição do governo.