Túnel tem impressionantes 57 quilômetros de extensão e até 2.300 metros de profundidade (Reprodução) Com impressionantes 57 quilômetros de extensão e até 2.300 metros de profundidade sob as montanhas, o Túnel de Base de São Gotardo, na Suíça, entrou para a história como o túnel ferroviário mais longo e profundo do planeta. Escavada no coração dos Alpes Suíços, a obra é considerada uma das maiores conquistas da engenharia moderna e mudou a forma como passageiros e cargas atravessam a Europa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Inaugurado em 2016 após quase duas décadas de construção, o túnel permite que trens cruzem a cordilheira alpina em cerca de 17 minutos, conectando o norte e o sul da Suíça por uma rota ferroviária rápida e eficiente. Além de reduzir o tempo de viagem entre importantes cidades europeias, a infraestrutura também ajuda a diminuir o tráfego de caminhões nas estradas de montanha, tornando o transporte mais sustentável. Uma obra gigantesca no coração da Europa O Túnel de Base de São Gotardo atravessa o maciço de Gotthard, ligando as cidades suíças de Erstfeld, no cantão de Uri, e Bodio, no cantão de Ticino. O projeto foi concebido para criar uma rota ferroviária mais plana e direta através dos Alpes, eliminando curvas e inclinações que limitavam a velocidade e a capacidade de carga dos trens. Para isso, engenheiros escavaram dois túneis paralelos com mais de 57 quilômetros cada, formando um complexo sistema subterrâneo que, somado a galerias, passagens de segurança e eixos de ventilação, ultrapassa 150 quilômetros de estruturas subterrâneas. O ponto mais profundo do túnel fica 2,3 quilômetros abaixo da superfície das montanhas, o equivalente a empilhar mais de sete Torres Eiffel uma sobre a outra. 17 anos de escavações e desafios A construção começou em 1999 e mobilizou cerca de 2.600 trabalhadores, entre engenheiros, geólogos e operários especializados. Durante os trabalhos, foram removidas aproximadamente 28 milhões de toneladas de rocha, enfrentando diferentes tipos de terreno — alguns extremamente duros, como granito. O investimento total ultrapassou 12 bilhões de francos suíços, equivalente a mais de 10 bilhões de euros, tornando a obra uma das maiores já financiadas em infraestrutura ferroviária. O projeto também contou com tecnologia de escavação de última geração, incluindo gigantescas máquinas perfuradoras capazes de avançar dezenas de metros por dia. Como funciona o túnel O túnel é composto por dois tubos paralelos, cada um com uma linha ferroviária, conectados por passagens de emergência ao longo do trajeto. A estrutura foi projetada para permitir velocidades de até 250 km/h para trens de passageiros e cerca de 100 km/h para trens de carga, garantindo fluxo constante entre países europeus. Diariamente, dezenas de trens cruzam a montanha por esse corredor subterrâneo, transportando passageiros e mercadorias entre regiões estratégicas da Europa. Impacto no transporte europeu O túnel integra um importante corredor ferroviário que conecta o norte da Europa ao Mediterrâneo, facilitando o comércio entre países como Alemanha e Itália. Antes da construção, a travessia dos Alpes exigia rotas sinuosas e lentas. Com o novo trajeto subterrâneo, o transporte se tornou mais rápido, eficiente e ambientalmente sustentável, já que parte do transporte de carga foi transferida das rodovias para os trilhos. A obra também reduziu significativamente o tempo de viagem entre cidades importantes da região, aproximando centros econômicos europeus. Curiosidades sobre o maior túnel do mundo 57 km de extensão – o maior túnel ferroviário já construído Até 2.300 metros de profundidade sob os Alpes 17 anos de construção Custo estimado em mais de 12 bilhões de francos suíços Travessia completa em cerca de 17 minutos Considerado um dos maiores projetos de engenharia do século XXI Um símbolo da engenharia moderna Muito mais do que uma infraestrutura ferroviária, o Túnel de Base de São Gotardo tornou-se um símbolo da capacidade humana de superar barreiras geográficas gigantescas. Ao atravessar uma das cadeias de montanhas mais famosas do planeta, a obra demonstra como engenharia, tecnologia e planejamento podem transformar desafios naturais em oportunidades de conexão entre países e pessoas.