[[legacy_image_312924]] “Recebe o afeto que se encerra em nosso peito juvenil. Querido símbolo da terra, da amada terra do Brasil”. São versos do Hino à Bandeira Nacional, escrito por Olavo Bilac, com arranjos de Antônio Francisco Braga. O símbolo da Nação é comemorado neste domingo (19). Apartidária e simbólica do amor pelo Brasil, a bandeira marca o fim do Império e o começo da República, que fora proclamada em 15 de novembro de 1889. A professora de História da Universidade Católica de Santos (UniSantos) Melissa Vicente explica como foi criada. Diferentemente do que se leciona em escolas, Melissa afirma que as cores verde e amarela da bandeira não estão ligadas à mata e ao ouro brasileiros. Na verdade, representam uma aliança imperial entre o casal dom Pedro I, primeiro imperador do Brasil, e Maria Leopoldina. A cor verde representa a casa da família Orleans e Bragança, de Pedro I, e a amarela, a da dinastia Habsburgo, da imperatriz Leopoldina. “O Brasil teve várias bandeiras ao longo da sua história. Se nós considerarmos a bandeira do Brasil enquanto independente, sendo consolidado como Estado-nação, a gente considera a bandeira imperial, que é de 1822, e ela marca o desligamento dos laços entre Brasil e Portugal.” O marechal Deodoro da Fonseca, que proclamou a República, pediu que se mantivessem elementos da bandeira monárquica imperial, porque ele era amigo pessoal de dom Pedro II e favorável à monarquia, diz Melissa. A bandeira imperial tinha traços parecidos com os da atual. Ela se apresentava com retângulo verde e losango amarelo, com emblema imperial cercado pela coroa, uma esfera armilar composta por 19 estrelas, que representavam as províncias, e ramos de café e tabaco, representando a riqueza. A bandeira atual, da República, foi lançada quatro dias após a proclamação. Por isso, há datas distintas. “A bandeira imperial vigorou de 1822 até 1889. Nós tivemos uma bandeira provisória que era muito parecida e inspirada na bandeira dos Estados Unidos, com as listras verde e amarela, e as estrelas, que representavam os estados.” Porém, esse modelo inicial durou apenas quatro dias. Foi em 19 de novembro de 1889 que a nova versão surgiu, idealizada por Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Leme e desenhada por Décio Vilares. “Ela tem, inclusive, o centro representando os estados”. A configuração atual, com 27 estrelas — 26 estados e o Distrito Federal — data de 1992. “E temos o lema, escrito em verde, ‘ordem e progresso’, que foi resumido da filosofia positivista, de origem francesa e que vigorava bastante no Brasil, principalmente nos meios militares. O lema inteiro era: ‘O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim’”, relata. Quanto à constelação desenhada na bandeira, retrataria como estava o céu em 15 de novembro de 1889. As estrelas têm tamanhos diferentes e cinco pontas. “Nós temos aquela estrela solitária que fica acima da linha da (frase) ‘ordem e progresso’, que representa o Estado do Pará. Ele era o maior território brasileiro e é a maior estrela na época, e está acima do paralelo da Linha do Equador.”