[[legacy_image_154180]] Os ataques da Rússia à Ucrânia, nesta quinta-feira (24), desencadearam uma série de manifestações mundo afora contra as agressões do governo de Vladimir Putin ao país do Leste Europeu. E geraram preocupação sobre os efeitos que uma guerra pode causar a outros países. Os três deputados federais da Baixada Santista manifestaram repúdio à invasão russa e opinaram sobre a postura do Governo Federal e de como o conflito pode afetar a região. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Sou a favor da paz e do respeito às soberanias nacionais. Na mesma linha do que foi declarado pelo Itamaraty, torço para que haja uma solução diplomática para a questão, que leve em conta, sobretudo, a proteção da população civil”, disse Marcelo Squassoni (Republicanos). O deputado acredita que a região pode ser afetada caso o conflito se prolongue por um tempo. “É certo que a situação enseja desajustes econômicos. Isso, aliás, já se reflete no mercado financeiro. Mas ainda é muito cedo para mensurar até que ponto isso vai prejudicar o Brasil. A meu ver, vai depender muito de quanto tempo essa crise vai se prolongar". Rosana Valle (PSB) repudiou os ataques e disse que suas orações são pela volta imediata da paz. “Nenhum interesse estratégico, seja econômico ou político, justifica o início de uma guerra, que atinge muito mais os carentes do que aqueles que ficam protegidos em suas salas de comando”. A deputada fez coro com o vice-presidente Hamilton Mourão. “Ele disse que o Brasil não concorda com a invasão do território ucraniano. Se esta é a posição do Governo Federal, isto é, contra a guerra e pela paz, coincide com a minha posição”. Rosana Valle disse esperar que “o conflito não afete o nosso agro, que importa fertilizantes da Rússia, nem a atividade portuária e outros setores da economia”. O deputado Júnior Bozzella (União Brasil) pregou a união mundial para o restabelecimento da paz no Leste Europeu. “A Rússia precisa ser contida e isso depende da união dos demais países, não para travar um confronto bélico, mas para retomar o equilíbrio e restabelecer a paz. No meio do entrave político e econômico estão as vidas de centenas de milhares de inocentes. Cabe aos chefes de Estado nesse momento agirem com parcimônia e responsabilidade”. Bozzella afirmou que “não há dúvidas de que de alguma forma todos os países, em maior ou menor proporção, e inclusive a nossa região, que tem o maior porto da América Latina, com um papel preponderante na importação e exportação, serão afetados”. “Imagem manchada”Diferentemente dos deputados, que não comentaram o silêncio do presidente Jair Bolsonaro sobre os ataques russos, o professor doutor Fabiano Lourenço de Menezes, coordenador do curso de Relações Internacionais da Universidade Católica de Santos, disse que a imagem do Brasil foi mais uma vez arranhada no cenário internacional. “A imagem do Brasil já estava abalada no âmbito internacional e agora fica ainda mais manchada. O que aconteceu na Ucrânia viola os princípios da política brasileira. Bolsonaro não se manifestou (sobre as agressões da Rússia). O representante brasileiro no Conselho de Segurança da ONU e o vice-presidente Hamilton Mourão deram as declarações mais fortes”, disse Menezes. Segundo o professor, a recente viagem de Bolsonaro à Rússia seria para tentar capitanear, junto à sua base, a imagem dele como líder internacional nas próximas eleições. Mas a estratégia pode ter sido um tiro pela culatra. “Com o conflito, piorou muito. Essa viagem (à Rússia) vai ser usada por outros candidatos para criticá-lo. O desenrolar da situação é bastante embaraçosa, mas se olhar toda a política externa do Governo, não é surpresa”.