Combustíveis devem sofrer aumento por causa da guerra (Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio já começa a provocar reflexos no bolso de consumidores em todo o mundo, inclusive no Brasil. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nos últimos dias, o preço do petróleo disparou no mercado internacional, ultrapassando US\$ 100 por barril e chegando perto de US\$ 120, um dos níveis mais altos desde 2022. A alta ocorre porque a guerra ameaça a produção e o transporte de petróleo em uma das regiões mais importantes para o abastecimento global de energia. Analistas alertam que, se o conflito se prolongar, o impacto pode chegar rapidamente ao consumidor, pressionando combustíveis, fretes, alimentos e diversos produtos do dia a dia. Por que a guerra faz o petróleo subir O Oriente Médio concentra alguns dos maiores produtores de petróleo do planeta. Quando há risco de guerra na região, o mercado reage imediatamente com aumento de preços. Os ataques envolvendo os três países elevaram o temor de interrupção no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Com ataques a instalações energéticas e redução da produção em alguns campos petrolíferos, a oferta global pode diminuir, enquanto a demanda continua alta, combinação que naturalmente eleva o preço da commodity. Especialistas alertam que, caso a escalada militar continue, o barril pode subir ainda mais, chegando a US\$ 150 ou até US\$ 200 em cenários extremos. Gasolina e diesel podem ficar mais caros O primeiro impacto costuma aparecer nos combustíveis. No Brasil, embora o país produza petróleo, os preços internos acompanham as cotações internacionais. Quando o barril sobe no exterior, o custo de gasolina e diesel tende a aumentar nas refinarias e, posteriormente, nos postos. Logo nos primeiros dias após a escalada do conflito, analistas já apontavam risco de reajustes, com defasagem de preços em relação ao mercado internacional e possibilidade de aumento de até R\$ 0,80 por litro em alguns combustíveis caso o cenário de alta se mantenha. Além disso, o diesel, combustível essencial para caminhões, costuma amplificar o impacto na economia. Fretes mais caros e efeito em cadeia Quando o diesel sobe, o transporte de cargas fica mais caro. E como praticamente todos os produtos dependem de transporte rodoviário no Brasil, o efeito se espalha rapidamente pela economia. Isso significa que itens como: alimentos, materiais de construção, produtos industriais, mercadorias do comércio, podem registrar aumento de preços nas próximas semanas ou meses. Economistas chamam esse fenômeno de inflação de custos, quando o aumento de um insumo essencial pressiona toda a cadeia produtiva. Passagens aéreas e viagens também entram na conta Outro setor diretamente afetado pela alta do petróleo é o de aviação. O querosene de aviação, derivado do petróleo, representa uma das maiores despesas das companhias aéreas. Quando o barril sobe, o combustível fica mais caro e as empresas podem repassar parte desse custo para o consumidor. Na prática, isso pode significar: passagens aéreas mais caras, aumento no custo de fretes aéreos, encarecimento de produtos importados, Fertilizantes e alimentos podem subir O impacto da crise também pode chegar ao campo. O petróleo e o gás natural são matérias-primas importantes para a produção de fertilizantes. Com energia mais cara e dificuldades logísticas em regiões produtoras, o preço desses insumos tende a subir. Isso afeta diretamente a agricultura, podendo elevar o custo de produção de alimentos como grãos, carnes e derivados. Em países dependentes de importação de fertilizantes, como o Brasil, o impacto pode ser ainda mais sensível. Efeito no dólar e na inflação Crises geopolíticas também costumam provocar turbulência nos mercados financeiros. Investidores buscam ativos considerados mais seguros, o que pode fortalecer o dólar e pressionar moedas de países emergentes. Quando o dólar sobe, produtos importados ficam mais caros — outro fator que alimenta a inflação. Para economistas, se o conflito se prolongar, o mundo pode enfrentar um novo choque energético, semelhante ao ocorrido em outras crises do petróleo ao longo da história. Por que o mundo acompanha o conflito com atenção O confronto entre Estados Unidos, Irã e Israel envolve uma das regiões mais estratégicas para o abastecimento global de energia. Qualquer interrupção significativa na produção ou no transporte de petróleo pode provocar efeitos em cadeia na economia mundial — do preço da gasolina no posto até o valor dos alimentos no supermercado. Por isso, mesmo ocorrendo a milhares de quilômetros de distância, o conflito no Oriente Médio pode ter impacto direto no orçamento de famílias brasileiras.