[[legacy_image_205866]] O Rei Charles III terá grandes desafios em seu reinado, além da missão de substituir a mãe, a carismática e longeva Rainha Elizabeth II, que reinou durante 70 anos no Reino Unido. Para o coordenador da pós-graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, Gilberto Rodrigues, o herdeiro do trono britânico tentará, na política externa, marcar o seu nome nas questões ambientais e atuar no conflito Rússia-Ucrânia. Internamente, ele terá de lidar com um assunto delicado: o plebiscito na Escócia, que pode definir a independência do país do Reino Unido. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Como ele tem 73 anos, tem a perspectiva de um reinado curto. Ele vai, provavelmente, imprimir uma marca de forma mais rápida e intensa do que a rainha. Até porque ela assumiu o trono muito jovem, com a aura de uma pessoa que havia resistido aos alemães na Segunda Guerra. Tinha a marca de uma pessoa vitoriosa” analisa Rodrigues. Como Charles sempre foi engajado na causa ambiental, o coordenador acredita que o tema ganhará ainda mais relevância na agenda do monarca. “Eu apostaria que se ele for deixar uma marca de valores, de uma ética, essa marca seria simbolicamente na questão ambiental. Ele já fez isso como príncipe, com um trabalho de sensibilização nas questões de preservação, um tema muito importante hoje, com as mudanças climáticas”. Outro ponto crucial para Charles III, na visão de Rodrigues, é o conflito entre Rússia e Ucrânia, em que os britânicos sempre estiveram ao lado dos Estados Unidos no apoio ao governo ucraniano. “O Boris Johnson (ex-primeiro-ministro britânico) esteve na Ucrânia como chefe de governo. Os monarcas não se engajam muito na política externa, não sei se o Charles irá à Ucrânia, mas na conjuntura atual, a guerra é um tema importante. Acho que ele se engajaria de alguma maneira, com alguma declaração, muito comedida, para reforçar os brios do povo”. Desafio interno “Dentro de casa”, Charles III terá um assunto espinhoso no início de seu reinado. No dia 28 de junho passado, a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, propôs no parlamento escocês um novo plebiscito de independência do país do Reino Unido. Inicialmente, a data do referendo seria 19 de outubro de 2023, mas para que a consulta popular aconteça será necessária a autorização da nova primeira-ministra britânica, Liz Truss, empossada na última terça-feira (6). “Essa é uma questão muito desafiadora. A Escócia é muito importante para o Reino Unido, porque uma parte do PIB vai embora se a Escócia sair. E o temor do separatismo é que outros reinados ou possessões possam pleitear a mesma coisa, num efeito dominó. Os monarcas têm uma missão a cumprir, de unificação do país, e o Charles III vai ter um papel fundamental”.