Telescópio Espacial Nancy Grace Roman tem lançamento previsto para 30 de agosto (Nasa/Jolearra Tshiteya/Divulgação) A Nasa está nos preparativos finais para lançar no final do mês um observatório espacial que promete ajudar a responder algumas das maiores perguntas da astronomia moderna: como o Universo surgiu, do que ele é feito e como evoluiu ao longo do tempo. Trata-se do telescópio espacial Nancy Grace Roman, cujo lançamento está previsto para a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O projeto está oito meses adiantado em relação ao cronograma original e dentro do orçamento, algo considerado raro para uma missão da agência espacial americana. Satélite espião O Roman tem uma origem incomum. Antes de se tornar um telescópio científico, ele começou sua trajetória como um satélite espião “sobressalente”, doado à Nasa por uma agência governamental dos Estados Unidos responsável pela coleta de inteligência espacial. O observatório recebeu o nome de Nancy Grace Roman, primeira chefe de astronomia da Nasa e também a primeira mulher a ocupar um cargo executivo na agência. Ela morreu em 2018, aos 93 anos, após contribuir para o avanço dos estudos sobre estrelas e ajudar a moldar o programa de astronomia espacial da Nasa. O que o Roman pretende descobrir O telescópio foi projetado para investigar a energia escura, a matéria escura e os exoplanetas. Ao realizar grandes levantamentos do céu, acompanhará como a energia escura e a matéria escura influenciaram o crescimento e o movimento de milhões de galáxias. Além disso, seus levantamentos deverão fornecer informações relevantes para diversas áreas da astrofísica. Diferentemente do telescópio espacial James Webb, que foi desenvolvido para observar objetos individuais em detalhes, o Roman foi construído para mapear grandes áreas do Cosmos. A proposta é permitir uma visão mais ampla do Universo e de suas transformações ao longo do tempo. Instrumentos O Nancy Grace Roman possui dois instrumentos científicos principais: o Instrumento de Campo Amplo (WFI) e o Coronógrafo Roman. O Instrumento de Campo Amplo detectará luz infravermelha proveniente do Universo. Como a luz infravermelha possui comprimentos de onda um pouco maiores que os da luz visível, ela permite observar através da poeira cósmica e enxergar regiões mais profundas do Cosmos. Já o coronógrafo foi projetado para bloquear o brilho intenso de estrelas próximas. O princípio é semelhante ao ato de colocar a mão diante do Sol para conseguir enxergar algo menos brilhante ao seu redor. Ao reduzir a luz das estrelas, o equipamento permitirá testar métodos para obter imagens diretas de planetas com brilho tênue e de discos de poeira e gás ao redor de outras estrelas. Mais rápido que o Hubble Uma das principais características do Roman é seu enorme campo de visão. O telescópio poderá capturar imagens de regiões do céu cerca de cem vezes maiores que as observadas pela câmera infravermelha do telescópio espacial Hubble, mantendo nitidez semelhante. Seu espelho principal tem o mesmo tamanho do espelho do Hubble: 2,4 metros de diâmetro. As capacidades do Instrumento de Campo Amplo permitirão mapear o Cosmos aproximadamente mil vezes mais rápido que o Hubble. Observações que levariam séculos para serem concluídas pelo telescópio poderão ser realizadas pelo Roman em uma fração desse tempo. A busca por novos mundos O Roman também realizará o maior levantamento já feito de planetas além do Sistema Solar. A missão deverá detectar milhares de exoplanetas por meio da técnica conhecida como microlente gravitacional. O fenômeno acontece quando a gravidade de uma estrela situada em primeiro plano desvia e amplia temporariamente a luz de uma estrela mais distante. Se houver um planeta ao redor dessa estrela, ele poderá provocar uma pequena alteração no brilho observado, revelando sua presença. Com essa técnica, o telescópio poderá encontrar planetas em órbitas amplas, planetas de baixa massa e até mundos que vagam pelo Universo sem estarem ligados a nenhuma estrela. O coronógrafo também permitirá a obtenção de imagens diretas de exoplanetas do tamanho de Júpiter. Bilhões de galáxias no radar Ao longo da missão, o Roman deverá detectar bilhões de galáxias e dezenas de bilhões de estrelas. Sua combinação de escala e precisão permitirá observar grandes padrões cósmicos e, ao mesmo tempo, realizar medições suficientemente detalhadas para identificar efeitos pequenos, mas importantes para os astrônomos. O inesperado também faz parte Embora tenha objetivos científicos bem definidos, uma das maiores expectativas em torno do Nancy Grace Roman está na possibilidade de descobrir fenômenos ainda desconhecidos. Como observará repetidamente grandes áreas do céu, o telescópio poderá registrar eventos raros e inesperados. Para os astrônomos, essa é uma das perspectivas mais empolgantes da missão. Fonte: Nasa e Enciclopédia Britânica