Ex-príncipe Andrew e Jeffrey Epstein (Jordan Pettitt/Associated Press/Estadão Conteúdo / Reprodução) Em um dos capítulos mais dramáticos da história recente da monarquia britânica, Andrew Mountbatten‑Windsor, irmão mais novo de Charles III, foi preso nesta quinta-feira (19) sob suspeita de “má conduta em função pública”, em meio à reabertura de um dos casos mais polêmicos envolvendo a realeza e o magnata americano Jeffrey Epstein. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O que aconteceu na prisão A prisão ocorreu em Wood Farm, na propriedade de Sandringham, no leste da Inglaterra, onde Andrew, que completou 66 anos no mesmo dia da detenção, estava morando após ter sido praticamente afastado da vida real. As autoridades da Thames Valley Police confirmaram a operação e que ele permanece sob custódia enquanto a investigação segue em andamento. A acusação central é de que Andrew teria compartilhado documentos confidenciais do governo britânico com Jeffrey Epstein, enquanto atuava como enviado especial do Reino Unido para comércio internacional, algo que poderia representar uma violação grave de leis de segurança nacional. Quem é Andrew Mountbatten-Windsor? Andrew Albert Christian Edward, nascido em 19 de fevereiro de 1960 em Londres, é o terceiro filho da rainha Elizabeth II e do príncipe Philip, Duque de Edimburgo. Por décadas, foi conhecido como Príncipe Andrew, Duque de Iorque, e ocupou posições de destaque dentro da família real, representando o Reino Unido em eventos oficiais e funções diplomáticas. No entanto, sua imagem pública ficou profundamente abalada por causa de sua amizade com Jeffrey Epstein, financista americano condenado por crimes sexuais envolvendo menores, que morreu em uma prisão dos Estados Unidos em 2019 enquanto aguardava novo julgamento por acusações de tráfico sexual de menores. O escândalo Epstein e as acusações contra Andrew O envolvimento de Andrew com Epstein remonta aos anos 2000. A relação entre os dois ganhou enorme repercussão internacional após um processo civil movido por Virginia Giuffre, uma das mulheres vítimas de Epstein, que alegou ter sido forçada a ter relações com o príncipe quando tinha 17 anos, acusação que ele sempre negou. Posteriormente, em 2022, Andrew resolveu acordar uma ação civil com Giuffre, pagando uma quantia estimada em milhões de dólares para encerrar o caso, sem admitir culpa. Esse acordo, no entanto, não apagou a crítica pública nem o escrutínio das autoridades. Além das acusações de natureza sexual, documentos recém divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, que incluem e-mails e registros de voo relacionados a Epstein, mostraram supostas trocas de informações entre Andrew e Epstein, além de sinais de que o ex-príncipe teria se beneficiado de sua posição para favorecer o magnata em algumas ocasiões. Perda de títulos e isolamento na família real A crise culminou no final de outubro de 2025, quando o rei Charles III tomou a medida histórica de retirar todos os títulos reais de Andrew, inclusive o de “príncipe”, transformando-o legalmente em Andrew Mountbatten-Windsor e ordenando que ele se mudasse da Royal Lodge, sua residência oficial em Windsor. Esse afastamento simbolizou um duro golpe à imagem da família real, que vinha tentando se distanciar do escândalo por anos e preservar a confiança do público nas instituições britânicas. Por que o caso volta agora à tona? A prisão desta semana está diretamente ligada à turbulenta reabertura do caso Epstein, que envolveu a divulgação de um vasto acervo de documentos judiciais americanos, incluindo trocas de e-mail, registros de voos e relatórios que sugerem um nível mais profundo de interação entre Epstein e figuras poderosas, entre elas Andrew. Autoridades do Reino Unido começaram a analisar essas novas evidências, culminando na investigação por má conduta pública. A definição desse crime não requer necessariamente uma lei escrita, mas sim a demonstração de que um funcionário público abusou de sua autoridade de forma grave, o que, se comprovado, pode resultar em pena de prisão. Repercussões e reação pública O caso tem repercutido com força tanto na imprensa internacional quanto no debate político. Autoridades britânicas, incluindo o governo, reforçam que a lei deve ser aplicada com rigor e que ninguém está acima dela, independentemente de posição social ou conexão com a monarquia. Até o momento, o Palácio de Buckingham não divulgou uma declaração oficial sobre a prisão, mas fontes internas afirmam que a família real pretende cooperar com as investigações e aguardar o desenrolar dos fatos. Linha do tempo do escândalo envolvendo o ex-príncipe Andrew e Jeffrey Epstein: Anos 2000 Andrew Mountbatten-Windsor, então conhecido como príncipe Andrew, passa a frequentar eventos sociais com o financista americano Jeffrey Epstein, que mantinha uma extensa rede de contatos entre empresários, políticos e membros da elite internacional. 2008 Epstein é condenado nos Estados Unidos por crimes sexuais envolvendo menores e cumpre pena reduzida após acordo judicial. Mesmo após a condenação, Andrew mantém contato com o financista, o que mais tarde se tornaria um dos principais pontos de crítica pública. 2010 Andrew é fotografado caminhando com Epstein no Central Park, em Nova York, após a condenação do americano. A imagem gera forte repercussão internacional e questionamentos sobre o papel institucional do príncipe. 2011 Pressionado pela polêmica, Andrew deixa o cargo de enviado especial do Reino Unido para comércio internacional. 2019 Epstein é preso novamente nos Estados Unidos, acusado de tráfico sexual de menores, e morre em uma prisão federal enquanto aguardava julgamento. No mesmo ano, Andrew concede uma entrevista à BBC que é considerada desastrosa e agrava sua crise de imagem. 2020 Andrew se afasta oficialmente de todas as funções públicas e representações da família real britânica. 2022 O ex-príncipe fecha um acordo extrajudicial milionário com Virginia Giuffre, que o acusava de abuso sexual quando era menor de idade. Andrew nega as acusações, mas o acordo reforça o desgaste de sua reputação. Outubro de 2025 O rei Charles III decide retirar os títulos honoríficos e privilégios reais de Andrew, que deixa sua residência oficial e passa a viver de forma reclusa. Fevereiro de 2026 A polícia britânica prende Andrew sob suspeita de “má conduta em função pública”, após a reabertura de investigações ligadas ao caso Epstein e ao possível compartilhamento de informações confidenciais enquanto exercia funções oficiais.