O avião tocou o solo com o trem de pouso recolhido, ultrapassou os limites da pista e colidiu com um muro de contenção de concreto (Reprodução) Uma nova etapa da investigação sobre o acidente do voo Jeju Air 2216 voltou a ganhar repercussão internacional nesta semana. Embora o desastre tenha ocorrido em dezembro de 2024, um relatório preliminar divulgado recentemente, traz uma revelação grave: os pilotos da aeronave teriam desligado o motor errado após uma colisão com aves, agravando de forma decisiva a tragédia que matou 179 pessoas. O conteúdo técnico reacende discussões sobre falhas humanas em situações de emergência e coloca em xeque os protocolos de treinamento adotados por companhias aéreas em todo o mundo. (vídeo mais abaixo) A investigação está sendo conduzida pela Aviation and Railway Accident Investigation Board (ARAIB), agência responsável por apurar acidentes na aviação e transporte ferroviário na Coreia do Sul. O órgão sul-coreano equivale, no Brasil, ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), vinculado à Força Aérea Brasileira, e à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que regula a segurança operacional no setor. Também participam da apuração técnicos da FAA (EUA), da NTSB e da fabricante dos motores CFM International. O que aconteceu no voo Jeju Air 2216 No fim da tarde de 29 de dezembro de 2024, um Boeing 737-800 da Jeju Air partiu de Seul com destino à ilha turística de Jeju. Durante a subida inicial, a aeronave colidiu com um bando de aves da espécie Baikal teal, causando falhas em ambos os motores. A tripulação declarou emergência e iniciou manobra de retorno ao Aeroporto Internacional de Muan. O relatório aponta que os pilotos, ao tentarem isolar a falha, desligaram o motor esquerdo — que ainda estava operando — em vez do direito, que havia sido severamente danificado. Dados da caixa-preta, gravador de voz da cabine e análise física do sistema de combustível confirmam que a válvula de corte do motor esquerdo foi acionada, deixando a aeronave sem propulsão suficiente para completar o pouso. Sem sustentação, o avião tocou o solo com o trem de pouso recolhido, ultrapassou os limites da pista e colidiu com um muro de contenção de concreto. A explosão foi imediata. Das 188 pessoas a bordo, apenas nove sobreviveram, todas com ferimentos graves. Erro técnico confirmado por múltiplos registros O desligamento incorreto foi confirmado por uma combinação de elementos técnicos: leitura dos instrumentos de voo, vestígios de operação na mangueira de corte e, principalmente, pelo diálogo gravado entre comandante e copiloto nos minutos finais. Os técnicos da investigação afirmam que houve uma interpretação equivocada dos sinais apresentados no painel da cabine, levando à decisão errada. O motor direito, que de fato sofreu danos ao absorver aves de grande porte, permaneceu em funcionamento parcial, mas com perda significativa de potência. O motor esquerdo, ainda funcional, foi desligado manualmente. Sem empuxo e com os sistemas elétricos comprometidos, a tripulação perdeu o controle da aeronave nos momentos finais da aproximação. -video facebook (1.471027) Repercussão A divulgação das conclusões preliminares gerou forte reação dos familiares das vítimas. Em uma reunião fechada conduzida pela ARAIB em Seul, houve protestos e interrupções. Muitos parentes afirmam que a investigação estaria concentrando a culpa exclusivamente nos pilotos, sem considerar fatores estruturais do aeroporto e deficiências na resposta de emergência. Entre os pontos questionados, estão a ausência de uma área de escape adequada ao fim da pista e a presença do muro de contenção, que contribuiu diretamente para o alto número de mortes. A Jeju Air e autoridades locais ainda não se pronunciaram publicamente sobre esses aspectos. Por que a notícia voltou agora Embora o acidente tenha ocorrido em 2024, o relatório técnico com as primeiras conclusões só foi publicado nos últimos dias. Até então, o que se sabia era que o voo havia sofrido uma colisão com aves. A confirmação do desligamento do motor errado, até então uma hipótese não confirmada, passou a constar oficialmente nos registros públicos da ARAIB nesta semana. Além disso, a imprensa internacional repercutiu amplamente os achados. Veículos como Reuters, The Independent, People e AeroTime publicaram reportagens detalhadas sobre o erro da tripulação, reacendendo o debate sobre segurança aérea e treinamento sob condições de estresse extremo.