[[legacy_image_156089]] O jogador brasileiro Junior Moraes, nascido em Santos e naturalizado ucraniano, desembarcou na manhã desta quinta-feira (3), no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. O atleta, que defende o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, ajudou os compatriotas a saírem do país em meio ao conflito gerado pela invasão do exército russo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! "Todo minuto lá dentro [em um bunker de Kiev] foi difícil. Não pensei que não voltaria. Só pensei em tirar o pessoal de lá. Tinham muitos bebês e crianças e estava todo mundo muito assustado. Não tinha muito tempo pra raciocinar". Moraes foi citado como um dos principais responsáveis por ajudar os jogadores a manter a calma para sair da Ucrânia. Durante entrevista com jornalistas na área de desembarque do aeroporto, o jogador de 34 anos contou que só se sentiu seguro e aliviado quando conseguiu atravessar a fronteira com a Moldávia. "Era uma pressão psicológica muito grande porque onde a gente estava era o foco. O exercito russo estava chegando cada vez mais perto e não achávamos solução para ir embora. Cada minuto era angustiante e difícil. Foram três ou quatro dias de tensão muito grande. Todo mundo estava nervoso e, quando começamos a passar pela fronteira, fiz questão de levantar e olhar rosto por rosto. Era importante ver porque todos estavam ansiosos e tensos, mas com esperança no rosto". Ele também cita que a força que teve durante os momentos de tensão vieram de Deus. "Nunca passei por uma guerra antes e não fui forte em nenhum momento. Vários momentos em que eu estava no limite eu me trancava no banheiro ou no quarto, colocava um louvor e orava, pedia força pra Deus. Pode ter certeza que quem me deu força para fazer qualquer coisa ou planejamento foi Deus". Ao chegar no Brasil, Junior foi recebido pela família, incluindo seus dois filhos. Ainda no aeroporto, o jogador também afirmou que não consegue dizer qual foi o momento mais difícil porque todo minuto foi repleto de tensão. "Não desejo a guerra para ninguém. Estou aliviado de estar com a minha família, de abraçar eles. Desde o começo foi a única coisa que eu pensei". Para sair da Ucrânia, Júnior viajou até uma cidade na fronteira e depois foi até a Moldávia. De lá, ele passou pela Romênia até chegar em Paris, na França, onde conseguiu embarcar e chegar ao Brasil às 6h30 desta quinta-feira (3). Guerra no leste europeu Apesar da troca de hostilidades por todo o país, delegações diplomáticas da Rússia e da Ucrânia devem se reunir nesta quinta-feira para uma segunda rodada de negociações sobre um possível cessar-fogo. A reunião, assim como a primeira, será realizada em Belarus - país usado como base para as incursões russas na Ucrânia. O encontro vai acontecer na região de Brest, na fronteira belarussa com a Polônia e a Ucrânia, segundo o negociador russo Vladimir Medinski, que disse que as duas partes chegaram a acordo sobre a área, embora o local específico ainda não tenha sido definido. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, disse estar pronto para negociações. "Estamos abertos para a diplomacia, mas não estamos de forma alguma prontos para aceitar os ultimatos russos", disse. O objetivo é um cessar-fogo imediato.