Trump defende alívio de sanções à Rússia e acusa Zelensky de prejudicar oferta de diesel (Reprodução/X) Uma eventual intensificação de medidas restritivas contra Moscou poderia distanciar o governo russo do diálogo diplomático, avaliou o presidente norte-americano, Donald Trump, ao manifestar-se neste domingo (18). Em publicação divulgada na plataforma Truth Social, o republicano rebateu objeções quanto ao posicionamento adotado pelo seu governo diante da Rússia e criticou as ações militares promovidas pelo chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, contra instalações de refino russas, alegando que tais incursões comprometem a oferta global de óleo diesel. "Estou negociando a paz na guerra entre a Rússia e a Ucrânia e não quero fazer nada que, ingenuamente, afaste a Rússia da mesa de negociações", registrou o líder da Casa Branca na publicação. Trump ressaltou a existência de "grandes progressos", mencionando inclusive tratativas voltadas à libertação de reféns, sem especificar avanços detalhados. Ele também declarou a possibilidade de subscrever um texto "mais tarde, ou quando eu quiser", sem esclarecer a qual documento se referia. A manifestação ocorre dois dias após o mandatário assinar, na sexta-feira (16), uma ordem executiva que suspende a aplicação de sanções fixadas por legislação aprovada em setembro. O ato evita a incidência de tarifas extras na ordem de 500% sobre itens originários da Rússia, bem como alíquotas de 100% incidentes em produtos provenientes de nações compradoras do gás e do petróleo russos. A determinação, contudo, não extingue a totalidade das restrições econômicas aplicadas pelos Estados Unidos contra Moscou que já se encontravam vigentes. Impactos no mercado de combustíveis e articulações diplomáticas Ao condenar as investidas ucranianas contra refinarias em solo russo, Trump enfatizou que tais manobras provocam transtornos a pecuaristas, agricultores e corporações de múltiplos segmentos econômicos, abrangendo inclusive companhias operantes nos Estados Unidos. Conforme argumentou o presidente, a Rússia mantém o fornecimento de milhões de barris diários de diesel ao ecossistema comercial mundial mediante custos reduzidos, embora o texto do pronunciamento não mencione dados sobre volumes, cotações específicas ou a exata escala do impacto dos ataques na distribuição. Os posicionamentos do republicano corroboram os termos de uma pactuação divulgada neste mês destinada a destravar os fluxos de exportação do combustível de origem russa. Em entrevista concedida neste domingo ao programa This Week, veiculado pela rede ABC, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, assinalou que o plano visa estimular Moscou a abrandar o entrevero militar contra a Ucrânia e viabilizar a circulação do produto nos canais internacionais, lembrando que as punições aplicadas ao petróleo russo prosseguem ativas. No sábado anterior, o secretário de Estado, Marco Rubio, alegou que o diesel fabricado pela Rússia encontraria mercado consumidor independentemente das restrições. Por outro lado, o congelamento das novas penalidades econômicas gerou contestação entre integrantes dos partidos Democrata e Republicano no Congresso, os quais cobram a continuidade das represálias financeiras aplicadas a Moscou por conta da invasão do território ucraniano. Tensões geopolíticas e investidas em infraestrutura Paralelamente aos desdobramentos no setor energético, Trump associou sua conduta diplomática à influência exercida pela Rússia no contexto do conflito com o Irã. O mandatário indicou que Moscou emprega "muito pouco, ou nada" em termos de assistência a Teerã se comparado ao seu potencial total de intervenção, acrescentando ser vantajoso preservar esse cenário — avaliação para a qual não apontou elementos comprobatórios. Ademais, o governante norte-americano acusou Zelensky de relutar quanto ao encerramento dos confrontos, vinculando essa suposta indisposição aos repasses de recursos financeiros oriundos da União Europeia e da gestão do ex-presidente Joe Biden. "Eu quero que esta guerra acabe!", publicou o líder dos Estados Unidos. A administração em Kiev declara manter o interesse na construção de um acordo pacífico, reiterando a necessidade de intensificar a pressão contra as autoridades russas. Ainda no domingo, Zelensky esteve em contato com os emissários de Washington, Steve Witkoff e Jared Kushner, para examinar os desdobramentos das conversas travadas entre comitivas dos dois governos na Flórida e avaliar as etapas seguintes das negociações diplomáticas. Enquanto isso, ações armadas direcionadas à infraestrutura do setor de energia prosseguem em ambas as frentes. Drones com origem na Ucrânia atingiram, neste domingo, um reservatório e um terminal de embarque de petróleo situados em São Petersburgo. O governador local, Alexander Beglov, informou o registro de cinco cidadãos feridos e um óbito decorrente do ataque. Em contrapartida, Zelensky apontou que as forças russas investiram 76 vezes contra a malha energética, petroleira e de gás da Ucrânia no decorrer da semana posterior ao anúncio de uma trégua na área de energia proposto por Trump em 11 de outubro.