Mantido em cativeiro por nove anos, golfinho Flipper foi símbolo de preservação em São Vicente

Entre 1984 e 1993, o boto fazia performances no Oceanário da cidade

Em 1967, a cidade de São Vicente construiu um local inusitado voltado ao turismo na faixa de areia da praia do Itararé, próximo à Pedra da Feiticeira. Batizado de Oceanário, o espaço exibia diversos animais marinhos ao público. 

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Entre 1984 e 1993, o local foi a casa do icônico golfinho Flipper, que além do entretenimento, acabou deixando um legado de preservação da espécie no Brasil.

O mamífero, que logo virou a principal atração do Oceanário, viveu por nove anos em cativeiro na cidade e acabou inspirando a criação de duas organizações não-governamentais (ONGs), relembra uma reportagem publicada no jornal A Tribuna no dia 20 de novembro de 2008.

Após diversas denúncias de maus tratos, o caso do golfinho ganhou repercussão internacional, com a organização World Society for the Protection of Animals (WSPA) ingressando na Justiça para exigir a soltura de Flipper. No processo, foi decidido que o animal marinho seria liberado após fazer uma readaptação no município de Laguna, Santa Catarina, onde foi capturado em 1984. 

Diversas pessoas foram se despedir do Golfinho (Foto: Arquivo/AT/João Vieira Jr.)

O boto foi levado para a cidade no sul do país no dia 17 de janeiro de 1993. Na data, cerca de quatro mil pessoas foram até a praia do Itararé para a despedida do maior personagem do Oceanário. 

Flipper ficou cerca de três meses em uma área cercada em Laguna, até ser libertado. Poucos dias depois, o animal migrou lentamente para o norte, atingindo a costa de Praia Grande. Ele foi encontrado muito machucado, com cicatrizes formadas por provavelmente membros de sua própria espécie, que o recusaram no bando. Monitorado pela WSPA, o golfinho foi visto pela última vez em 1995. Desde então, cerca de 25 anos depois, sua trajetória é um mistério. 

A partir de 1993, o Brasil nunca mais permitiu a realização de shows com golfinhos e, com isso, o boto foi o último de sua espécie a viver nestas condições. 

Nome

O golfinho foi batizado com o nome por conta de uma série exibida entre 1964 e 1967. A produção contava a dia a dia do guarda Porter Ricks, que trabalhava em uma reserva marinha na Flórida, Estados Unidos. 

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